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23 outubro 2012

Sobre Olhares, nomes e cordas...


"E disse o Eterno Deus: 'Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma companheira frente a ele."

(Torah - Bereshit 3:18 ou Bíblia Sagrada - Gênesis 3:18)

A proximidade do casório tem me feito pensar muito sobre o assunto. Tenho lido e relido esse texto muitas vezes, não somente o versículo citado, mas todo o capítulo. O bacana é que quando a gente se debruça sobre um texto várias vezes, cada leitura revela algo novo. Li várias versões da narrativa: a Bíblia de Jerusalém, a Almeida revista e corrigida, a NVI, mas minha preferida foi essa da Torá. Achei muito bonito Deus falando que faria para o homem uma companheira "frente a ele", ou seja, o que as versões da Bíblia traduzem como "idônea" ou "que lhe corresponda" no original hebraico parece simplesmente dizer "alguém para olhar nos olhos". Quando eu era adolescente havia uma frase muito popular que dizia que "o sorriso é a manifestação dos lábios que os olhos encontraram o que o coração procurava". Pensar nessa frase me leva a parafrasear a Torá e arriscar uma tradução livre do trecho: "Não criei o homem para ficar flertando com a solidão, mas para ter alguém para olhar nos olhos". A leitura completa da narrativa mostra que Adão não estava ocioso. Ele havia sido criado e colocado no Jardim do Éden "para o cultivar e o guardar" (Gênesis 2:15). Imagino que Deus deve ter ficado observando o homem trabalhando, dando nome aos animais, às plantas, experimentando o sabor das frutas e ervas, os aromas da terra, os perfumes das flores, se maravilhando com o canto dos pássaros, se banhando ou catando seixos de cristal ou ouro em um dos quatro rios do paraíso (2:10-14), contando estrelas no céu, admirando a lua, e pensou: "Tudo isso é muito bom, mas se ele não tiver alguém para olhar nos olhos e compreendê-lo, o paraíso estará incompleto." Deus já sabia há muito o que Clarice Lispector só descobriria depois: "Quantas coisas cabem em um olhar! É tão expressivo, é como falar." Os nossos olhos foram criados com uma mensagem em enigma e passamos a vida toda procurando alguém para decifrá-la. É o "espelho em enigma" de Corintios 13 (o texto áureo sobre o amor) à espera de "conhecer como é conhecido". Adão procurou no olhar dos animais alguém que lhe decifrasse os olhares, mas não encontrou uma companheira para olhar em seus olhos e realmente enxergá-lo. Quando Deus faz a mulher a partir de uma costela de Adão e o apresenta a ela, sua reação é dizer; " Essa, sim, é CARNE da minha carne e OSSO dos meus ossos (Gênesis 2:23)". A palavra Carne em hebraico é "Basar" significa literalmente "músculo", "ligamento", "pedaço de carne que une e movimenta ". Sem a mulher, o homem estaria condenado a se atrofiar na inércia. E vice versa. Talvez por isso percebemos que as pessoas que envelhecem sem alguém ao lado vão se tornando amargas e ranzinzas. São atrofias de uma alma que não encontrou alguém para decifrá-la.Ao mesmo tempo, as palavras "carne" e "osso" revelam a fragilidade da condição humana. Eva consegue decifrar o olhar de Adão pois compartilha de sua fragilidade, é feita do mesmo material que ele. Não obstante, homem e mulher juntos são "ish" e "ishah" (mal traduzido em algumas versões como "macho e fêmea"). Os rabinos explicam que, em hebraico, a palavra homem (ish) e mulher (ishah) cada uma recebe uma letra do nome sagrado de Deus (O Yod em "ish" e o Hê em "Ishah"). Através desta observação, eles entendem que o homem só é capaz de expressar a imagem e semelhança de Deus quando encontra a mulher certa e deixa Deus participar deste exercício de intimidade, essa troca de olhares e desvendamento. Quando se retira a letra do nome de Deus dos nomes homem e mulher, o que sobra é a palavra "Êsh" que significa "fogo devorador". Segundo o judaísmo, esse é um sinal de Deus de que se homem e mulher buscarem a Deus em seu relacionamento, o próprio nome de Deus estará com eles enquanto casal os abençoando, mas caso contrário, se Deus é retirado do relacionamento, eles se tornam um para o outro um fogo devorador, ou seja, dor e sofrimento. Com isso em mente, fica fácil entender o sentido de Eclesiastes 4:9-12: "Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante.Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de TRÊS dobras não se quebra tão depressa". A terceira dobra é o próprio Deus participando do relacionamento!

Que Deus possa fazer parte desta nova etapa de vida que me aguarda...


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Para Lúcia Jarenko, a mulher que Deus me deu para olhar nos olhos...

05 maio 2011

Um dia bem curitibano...

Hoje amanheceu com uma neblina bonita escondendo as coisas e as pessoas do lado de fora da janela. Saí de casa com duas blusas, mesmo sabendo que os dias que iniciam com neblina tendem a ficar mais quentes no fim da tarde. Pelo menos é o que diz a sabedoria popular paranaense, acostumada a essas estações que ficam dançando desde que o sol nasce até quando desaparece do céu. Quem conversa com um curitibano há de ouvir pelo menos um milhão de vezes que "aqui é onde se tem as quatro estações num único dia." A previsão dos metereologistas autodidatas – ou talvez melhor chamados adivinhos do céu, como os antigos romanos – mostrou-se certa. Apesar do início frio, já à hora do almoço o céu estava azul e o sol apareceu sorridente num dia de 20 graus de temperatura. As pessoas caminhavam no centro com blusas, casacos e cachecóis a tira colo. Cebolas humanas desfazendo-se das camadas de roupas que as encorajaram deixar a cama mais cedo... Eu também deixei parte do agasalho no trabalho e enfrentei o restante da jornada usando somente a pólo do uniforme. A noite não está tão fria quanto eu queria... O inverno vem chegando a Curitiba mais uma vez (Graças a Deus!), mas parece que ele chega de mansinho, dá vários avisos antes. Não quer não pegar ninguém desprevenido...

25 abril 2011

A Celebração do Ócio

É minha última semana de férias. Não viajei para BH como queria, não saí para dançar forró todos os dias, não assisti ao show do U2 Cover no Sheridans, nem fui a restaurante algum neste intervalo. Em vez disso, dei uma de ermitão. Fiquei em casa assistindo um monte de filmes, reli “Crônicas de Nárnia”, escrevi um pouco e curti minha namorada bastante. Minhas poucas saídas foram com o Joe e o Sérgio. Teve dia que até arrisquei caminhar. Descobri que dá para ir a pé da minha casa até Santa Felicidade, 20 a 30 minutos de distância – dependendo do ritmo – seguindo uma avenida boa de fazer caminhadas, com pista de cooper e tudo. É mais perto do que ir para o Barigui e o percurso é mais bonito. Até tentei ir ao tal Memorial Italiano e ao Bosque São Cristóvão, mas parece que estes lugares só ficam abertos durante a Festa do Vinho. Uma pena. Entretanto, a caminhada me rendeu boas descobertas. Além de ficar empolgado com a proximidade com o bairro gastronômico descobri perto de casa um bar especializado em cerveja artesanal que tem Opa, uma cerveja de Joinville que eu gosto muito. Antes eu só encontrava Opa no Maia Box do Mercado Municipal, mas agora eles estão trabalhando com uma cervejaria de Blumenau. Não que o produto novo seja ruim, mas Opa é Opa. O sabor da Opa tem uma peculiaridade, eu tenho a nítida impressão de que ela foi feita com a água de novo filtro de barro. Um gosto meio mineral, meio de terra, que fica super interessante no paladar. É esquisito isso. Antigamente eu achava que cerveja era tudo igual e agora eu provo cerveja como faço com vinho, à procura de sabores e aromas. A maturidade é uma coisa interessante. Um adolescente bebe por beber, embriaga-se, dá vexame. A gente vai envelhecendo e aprendendo a saborear melhor as coisas, com moderação, requinte. Acaba até ficando mais sofisticado e exigente. Em Santa Felicidade, fui a uma loja de coisas para casa que acho que deixariam minha irmã encantada. Quando a gente começa a montar casa não pode mais ir a lugares assim. Logo começa a imaginar isto e aquilo na sala, no quarto ou na cozinha. No meu caso, achei um jogo de fondue que me deixou babando. Preciso dar um jeito de comprá-lo para fazer fondue aqui em casa, ainda mais agora que estou com uma sala tão convidativa para receber os queridos.

