Para se preparar uma boa salada, segundo os romanos, é preciso quatro pessoas:
- um avarento para colocar o vinagre,
- um perdulário para colocar o azeite,
- um sábio para dosar os temperos,
- um louco para misturar tudo.
Ou seja: pouco vinagre, muito azeite, temperos bem equilibrados e tudo muito bem misturado...
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23 maio 2011
09 julho 2010
Não foi esta vez...
O hexa postergado...
Acho que foi o Millor Fernandes quem disse que “Quando conseguimos sorrir depois de algo dar errado é porque já sabemos em quem colocar a culpa.” Perdemos a Copa. O normal é jogar a culpa no técnico, mas nem vou perder tempo com isso. Nunca confiei na seleção do Dunga. Não entendo muita coisa de futebol, mas simplesmente não me convenci. Lembro da Copa de 94. A emoção de Bebeto e Romário em campo. Futebol arte. Dribles desconcertantes. A emoção e o sofrimento de torcer pelo Brasil. Esta Copa estava muito sem graça. Jogos medíocres. Ao serem perguntados sobre o chamado “Black Pack” – o uniforme negro – da seleção, dizem que os designers se justificaram alegando que o negro não fazia parte das cores oficiais do Brasil, mas foi escolhido porque a seleção brasileira era “a mais temida do mundo”. Infelizmente, foi um temor mais por conta do marketing do que da realidade. Acho que o Brasil só jogou como Brasil mesmo contra o Chile e mesmo assim não foi lá essas coisas... Arrogantemente acreditamos ter o melhor futebol do mundo e nem nos demos ao luxo de conferir se era mesmo assim ou não. Melhor mesmo ter acabado logo. Melhor ser eliminado com uma laranjada mecânica do que com um chocolate argentino. Pelo menos tivemos o prazer de ver os hermanos voltando para casa chorando também... Que venha 2014, mas tomara que os saltos altos da arrogância fiquem perdidos lá na África...
Acho que foi o Millor Fernandes quem disse que “Quando conseguimos sorrir depois de algo dar errado é porque já sabemos em quem colocar a culpa.” Perdemos a Copa. O normal é jogar a culpa no técnico, mas nem vou perder tempo com isso. Nunca confiei na seleção do Dunga. Não entendo muita coisa de futebol, mas simplesmente não me convenci. Lembro da Copa de 94. A emoção de Bebeto e Romário em campo. Futebol arte. Dribles desconcertantes. A emoção e o sofrimento de torcer pelo Brasil. Esta Copa estava muito sem graça. Jogos medíocres. Ao serem perguntados sobre o chamado “Black Pack” – o uniforme negro – da seleção, dizem que os designers se justificaram alegando que o negro não fazia parte das cores oficiais do Brasil, mas foi escolhido porque a seleção brasileira era “a mais temida do mundo”. Infelizmente, foi um temor mais por conta do marketing do que da realidade. Acho que o Brasil só jogou como Brasil mesmo contra o Chile e mesmo assim não foi lá essas coisas... Arrogantemente acreditamos ter o melhor futebol do mundo e nem nos demos ao luxo de conferir se era mesmo assim ou não. Melhor mesmo ter acabado logo. Melhor ser eliminado com uma laranjada mecânica do que com um chocolate argentino. Pelo menos tivemos o prazer de ver os hermanos voltando para casa chorando também... Que venha 2014, mas tomara que os saltos altos da arrogância fiquem perdidos lá na África...
25 junho 2010
As Faces do Amor
“Meu coração bate mais forte que o seu
Quando eu te vejo, mas quando eu vejo você
Será que é amor? Não sei.
Será que é paixão? Talvez.
Só sei que é bom demais
Aqui tá bom, só falta você
Aqui tá bom, só falta você
Aqui tá bom, só falta você
Você... você, meu bem querer.”
(Música: Forró & Paixão. Trio Virgulino. Composição: Carlinhos Axé e Gonzaguinha do Baião)
O que é o Amor? Com a proximidade do Dia dos Namorados, corações brotam em todos os lugares, parece que o mundo inteiro descobre-se apaixonado neste período. Até quem não tem uma pessoa querida dá um jeito para não passar a data sozinho. Mas será que o amor é mesmo como a mídia anuncia? Será que se resume somente a cartões, presentes, jantares, olhares e noites no motel? Não. Um amor assim seria ordinário demais. Soa mais como uma tendência de mercado do que como algo sublime. Antes de tudo, tenho comigo que o amor segue uma progressão linear. Nasce e vai se desenvolvendo devagar, vai se aprendendo aos poucos. Manhã após manhã. Noite após noite. Requer trabalho. Um passo de cada vez. Não é algo que acontece de repente, explosivo, exponencial. Essa idéia de amor como um sentimento avassalador que nasce do nada me parece mais uma invenção louca da nossa geração “fast food” do que amor de verdade. Pode até ser que a faísca inicial venha no primeiro olhar, mas manter a chama acesa é uma tarefa diária. Amar é algo que leva tempo. Não é como uma gripe que se denuncia ao acordar espirrando ou com o corpo doendo. O Amor é outra coisa, algo mais sutil. Apesar de ser um dos grandes fãs de Vinicius de Morais e saber de cor o “Soneto de Fidelidade”, confesso que me decepcionei ao assistir o filme com a biografia do poeta. Antes eu o imaginava como uma espécie de “guru do amor”, uma dessas almas privilegiadas que sentem e vivenciam o sentimento em toda sua intensidade e beleza, mas acabei convencido que apesar de ter colecionado vários “amores”, talvez o poeta nunca tenha experimentado o Amor. Ele se casou 9