Hoje acordei tarde. Ontem adormeci no sofá novo assistindo “Closer” pela enésima vez e só passei para a cama de madrugada, quando o frio me obrigou a buscar um edredom. Acordei já era mais de meio dia e nem me preocupei com o almoço. Para falar a verdade, nem mesmo pensei em lavar a louça acumulada do fim de semana ou fazer faxina. Pus umas roupas para lavar apenas porque a lavadora faz todo o serviço. Como é minha última semana de férias, dediquei este dia à celebração do ócio. Li. Escrevi. Revi uns livros de culinária procurando uma receita diferente para preparar quando tiver vontade. Comi bolo que havia feito no fim de semana. Fiz miojo e fritei lingüiça porque era mais fácil. Não cozinhei por pura preguiça mesmo. Cozinhar geralmente me deixa feliz. No aniversário da Lúcia, por exemplo, tive insônia e para a noite passar mais rápido decidi arrumar a casa toda e cozinhar. Preparei um bolo bom bocado de mandioca para ela e uma torta de amora para o Sérgio – que não come coisas doces com mandioca. Mas hoje, eu só quis “coçar” o dia inteiro. Fez um friozinho gostoso. Bem curitibano. Que bom. Já estava me cansando do calor. Adoro o frio. Dorme-se e come-se melhor, além de ser muito mais fácil resolver as coisas. Frio se resolve com blusa, com edredom, com caldos, vinhos, chocolates quentes e chás. Calor não se resolve. Suporta-se. Abri um Merlot safra 2001, presente do meu sogro. Já é notório que não sou um apreciador de Merlots. Sou grande fã de Shiraz, de Carmeneres, Malbecs, Tempranillos, Pinots... Mas Merlots? Meu preconceito talvez tenha sido o motivo da garrafa ter resistido intacta por mais de um mês. Bom, como a cavalo dado não se olha os dentes, abri a garrafa sem esperar muito. O tom atijolado do vinho e as lágrimas na taça me advertiram para mostrar um pouco mais de respeito, mas não dei muita importância. Tons mais alaranjados num vinho é sinal de maturação, são como os cabelos brancos em um sábio. Os vinhos jovens apresentam tonalidades arroxeadas próximas ao rubi. No exame olfativo, encontrei notas de tostado, especiarias e couro. No paladar, a surpresa. Os dez anos de repouso domaram os poucos taninos que um merlot geralmente tem e provei um vinho de corpo médio, equilibrado, redondo. Uma delícia. Acho que meu sogro nem desconfiava do prazer que teria ao degustar o presente. Tomei-o assistindo “O Amor e outras Drogas” (Love & Other Drugs, EUA, 2010) com a Anne Hathaway. Um bom filme. Comecei a assisti-lo pensando se tratar de outra comédia romântica despretensiosa, mas o filme vale a pena. Boa atuação da Anne Hathaway e do Jake Gyllenhaal. Bom enredo. Foi outra surpresa do dia. Melhor seria se a Lúcia estivesse aqui para assisti-lo comigo. Esse friozinho, com vinho e edredon... Hum, cenário perfeito para ficar agarradinho com minha ucraniana preferida. Uma pena mesmo que não vou vê-la. Mas, se Deus quiser, depois de amanhã mato toda esta saudade.

Lúcia tem me feito feliz. Simples assim. Quando a gente é feliz não fica pensando em como ou no porquê. A gente é e pronto. Ela é doce, inocente, divertida, linda, inteligente, e terrivelmente compreensiva. Além de se chamar Lúcia o que – se for a vontade de Deus - vai ficar lindo no convite de casamento: Lúcia e Luciano...rs. Agradeço a Deus por tê-la comigo pois há algo nela que me faz querer ser um homem melhor. Ela é de uma integridade e fibra moral que conheci em poucas pessoas e que serve de exemplo para mim de inúmeras maneiras. Tenho orado muito para Deus abençoá-la e completar sua obra na vida dela.

O céu está laranja. Sempre gostei desses matizes que só encontrei no céu daqui da capital paranaense. Céu laranja é sinal de inverno chegando. Notícia boa para mim que agrado o frio. O tempo está voando. Parece que foi ontem que cheguei aqui. O tempo com a Aline, com o Joe, na República e na casa do Pilarzinho parece, às vezes, lembranças de um sonho veloz que passou. O Pablo tinha razão quando me disse um dia em sua sabedoria precoce de adolescente: “Antes de se fazer 18 anos o tempo passa muito devagar, mas depois disso ele voa cada ano mais rápido.” Antigamente os anos eram eternidades divididas pelo natal. Hoje são dias que vão passando céleres até virarem meses, anos, décadas e uma vida inteira. Peço a Deus que me ensine o segredo de desacelerar o tempo para viver bem tudo o que me proporcionar: os sonhos e planos Dele para o meu viver, a vontade Dele. Minha oração tem sido a do salmista: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que venhamos a ter um coração sábio.” (Salmo 90:12). Que Deus tenha misericórdia e me conceda isso.

Bom, vou ficando por aqui. Acho agora que vou assistir de novo Gladiador (Gladiator, EUA, 2000). Vida de última semana à toa...

Sinto saudades de todos. Saudades da família e todos os momentos vividos: as tardes de playstation com o Daniel, os filmes com a Aline e até as brigas com o Flavinho. Sinto falta da comida e do colo da minha mãe, do meu pai repetindo suas histórias sobre o Iraque “ad infinitum”, do jeito que minha avó mastiga a língua quando fala. Sinto falta dos amigos. Das idas ao Deles com o Claudinho, dos forrós com a Helen e a Denniece, das conversas com a Lívia Salum. Sinto até falta dos lugares: do Stadt Jever, do Salsa Parrilla, do Cardoso, do Bolão, da Pampulha, da UFMG, do cheiro do Mercado Central. Tenho saudade do sotaque que só aprendi a reconhecer no ouvido quando deixei Minas Gerais. Tive erros e acertos como todo mundo, mas, definitivamente, Curitiba foi um acerto. Apesar dos pesares e dificuldades, estou feliz. Deus cuidou de mim até aqui, mesmo que eu não tenha merecido.

18 abril 2011

Velha Casa, com cara nova...

Minha sala passou por algumas alterações... Ganhou móveis novos.
Graças a Deus, está a cada dia mais bonita a minha casa...






18 setembro 2010

Casa Nova

Casa nova faz bem pra gente. É o que tenho percebido desde que me mudei para um apartamento proximo ao Barigui. Tenho andado mais animado. Mais agradecido, pois há tempos aprendi que o homem não recebe coisa alguma se do céu não lhe for dado. Novos cômodos para mobiliar enchem a cabeça de planos e esperanças. E é uma delícia ver os espaços vazios sendo preenchidos. Um rack, uma máquina de lavar, um enfeite para colocar aqui e acolá... É bom poder abrir a porta ao chegar em casa e o cheiro das coisas conhecidas encher o nariz. Minha casa cheira a lavanda e flor de laranjeira. Tem paredes verdes, mobília em branco e tabaco, piso claro. A sala é espaçosa e ainda não tem sofá. Coloquei uns puffs em frente à TV, mas são mais decorativos do que úteis... Para assistir meus filmes jogo um colchonete no chão, com cobertas e travesseiros e me aninho todo. É a primeira casa em Curitiba na qual tenho um prazer genuíno de regressar no fim do dia. Não estou falando mal dos demais lugares onde estive, mas simplesmente estou reconhecendo que a boa mão de Deus está me fazendo progredir por aqui. Cheguei e fui hóspede na casa de 2 amigos diferentes, fui morador de república, tive a primeira experiência de morar sozinho na casinha do Pilarzinho e agora estou neste apartamento. Todas as fases aconteceram dentro de tempos de importantes aprendizados na minha vida. Esta é uma nova fase e é também a que tem me dado mais satisfação ate agora. É bom morar num canto onde eu posso receber meus amigos com alegria e ver que estes se alegram também com minhas conquistas. É engraçado... Nunca imaginei que fosse ficar tão feliz ao ganhar presentes para casa: um home cook da Sheylinha, a "árvore da felicidade" da Gi, uma coisinha ou outra aqui e ali. Estou feliz. Deus tem me mantido e suprido minhas necessidades em Curitiba. Claro que minha alma ainda deseja um monte de coisas, mas Ele tem cuidado de tudo tão minuciosa e graciosamente que só me resta pedir que aquiete meu coração e me ensine a ter paciência...

Este cartinha é só para contar que mudei mesmo. Vontade de fazer um almoço lá em casa e chamar todos que amo para me visitar... Não vai ter espaço para fazer de uma vez só, então vou fazer aos pouquinhos. Aqueles que eu amo, se ainda não receberam meu convite para conhecer minha casa nova, podem aguardar que o convite virá...

Continuem orando por mim.

bjos e saudades

10 julho 2010

Batalhando com as palavras...

Existem textos que se escrevem sozinhos. Outros precisam de muita luta para adquirirem uma forma definitiva. Ultimamente só os textos resistentes têm me habitado. Pelo menos três deles estão em "stand by" na área de trabalho do meu note e mais alguns espalhados em folhas avulsas. Minha mente está um turbilhão de palavras, mas nenhuma aceita pousar sobre o papel...muitas idéias, muito a ser dito, pensamentos demais... Mas as letras fogem, as palavras são arredias e as frases teimam em não se cadenciarem. No fim, a pauta permanece em branco. Acho que é porque tenho andado ligado em 220v nesses últimos dias. Trabalho, escola, a casa se modificando a cada dia... Uma correria só! Estou precisando dimunuir o ritmo um pouco. Caminhar sem rumo por alguma trilha verde, ouvindo pássaros e água corrente. Observar verde e flores. Sentir o vento no rosto e a terra fria sob os pés descalços. Talvez fazer isso degustando um bom vinho. Eu preciso de momentos assim de tempos em tempos. Tenho necessidade de paisagens, cheiros, sons e sensações para aquietar a alma. Até minha própria casa vira um ambiente confinado quando não estou com mente suficientemente arejada. Estou precisando de refrescar o espírito. Sei que depois que fizer isso vou redescobrir minha serenidade e então os textos voltarão a fluir caudalosamente. O problema é a falta (ou talvez o mal aproveitamento) de tempo ocioso. Minhas horas de folga têm sido gastas dormindo ou espreguiçando na cama feito um gato. Isso não é uma prática saudável. Eu sempre precisei de ar livre e alguma atividade física para por a mente em ordem. Em BH, pedalava em volta da Lagoa da Pampulha. Aqui tenho muitos parques, mas minha visitação não tem sido frequente por escassez de tempo. Sempre há algo para limpar, arrumar, lavar, comprar, colocar, tirar, instalar... Aí termino as tarefas e vou ler, ouvir música ou assistir filme até adormecer.

Este fim de semana arranjarei tempo para gastar comigo mesmo. nem que tenha de fugir para o Tingui e deixar a casa de pernas pro ar e o celular desligado. Vou arejar minha cabeça e depois finalizar os textos inacabados... De alma limpa sei que as palavras mudarão sua disposição em relação a mim e faremos as pazes. Aguardem... Desconfio que o blog pode voltar a bombar depois de uma caminhada.

25 junho 2010

Notícias...

O frio chegou a Curitiba outra vez. As temperaturas têm se mantido baixas na maioria dos dias, com poucas exceções. As costumeiras feirinhas de estação já aparecem nas praças oferecendo seus artesanatos e guloseimas. O aroma convidativo do quentão de vinho já pode ser sentido nas ruas no fim do dia. Nada a reclamar. Eu adoro o frio. Come-se e dorme-se melhor. Os agasalhos dão uma impressão mais charmosa e adoro ver as bochechas rosadas de frio das loiras que desfilam pela XV de cachecol e óculos escuros.

Tenho trabalhado demais. Talvez até em excesso. Para pagar as folgas dos jogos do Brasil foi feito um sistema de compensação de horas. A hora extra acrescida à jornada parece passar numa velocidade diferente das trabalhadas normalmente... Bem lentamente. Chego em casa esgotado e, como chego mais tarde, tenho a impressão de que o dia não rendeu. Claro que há dias em que chego empolgado. Esta semana tive varias noites de empolgação. Em uma delas, abri uma garrafa de vinho barato, coloquei Chico Buarque para tocar e fui para o fogão. Não cozinhei nada de especial. Batata sautté (receita que minha irmã me ensinou certa vez por telefone), arroz com sálvia e um lombo picante com cenoura. Comida simples. Mas as fervuras e aromas que se desprendem das panelas parecem agir como um lenitivo para mim. Caminhadas me fazem pensar em muitas coisas. Cozinhar, não. A culinária é um ritual libertador no qual os problemas e preocupações se afastam durante a execução. Cozinho fazendo segunda voz com a música que estiver ouvindo, conversando sozinho e dançando com panelas... Só não gosto de lavar a louça depois, ainda mais no frio... A vantagem de morar sozinho é que a louça pode esperar na pia indefinidamente por dias mais quentes, mais disposição ou quando a necessidade de alguma panela obriga a lavagem... Nenhuma voz para reclamar, nem nenhuma mão caridosa para fazer a louça suja desaparecer...

Domingo, na Redentor, encontrei com um dos meninos que dividia apartamento comigo e ele me disse que eu tinha de ir na casa nova deles para cozinhar, porque ele estava com saudades da minha comida. Fiquei feliz e lisonjeado. Quem diria que o Luciano que chegou a Curitiba, mal sabendo fritar um ovo, pudesse chegar a cozinhar algo digno de dar saudade a alguém um dia? Surpresas da vida! Tive bons mestres na cozinha: Aline Marques, o Lucas, o Joe, a Man’s Health e o Google... Teve receita que deu muito certo e consegui repetir e tiveram outras que deram muito erradas e não falei para ninguém... Ossos do ofício.

O Sérgio está morando em Curitiba. Já até fizemos um pequeno churrasco em seu apartamento depois de eu ajudá-lo na mudança que tinha trazido de carro. O restante só veio de caminhão depois... Ensinei a ele e à Ana a comerem pão d’água e os fiz provar o quentão daqui. Curitiba aos poucos está ganhando novos mineiros. Vai ser bom tê-lo aqui. A Aline Marques me falava, quando eu morava em BH e ela aqui, que sentia falta de ter um ponto de referência nas histórias que contava, uma testemunha que conhecesse algo sobre os fatos, os personagens, os lugares ou as situações e pudesse rir e entender tudo. Sei como ela se sentia. Mudar para uma nova cidade faz a gente se sentir meio perdido a princípio. Ter o Sérgio aqui vai me ajudar a ter um pouco mais de “chão” e poderemos nos apoiar mutuamente. Vejo a mão de Deus por trás da chegada dele a esta cidade, principalmente depois de ter deixado BH para ir morar em Goiânia e ter vindo parar aqui no Sul de forma tão inesperada.

Mês que vem volto a estudar. Vou fazer administração. Estou ansioso. Vai ser duplamente benéfico: primeiro porque vou fazer algo de útil com minhas noites além de ler, jogar no computador ou matar o tempo; segundo porque terei a oportunidade de conhecer gente nova e sair um pouco do circuito trabalho-igreja-forró. Meu leque de relacionamentos vai se abrir um pouco mais. Estou mesmo precisando de uma oxigenação do meu círculo de amizades. Em BH, em encontrava no forró gente de igrejas, da velha escola ou da universidade. Sempre havia alguma surpresa. Aqui eu encontro no forró o povo do forró, na igreja os amigos da igreja e no trabalho os colegas de escritório. Sempre as mesmas rotinas, as mesmas conversas... Estou na expectativa de alguma novidade interessante. É esperar para conferir e orar para que tudo dê certo.

Deus continua cuidando de mim. Sempre de formas inusitadas e diferentes. Movendo corações, obstáculos e me protegendo das mais diversas formas. É mais fácil depender Dele quando não se tem ninguém mais por perto. É uma afirmação pobre de espírito, eu sei. Mas o ser humano é assim mesmo: aparece a dificuldade e pensa em desabafar com o melhor amigo, a namorada, o cônjuge, o terapeuta... Deus sempre fica como último da lista. A solidão, positivamente, ensina a dependência e o consolo que muitas vezes não se pode experimentar de outra forma. Eu tenho aprendido muito em minha jornada solitária aqui no sul.

Fico por aqui. Amanhã a labuta começa cedo. Provavelmente vou abrir a janela e ver a neblina sobre a mata, poeticamente. Tomar meu cappuccino matutino quente, acompanhado de broa preta com geléia e creme de leite, em pé na porta de casa, ouvindo os pássaros piando das árvores. Aí é arrumar o cachecol, colocar os óculos escuros e pegar o ônibus com algum livro como companheiro de viagem e começar tudo outra vez...

Na Toca do Coelho

“A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.”
- Horácio –
(Filósofo e poeta latino)


Assisti “Alice no País das Maravilhas” na versão nova de Tim Burton. Não é um filme para crianças. Aliás, não recomendo nenhum dos filmes dele para menores. Amei “O estranho Mundo de Jack”, “A Noiva Cadáver”, “Coralina” e “9 – A Salvação”... Mas acho o Tim Burton sombrio demais para a mente infantil. Criança tem de ficar é com filme da Disney e da Pixar mesmo. Boas gargalhadas, muitos clichês, vilões previsíveis e alguma liçãozinha chinfrim de moral no final. Alice tem suas lições a ensinar, mas segue a linha mórbida que faz do trabalho de Burton tão peculiar... Acho que quando li o livro eu era um menino. Muito do enredo estava perdido em minha memória, assisti ao filme com gosto de novidade. Alice chega ao País das Maravilhas e percebe que o coelho que a conduziu até lá está sendo repreendido por ter levado a “Alice errada” para lá. A Alice que todos esperavam era a heroína que mataria o monstro alado da Rainha Vermelha, não aquela menina inofensiva. É justamente na fuga para proteger a própria vida e provando coisas que ora a fazem crescer demais e ora a fazem diminuir demais que Alice vai tornando-se o que devia ser. Talvez seja uma boa metáfora para o que tenho experimentado. Pelo menos seis coisas impossíveis também me esperam todos os dias antes do café da manhã, mas se consigo lidar com elas, também posso lidar com os leões e dragões que tenho de matar todos os dias. Há momentos em que me sinto poderoso, há outros que me sinto vulnerável demais. Em muitas ocasiões me vejo em conflito e acho que sou o “Luciano errado”... Mas aos poucos vou me tornando um matador de monstros. O monstro do aluguel, da luz, da água, da comida, das roupas, da solidão. Cada manhã a história começa novamente. Tenho tentado me preocupar com o presente. O “pão nosso de cada dia”, o “basta a cada dia o seu mal”, nas palavras de Jesus. Deus tem cuidado de mim até aqui e sei que Ele se encarregará do meu futuro melhor do que eu mesmo. A jornada tem me mudado. Pouco mais de um ano em Curitiba e já sou uma pessoa bem diferente da que chegou aqui. De hóspede a morador de república, de apê dividido a morar sozinho... Não sei qual será o próximo passo. Sei que é bom ver o “Luciano Errado” se metamorfoseando aos poucos no “Luciano da história” – mesmo que eu ainda não saiba que destino está reservado para mim. Queria que fosse como foi com Alice. Ter um oráculo na mão indicando qual o monstro final e qual o dia eu deveria matá-lo, nem que fosse só para ficar duvidando... Na falta, vou aniquilando cada dificuldade como se fosse a maior e derradeira. A Alice da história foi ajudada por muitos amigos. Eu tenho meus amigos também. Novos e velhos. Cada um insubstituível para mim. Alguns tão loucos quanto o Chapeleiro. Eles têm estado comigo e me auxiliado. Mas eu tenho um trunfo na manga que a Alice não tinha: a menina não podia conversar com o autor de sua história e nem sabia seus sentimentos para com ela, eu posso e sei...

Continuem me mantendo em suas orações e lembranças. Há coisas a aprender ainda aqui na toca do coelho e não quero deixar passar nenhuma.

Abraços,

16 fevereiro 2010

A Oração que tenho de aprender a fazer...

"Um homem orava e, no início, pensou que a oração equivalia a falar. Contudo, à medida que foi ficando cada vez mais quieto, percebeu que a oração é ouvir." (Soren Kierkegaard)

Meu coração tem estado ansioso por muitas coisas e minha alma está inquieta dentro de mim. São aflições que tive culpa de umas e de outras nem tanto, mas que têm me feito bem. As dificuldades podem ser proveitosas quando nos dão a oportunidade de crescermos de alguma forma. Patrícia, uma amiga terapeuta, costumava falar comigo que toda dificuldade é uma chance de deixarmos que o aprendizado que já obtivemos em determinada área bem resolvida da vida alcance aquelas que demandam ainda um pouco mais de trabalho. Por muito tempo acreditei nisso. Achava que podia resolver tudo sozinho. Não dou conta. "Larguei os bets" - como dizem por aqui. Tenho orado porque entendi que é através da oração que Deus faz Suas mudanças em mim, de dentro para fora, do invisível ao aparente, moldadas pela Vontade Dele, nao pela minha. Faz tempo que estou em processo de transformação, mas a verdade é que esse processo às vezes demorou mais do que devia por pura resistência minha. Eu me agarrei à muitas crenças e idéias que tinha de abrir mão e perdi outras que devia ter mantido. A gente tem uma tendência de achar que sabe o que é melhor para nós, desconfio que seja ainda resquícios na alma do gosto daquela fruta lá no Éden... aquele doce sabor que nos apresentou à morte. Que Deus tire de mim essa prepotência pois reconheço que dependo inteiramente Dele e quero sentí-lo me dando orientações específicas sobre o que fazer da minha vida em todos os aspectos, até nos mais insignificantes. Estou buscando mais essa oração "ouvida" e menos a costumeira "falada", porque sei que até orar - que é algo básico da vida de qualquer cristão - é ainda algo que preciso aprender... Que Deus aguçe meus ouvidos, pois sei que Ele tem falado, embora eu tenha sido surdo muitas vezes... Quero e preciso aprender a ouvir Dele.

07 fevereiro 2010

Das aventuras na cozinha e do calor...

Domingo passado eu fiz um bolo de açucar mascavo. Mudei uma receita que geralmente preparo para ver como ficava. Ficou uma delícia. O problema é que eu sou perfeccionista demais e meu paladar é exigente. Comi insatisfeito, com a sensação de que algo estava faltando. Não me contentando, levei uns pedaços para o Joe e disse a ele: "Cara, ficou muito bom, mas eu tenho certeza de que está faltando alguma coisa... Só não sei o quê!" Joe já é cozinheiro experiente e teve paciência de me introduzir na alquimia culinária logo que cheguei em Curitiba. Ele deu uma mordida no bolo que eu havia feito. Mastigou pensativo. Deu outra mordida, sorriu e deu o veredito: "Está faltando nozes! O sabor pede um pouco de nozes". Sexta repeti a receita, desta vez acrescentando nozes. O Joe estava certo! Putz... Que delícia que ficou! Acho que é porque leva cravo e noz moscada... Combinou com as nozes feito mão e luva! Ideal para comer tomando um capuccino ou um café bem forte. Tenho de lembrar de anotar a receita para repetí-la outras vezes... Eu cozinho de forma muito intuitiva. Vou misturando as coisas e no fim dá certo. Claro que houve alguns acidentes no trajeto. Mas a Aline Marques me ensinou algo importante. Ela me disse que quando se mora sozinho e está aprendendo a cozinhar, o bom é que quando dá errado alguma receita a gente joga fora ou come assim mesmo e ninguém precisa ficar sabendo, mas quando dá certo a gente já sabe que pode preparar de novo para quando tiver companhia... É uma lógica interessante e motivadora. Sábado fizemos um lanche coletivo no trabalho. Cada um levou alguma coisa. Levei meu bolo de açucar mascavo e nozes para apreciação e recebi uns bons elogios. Não sei até que ponto eram políticos ou eram sinceros, mas foi ótimo. Minhas experimentações não vão parar por aqui...

Tem feito muito calor em Curitiba. Eu estou dormindo e comendo muito mal.O calor tem esse efeito sobre mim. Já até levantei no meio da noite para tomar uma ducha fria. Que saudade do frio! Ás vezes me sinto em Cuiabá e não em Curitiba. Detesto ficar todo melado de suor. Deus tem de mandar logo uma frente fria não sei de que lugar para acalmar as coisas por aqui... No frio eu como, durmo e até escrevo melhor... Acho que é porque fico mais bem humorado. Esse calor dá uma moleza danada na gente. Dá vontade de fazer nada. Aff...

Deus tem cuidado de mim aqui e agradeço a Ele por isso. Tem falado comigo e através de mim e me mostrado coisas surpreendentes em minha caminhada de fé. É bom saber que Ele se importa até com as trivialidades do dia-a-dia. Continuem orando, entretanto, orações nunca são demais...

Fico por aqui. Ainda não sei o que vou aprontar na cozinha para hoje. Tenho de ir ao mercado e ficar imaginando o que cozinhar enquanto ando pelos corredores...

Abração

31 janeiro 2010

Domingo na cozinha...

Depois de ter dormido fora, cheguei em casa com vontade de cozinhar. Domingo passado a Karine veio almoçar comigo e eu fiz medalhões de lombo assados no molho de cachaça e açucar mascavo polvilhados com lascas de casca de limão, uma arroz básico e batata sautte. Ficou ótimo. Hoje devo almoçar fora, mas estou com vontade de um café da tarde bem caseiro. Aliás, com o dia lindo que está fazendo hoje, bem provável que eu vá fazer um piquinique em algum parque, sentado na grama ouvindo música ou lendo um livro. Cismei de fazer um bolo com o restante do açucar mascavo. Faz tempo que não faço bolo.Usei minha receita básica: 2 colheres de manteiga, 3 xícaras de farinha de trigo com fermento, 2 xícaras de leite, 3 ovos, 1 colher de fermento... só substituí o açucar cristal (2 xícaras) pelo mascavo. Acrescentei uma pitada de cravo moído e outra de noz moscada. Queria colocar uma colherzinha de canela, mas minha canela acabou e fiquei com preguiça de sair para comprar. O resultado foi uma massa escura bonita, cremosa. Antes de assar, ainda peneirei um pouco de açucar em cima da massa, para dar aquela casquinha crocante quando ficar pronto. O resultado foi um bolo meio aerado maravilhoso, acho que foi porque bati no liquidificador. Estou adorando minhas aventuras na cozinha, só não gosto de lavar a louça depois.... Para cozinhar, coloco uma trilha sonora num volume bem alto e vou misturando os ingredientes e cantarolando junto. A trilha sonora de hoje foi Flávio Venturini, cd que ganhei de aniversário da Catarina... Estou de ótimo humor! Não sei o que o futuro me reserva, mas graças a Deus que mantêm meu coração cheio de esperança.

Penetrando o Domínio da Chuva


Outro dia saí para caminhar debaixo de chuva. Eu estava de cabeça cheia e precisava espairecer as idéias. Há algo mágico em caminhar sob a chuva que só sabe quem já experimentou. Não sei se é por causa do vento sussurrando nos ouvidos, ou se é a água lavando o corpo todo. É como caminhar num outro mundo, como se outra realidade se tornasse accessível entre as gotas caindo, uma dimensão de sinestesia. Sinestesia é uma relação entre uma percepção e outra que pertence a um sentido diferente. É dizer: “cheiro de azul”, “sabor do som”... etc. A dimensão da chuva é sinestésica, permite aos sentidos se misturarem todos. É um som que cai do céu e entra não só pelos ouvidos, mas também pelos olhos, escorre na pele, ecoa na alma. O som da chuva abafa todos os outros sons, até aquela barulheira insistente que se instala na mente da gente quando se está preocupado. Andar na chuva é como abandonar-se das ansiedades em felicidade líquida. É experimentar algo único e poderoso. Libertador. Pura catarse! É como uma viagem de LSD, mas sem precisar intoxicar o corpo ou a mente... pelo contrário, o corpo renova-se, a mente se torna mais límpida. Há quem evite as chuvaradas sob o pretexto de cuidado para não se gripar. Mal sabem que a chuva só adoece aqueles que temem sua mágica. Aos que se entregam alegremente, ela fortalece. Potencializa a imunidade contra os males do mundo, quer físicos ou mentais, biológicos ou da psique. A chuva conhece a lógica da máxima latina: “Audentes Fortuna iuvat” (tradução: “A sorte ajuda os mais atrevidos”). Os que ousam penetrar em seus domínios recebem os benefícios de sua magia. Os que se escondem sob as marquises, sob o teto de apartamentos ou telhados das casas, chegam até a reconhecer que estão diante de algo majestoso, mas permanecem à margem da experiência plena. É como ir a um grande show e ficar no canto mais afastado da platéia, em vez de subir no palco e provar a vibração das caixas e a luz dos holofotes. Triste limitação auto-imposta. A sabedoria popular adverte: “Quem está na chuva , é para se molhar”.

Andei na chuva por mais de uma hora. Absorvendo umas coisas, livrando-me de outras. Enchendo os pensamentos de poesia, idéias de histórias, de orações. Quando saí na chuva eu era um, mas foi outro o que voltou para casa: bem mais leve, mais tranqüilo, encharcado...

Ás vezes é preciso ver e provar as coisas com o olhar de um salmista para descortinar tesouros escondidos bem à vista e encontrar serenidade.


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O texto foi escrito inicialmente no "Caderno Azul", mas quis postá-lo aqui. Claro que ele passou por adaptações e perdeu algumas partes mais "confissionais". Certas informações não são para serem de domínio público.

15 janeiro 2010

Uns dias em Bh para o ano começar...


Prometi e vou cumprir. Aqui vai o post sobre o Reveillon. Estar em Bh foi bom demais! Não cumpri a tradição dos anos anteriores, pelo menos não integralmente. Não tomei um vinho na Praça do Papa na primeira madrugada do ano, mas passei por lá sim... Aliás, muito bem acompanhado. Deixei de fazer muita coisa que tinha planejado fazer: não achei um forró para dançar, não fui ao Mercado Central, não comi a crepe de nutella da Raja, não conversei com o Claudião, não fui ao Stadt Jever... Mas em compensação, fiz um monte de outras coisas que me deixaram muito feliz passeio pelo saudoso bairro Santa Tereza, que viu nascer Milton Nascimento, Lô Borges, Skank e tantos outros ícones da musicalidade mineira. Comi queijo canastra. Vi as luzes e a decoração de Natal da Praça da Liberdade (as fotos estão aí). Apresentei meu irmão caçula ao Coyote... Valeu a pena.

Foi bom rever família, antigos confrades da Getsêmani, amigos queridos, parceiras de forró... Foi bom ver o céu de BH, azuzíssimo, depois do toró que despencou do céu nos dois primeiros dias...

Vou ter de guardar essas lembranças com carinho. Acho que volto a Bh somente na semana santa agora. Tenho de colocar a cabeça nos desafios que me apresentam aqui e agora. Que Deus me abençoe nesta fase.

Abraços,

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As fotos foram tiradas no celular... Por isso a qualidade ruim.

13 janeiro 2010

Fica para a próxima..

Já ia começar a postar algo aqui... Mas o dia foi de algumas notícias preocupantes. Tenho cabeça para nada hoje não.

Vou dormir cedo, se conseguir.

Acho que esta é a carta curitibana mais curta que escrevi.

Que Deus me abençoe nos próximos dias. Os que puderem, orem por mim.

Abração

29 dezembro 2009

E assim foi o meu Natal em Curitiba

Talvez este tenha sido o Natal mais peculiar que já tive. Diferente de todos os anteriores, este foi passado longe dos conhecidos e familiares, longe dos cenários e sotaques a que estava acostumado. A única coisa que lembrava os natais passados era uma chuva que caía gostosamente na tarde curitibana. Desde pequeno associei Natal com chuva. Em BH sempre chove nesta época. Não guardo sequer uma lembrança natalina de estiagem, os cheiros da ceia sempre estão misturados em minha memória com o aroma de terra molhada vindo de fora...

Trabalhei na manhã do dia 24. Foi o meio expediente mais longo do ano, mas foi agradável. Já estávamos todos em clima de "Jingle Bell", desempenhando as funções desleixados e com a cabeça longe... Uns pensavam na ceia de logo mais, outros nos presentes. Eu só conseguia pensar na minha cama. Estava louco de sono. Tem feito muito calor por aqui. Um calor abafado, úmido. Durmo mal por causa disso... Aff... Já até acordei no meio da noite só para tomar uma chuveirada. Quando cheguei em casa, estava cansado até para comer. Mastiguei um pedaço de panettoni e cochilei no sofá. Já havia decidido de antemão que só coinharia para o almoço de 25/12. O restante do dia foi gasto entre cochilos, filmes e livros, além de uma boa conversa no Skype com uma querida de Brasília. Na madrugada de 25/12 fui a um forró de Natal. Engraçado este conceito de Forró de Natal. O Natal é uma época de confraternização, de família toda em volta da mesa esperando sua vez de servir, de riso, conversa fiada, amigo secreto e depois cada um caça seu rumo de casa ou quarto. Forró depois da ceia é novidade. Pelas roupas das pessoas nem parecia forró. Os forrozeiros têm um modo bem característico de se vestir: os homens de bermuda ou jeans, camisa de malha, all star no pé. As meninas de vestidinho hippie, de estampas alegres,sandália rasteirinha, flores de pano no cabelo. O público do forró de Natal chegou com roupas bem mais sofisticadas: as mulheres vestidas em comportados vestidos, salto alto, penteados elaborados. Os homens sóbrios em suas calças sociais e camisas de botão. Perfeitos "gentlemen e ladies". Ainda bem que alguns frequentadores habituais apareceram honrando os trajes de costume, como uma trupe alegre de vagabundos boêmios e me deixaram bem mais à vontade para xotear sem inibições. Até conheci duas mineiras por lá. Mas eram mineiras do Norte. A proximidade da Bahia se revelou na fala arrastada, no sotaque de cantora de axé e no suingue gostoso que só a baiana tem. Foi uma delícia dançar com elas. Quase me senti em BH, dançando com a Flavinha no Flashback depois de umas doses de cipó-cravo. No mais, eram as mesmas caras e os mesmo trejeitos no salão. Cheguei em casa exausto. O céu já estava clareando fora da janela. Dormi pouco para levantar e cozinhar. Preparei uma picanha suina assada e molho de cebolas e damascos carameliados para acompanhar. Ficou uma delícia!

O resto do Feriado foi só relaxar: cochilos, filmes, livros, playstation até dar calo no dedão. Eu precisava disso. Estava muito "High speed" nos últimos dias. Estava precisando desacelerar. Até fui ao Menina Zen, um barzinho ótimo no Hugo Lange, acompanhando o Joe. Foi bom estar ali naquele calor tomando algo gelado e ouvindo o apito do trem passando a cada uma hora. Minha mente desestressou um pouco. Agora só ficou a ansiedade de chegar logo em BH. Reveillon estarei lá... Eita dia que não chega!

As novidades são estas.... As demais, devo postar só ano que vem! Feliz 2010 para todos! Que Deus nos dê uma ano de lutas que permitam vitória e crescimento, sem nunca faltar alegria, paz, amor e diversão.

Abração

03 dezembro 2009

Luto

Ontem morreu o Tio Ailton. Lá em Vitória - ES. Soube da notícia através de depoimento no orkut. Meu irmão caçula foi de poucas palavras, bem jornalístico. Faz tempo desde a última vez em que encontrei meu tio. Tenho poucas lembranças dele: algumas da minha infância, meio vagas. Umas poucas de algumas visitas raras que ele nos fez em BH. Meu encontro com ele num carnaval que passei no Espírito Santo e a felicidade estampada em seu rosto ao me ver vestindo uma camisa do Flamengo. Tio Ailton era flamenguista, é uma das poucas certezas que tenho a respeito dele. As memórias mais recentes que carrego, são memórias de doença e tristeza, com cheiro de hospital e pele colada nos ossos. O estranho é que mesmo sendo um personagem tão ausente e distante do enredo principal de minha história, ainda assim saber que ele se foi me causa um aperto no peito e uma dor esquisita. Imagino o que meu pai está sentindo e a sensação fica pior. Meu irmão me adiantou que ele não estava bem. Ouvir a voz dele embargada ao telefone foi só uma confirmação. Meu pai é filho mais velho, como eu. Os primogênitos carregam a bênção e a maldição de assumirem uma postura paterna em relação aos demais irmãos. É algo natural. Talvez fruto do ajudar a cuidar, da troca de fraldas, dos sopetões e alegrias do dia a dia, do ver crescer. Sei que ele está sofrendo porque só de pensar que a morte pode alcançar um dia a Aline , o Daniel ou o Flavinho, sinto uma parte de mim se encolher toda lá no fundo. Definitivamente não fomos criados para morrer. Ser imagem e semelhança do Eterno enche nossa alma com o desejo da eternidade. A morte apesar de ser a certeza mais forte da humanidade, ainda é a mais doída. Oro para que Deus possa consolar meu pai e os demais que terão de conviver mais de perto com a ausência e com as lembranças. Não há muito o que falar. Palavras são sempre inúteis nestas horas. Só Deus mesmo para saber o que dói lá no fundo e aplicar o bálsamo certo para aliviar a dor...

29 novembro 2009

Tempus Fugit...

Os últimos dias foram de correria. A vida anda muito hiperativa deste lado do Brasil. Até minhas últimas sessões na internet foram quase todas por necessidade. Nada de navegar por prazer, fuçar perfis de orkut ou procurar textos interessantes. Só trabalho e obrigação. O texto sobre os pregadores televisivos, por exemplo, foi todo escrito off-line. Para publicá-lo, salvei o arquivo no pen-drive... aí foi só "Plug and Play" e "Ctrl+C / Ctrl+V", bem ao estilo Microsoft. Estava correndo contra o tempo para poder passar o Reveillon em BH. Cheguei a pensar que não conseguiria, mas Deus cuidou de tudo na hora e no jeito Dele. Novembro foi um mês complicado. Eu esperava mais de um mês com primeira parcela de 13ºsalário e restituição de IR, mas só bati minha meta de menor comissão na última semana e a individual (de comissão mais expressiva) no último dia útil... Às vezes é complicado viver um dia de cada vez. É mais fácil confiar na Providência Divina com alguns zeros à direita na conta corrente e algumas "onças-pintadas" no bolso, mas não posso reclamar de nada. Deus tem suprido minhas necessidades e feito as coisas cooperarem para o meu bem.

Terminei de ler o livro: "Porque você não quer mais ir à igreja". Adorei. Sóbrio, crítico e genuíno. Bem que podia ser indicado dos púlpitos no lugar do besteirol que é pregado em alguns círculos. Postarei uma resenha e indicação de leitura, mas talvez demore um pouco... talvez seja só em 2010. Fim de ano é fogo! Voltei a ler Rubem Alves, o livro "O Velho que Acordou Menino". É o registro de memórias do filósofo, teólogo e poeta. Recomendo demais! É uma leitura leve e revigorante. Gosto do Rubem Alves porque acho que os textos dele têm uma atmosfera íntima e descontraída, como se fosse a transcrição de uma conversa entre amigos na varanda de casa. São textos com sabor de sarau e seresta, de uma "mineiridade" sonora e afetiva. Gosto de lê-los em voz alta, acentuando a pontuação, como me ensinou a minha saudosa professora de Teoria da Literatura Marli Fantini. Além do qualidade, Rubem Alves ma cativa também afetivamente. Sinto-me como um menino que escuta escondido a conversa e o riso dos adultos enquanto finje dormir. Estou me deliciando com a leitura.ótimo

Terça feira passada foi dia de minha apresentação na Mostra de Dança do SESC. Teatro lotado. Tremi e suei frio, mas não errei a coreografia. O forró saiu desembolado e natural. Foi divertido. O joe assistiu e me disse que ficou muito bom. Acredito nele. Ele também é dono de uma sinceridade ácida como a minha e me falaria se tivesse sido um desastre. Coincidiu do Sérgio estar aqui em Curitiba e ele me prestigiou com sua presença. Foi ótimo! Depois da apresentação, resolvi umas coisas sérias que tinha a resolver e fomos ao Pata Negra, um restaurante espanhol muito bacana na Praça da Espanha. Estava uma noite agradável, de clima anemo. Foi bom assentar ao ar livre com ele e o Joe e degustar dois bons malbecs argentinos. A Lei Anti Fumo tem me agradado muito. Antes lugares ao ar livre eram quase todos reservados para fumantes, o que é terrível em Curitiba, cidade infestada de tabagistas inveterados. Agora só é permitido fumar numa distância de 3 metros pelo manos dos estabelecimentos. Estou adorando sair à noite sem precisar ficar cuidando para não ser queimado pela brasa de algum fumante, sem levar bufadas de nicotina na cara, nem ver as guimbas nojentas dos cigarros pelo chão. Ah... e é muito bom voltarpara casa sem estar com a roupa defumada. Bendita Lei Anti-Fumo! Tomara que pegue!

Este fim de semana fiquei em casa. Crise de fim de mês. Pouco dinheiro no bolso. Aluguei filmes, li, dormi muito. Talvez eu saia para dar uma volta de bicicleta ou ir a algum parque próximo, mas ainda não sei... Tenho ensaio de forró mais tarde e tenho de ir ao culto também. Tinha planos de cozinhar algo mais elaborado, mas perdi o ânimo. Cozinhar me desestressa... Gosto da alquimia efervecente da comida sendo preparada: os aromas, cores, misturas... Mas a limpeza da casa era minha responsabilidade e acabei me esmerando na faxina e perdendo o tesão para cozinhar.

Semana que vem, na quarta feira (03/11), faz 11 meses desde que cheguei em Curitiba. Mais um mês e completo um ano de residência aqui. O tempo voou. Parece que foi ontem: mala com dois pares de sapatos, uma muda de roupa para entrevista de emprego, outras poucas para o cotidiano, 20 reais no bolso, esperando sair o seguro desemprego... Foi uma loucura, mas não me arrependo. Passei uns apertos, fiz umas besteiras, mas descobri muito a meu respeito e a respeito do mundo. Vi o cuidado do meu Deus para comigo de maneiras surpreententes e misteriosas. Aprendi a fortaleza e a fragilidade de alguns laços de amizade; a diferença entre paixão doentia e amor saudável;e percebi que todos os sinônimos e substitutos para solidão e saudade não descrevem ainda esses sentimentos com perfeição.No dia-a-dia, aprendi a me virar, a montar meus móveis e trocar a resistência de chuveiros... Pode parecer bobagem, mas lavar as próprias roupas e bancar a propria vida muda a cabeça da gente. Curitiba tem significado mudança, crescimento e amadurecimento. Graças a Deus por tudo isso. Entre trancos e barrancos, delícias e martírios, estou aprendendo uma lição fantástica: a da autenticidade.

13 novembro 2009

Sobre caminhos, pensamentos e saudades...

Ontem caminhei um pouco por Curitiba. Não foi uma caminhada esportiva, foi mais uma atividade terapêutica, um passeio para arejar as idéias. Li em algum lugar que é culpa do meu sangue. Parece que indivíduos de sangue tipo B+ precisam de alguma atividade física para relaxar de verdade. Só dormir não funciona. Ficar quieto aumenta a ansiedade e pode até ser motivo de irritação. Não sei se essa teoria louca funciona com todos os meus co-sanguíneos, mas para mim é a perfeita verdade. Sempre gostei de andar para colocar os pensamentos em ordem. Nos meus saudosos tempos de trekking, eu voltava para casa com o corpo esgotado e a cabeça bem mais leve. Em BH, minhas escapadas aconteciam pelo Jaraguá ou pela Lagoa da Pampulha, algumas vezes de bicicleta e outras a pé... Dava uma volta completa na lagoa, depois parava no Mirante do Biguá e ficava olhando o espelho das águas, a Casa de Baile, o Iate Clube, as capivaras nadando... Minha primeira tentativa de escrever um romance foi quase toda concebida à orla da Pampulha. Talvez tenha sido por isso que meus personagens saíram tão belorizontinos, forjei lhes a alma fictícia com o sol escaldante no céu azul sem nuvens da capital mineira, apaziguante os entraves com o vento de montanha no rosto e as linhas de Niemeyer brincando na imaginação. Exceto pelo Museu do Olho no Centro Cívico, há pouco de Niemeyer a ser encontrado aqui em Curitiba. Aliás, as paisagens são outras. Meus itinerários de caminhada são diferentes, em vez do art-decor e do art-nouveau a que eu estou acostumado, as construções são no estilo germânico ou polonês. Telhados pontudos, casinhas de madeira, hortências nos jardins. De vez em quando incluo no roteiro passar pelo bairro São Francisco, um bairro histórico que me lembra muito BH, com pequenas ladeiras e casas antigas. Me dá a impressão de estar caminhando perto da Igreja do Ozanan (no Ipiranga) em Belo Horizonte. É uma sensação gostosa! Quando estou disposto a andar um pouco mais, sigo a ciclovia até o Parque São Lourenço, para caminhar em volta do pequeno lago ou ver a piazada descer de carrinho de rolimã. Ou sigo até o Bosque Alemão e refaço a trilha de Joãozinho e Maria pela enésima vez, relendo os murais calmamente. Ontem não era um dia em que eu estava disposto a andar muito. E, mesmo se fosse, eu não dispunha de tempo suficiente para fazer o percurso todo. Resolvi caminhar porque estava cansado do trabalho e o fim de tarde estava tão agradável e convidativo que não pude resistir... Deixei minhas pernas me levarem. Não podia ir muito longe porque tinha um compromisso na rua Dr. Pedrosa. Caminhei por lugares pelos quais eu costumava passar mais quando era turista em Curitiba: subi a Comendador Araújo, passei pelo Shopping Cristal, voltei pela Batel, comi uma torta numa Confeitaria Holandesa que eu costumava visitar sempre que vinha a Curitiba... Foi bacana perambular por esses lugares, estavam cheios de lembranças de uma outra vida quase esquecida. Caminhava com a mente dividida entre o agora e o que já foi, olhando feito um sonâmbulo os prédios, as flores, as vitrines, as pessoas. Até que encontrei conhecidos que te tiraram um pouco do meu estado subjetivo... Acho engraçado quando encontro pessoas conhecidas aqui. Em BH é normal. Aonde quer que eu vá eu acho alguém conhecido: shopping, igreja, forró e até no meio da Savassi ou no Centro. O Claudinho até costumava me zoar dizendo que eu deveria seguir carreira política. Em Curitiba ainda não é assim, mas já não sou um completo anônimo. Já há sorrisos e abraços inesperados que me reconhecem em alguns lugares por onde passo. É bom ser assim. Significa que aos poucos estou conquistando meu espaço aqui, me adaptando e sentindo mais em casa. Já sei dar orientações a pessoas perdidas e dicas gastronômicas. Conheço os trechos a serem evitados em certas horas da noite. Sei de boas opções de lugares para comer, dançar, namorar. Onde se compra barato e onde se paga caro. Não conheço Curitiba ainda com a mesma familiaridade com que conheço BH, mas progredi bastante... Só não quero e nem vou me transformar em curitibano, meu coração é orgulhosamente mineiro demais para isso. Meu paladar, gosto, hospitalidade, meu suingue e jeito de ver o mundo e as pessoas ainda conservam o sotaque e os valores que não quero perder.

Depois de andar, compareci ao compromisso que tinha e voltei para casa já quase meia noite. Atravessei a Praça Ozório com suas árvores altas e sombrias. Passei pela Boca Maldita e vi o calçadão da XV estendido à minha frente com suas fileiras de postes pálidos. Lembro de quando as luzes eram avermelhadas, eram muito mais belas. A noite parecia um velho filme romântico. Agora tudo me parece frio demais, muito “escritório de orgão público”. A troca da tonalidade das lâmpadas fez a Rua das Flores perder uma parte significativa do seu charme. Até o céu é um pouco menos alaranjado do que era antigamente, pois há poucas luzes avermelhadas para serem difundidas na neblina baixa. Passei pelo Palácio Avenida e vi que os preparativos para o Natal já começaram. Em 2005 passei o ano inteiro com um calendário na carteira onde se via uma foto do Palácio Avenida enfeitado com as luzes de Natal. Este ano verei pessoalmente como ele ficará. Vou poder tirar fotos, colecionar lembranças e contar depois para quem não viu. Por outro lado, estou morrendo de curiosidade para saber como a Praça da Liberdade em BH ficará iluminada. Será que as fontes ganharão luzes novamente? Será que as palmeiras imperiais terão enormes bolas luminosas pendendo? Como será? E no fim do ano? Será que terá show na Lagoa da Pampulha com o César Menotti e Fabiano e Skank de novo? Não sei... Sei que é gostoso viver esta experiência. Transitar entre dois mundos e aprender a amar o melhor de cada mim.

Fico por aqui... Tinha feito um pacto comigo mesmo que passaria um tempo sentindo e pensando mais as coisas do que escrevendo e já cumpri o que havia estabelecido. Acho que agora voltarei a ser mais freqüente em minhas postagens.

Saudades de todos e continuem orando por mim. Deus tem cuidado de mim e continua no controle, mas orações nunca são demais...

Abração,

07 novembro 2009

Sinal de fumaça...

Vou escrever um pouco para responder e apaziguar os emails que tenho recebido. Tenho estado meio ausente da net mesmo. Nem é falta de tempo, é falta de vontade... Estou dividindo meu tempo livre entre caminhadas por Curitiba, assistir a filmes, dançar forró e dança de salão, ir à igreja e ler bons livros. Atualmente estou lendo "Por que você não quer ir mais à igreja" e tenho gostado muito. Muitos questionamentos e observações do autor já me passaram pela cabeça um monte de vezes. Simultaneamente estou lendo "A maldição do Cristo Genérico", um livro sobre teologia (refletir sobre Deus) e espiritualidade (relacionar-se com Deus). O livro é ótimo, mas é daqueles que a gente tem de ler ruminando... digerindo parte por parte... sentindo as palavras abrindo umas feridas e curando umas mazelas. Ele incomoda ao mesmo tempo que fascina.

A vida em Curitiba está corrida neste fim de ano... Estou trabalhando um monte. Se não tiver meus momentos de ócio é certo que chegarei à loucura. Trazer o playstation de BH foi uma boa coisa, tem me ajudado muito a deixar a cabeça mais tranquila.

Bom... é isso. Fiquem tranquilos que por aqui, apesar do calor insuportável, está tudo bem. Meu Deus tem suprido minhas necessidades e cuidado de mim... Tudo continua seguindo o plano Dele e é isso que importa.

Vou tentar postar mais coisas esses dias...

Abração

05 outubro 2009

Fim de semana...

Fim de semana é para cansar o corpo e descansar a mente, mas acho que tenho levado isso muito ao pé da letra. Vou dormir um pouco mais esta semana para compensar. Sei que cada noite não dormida é uma noite que se perdeu para sempre, mas minha consciência ao menos fica tranquila... Estou com uma gripe bem persistente, desconfio que a persistência do vírus se deve ao fato de eu não estar ficando muito parado. De segunda a sexta é trabalho, caminhada, dança... Nos fins de semana é igreja,feirinha, boteco, forró, mercado, parques... Tenho de criar um pouco de juízo e ficar em casa quietinho, curtindo preguiça, "in slow motion", minha vida está muito "high speed" ultimamente. Junte a essa vida corrida esse clima maluco daqui: manhãs cinzentas e frias que ficam quentes como o inferno ao longo do dia para serem esfriadas com chuva à noite e neblina nas madrugadas. Acho que meu corpo ainda não se adaptou. Em geral eu sou forte como os vasos ruins que nunca se quebram, mas desta vez estou demorando muito a me curar... Estou precisando a voltar a praticar com afinco os hábitos saudáveis que adquiri aqui: a ingestão de saladas e as noites bem dormidas. Hoje até dei uma melhorada na minha dieta e consumi um prato bem colorido! Quanto às noites, algumas preocupações estão me tirando o sono... Mas Deus há de me dar o descanso de um passarinho.

Fim de semana foi muito bom! Sexta não fui à aula de Samba de Gafieira porque passei no Café do Teatro com a Carla e a Helen e acabei ficando por mais tempo do que havia planejado, mas o papo estava tão bom que perdi a noção do tempo... Sábado acordei cedo para trabalhar, mas trabalhei com a sensação boa de saber que sábado que vem estarei de folga em BH. A Manhã passou tão ligeira que nem percebi. Almocei no Taisho com a Karine, a Nayara e o Joe. Tinha tempo que não comia comida japonesa, foi delicioso. De lá, Joe foi experimentar ternos para uma festa e eu e as meninas fomos para a aula de dança de salão. Depois da aula fomos a uma trufaria na Dr Faivre, bem em frente ao Apto do Joe. Putz... acho que lá estão as melhores trufas de Curitiba! Uma delícia! O recheio é gelado! Adorei! Perfeitas! Saí de lá e percorri 3 shoppings (Muller, Curitiba e Estação) até achar o presente da Gi. O pior é que acabei dando um presente que já havia dado há uns 3 ou 4 anos atrás... Estou ficando velho mesmo, aff. Velho e esquecido! Ninguém merece!

À noite foi o niver da Gi no Armazém Tavares. Ela estava linda demais! Fiz questão de dizer isso a ela. Elogios são para serem ditos, ainda mais quando são sinceros. Era engraçado ver os olhares dos homens das outras mesas cada vez que ela se levantava da mesa. Minha amiga estava de parar a noite. Foi uma comemoração bacana, com direito a chapeuzinho de "Meninas Super poderosas" e tudo. O lugar é show e a companhia estava bacana. Foi ótimo também rever a Aninha depois de tanto tempo. Minha última lembrança dela era da gente tomando alguma coisa pegando fogo no Vilarigno lá pelos idos de 2004 ou 2005... Depois disso ela foi pra Londres. Foi bom revê-la bem, linda e radiante. Quando saí de lá, tinha planos de ir assistir a um show dos Decompositores, mas o Joe dormiu demais por conta de uma dor de cabeça e acabei indo para o Calamengau... Forrozeiro é assim: é só uma desculpa e já está no no xote. Saí de lá já eram quase 5 da manhã. As ruas enevoadas, como de costume e um frio que me fez arrepender de não ter levado blusa. O Domingo foi quase todo para ensaios da apresentação de forró. Á noite fui ao culto e depois assiti a um filme em casa... Nada demais.

A semana será dura, pelo que já vi... Estou me adaptando ainda à nova função e a cobrança está marcante. Que Deus possa me dar aptidão e graça, sei que só cheguei onde estou por causa Dele e que minha permanência depende inteiramente da misericórdia divina. Orem para que Ele me capacite e me dê a desenvoltura e paciência de que vou precisar...

Sábado estarei aí... talvez dar uma volta na Pampulha, sentar na Savassi, dançar um forrozinho nos braços de uma mineira. Tomara que dê tempo de tudo!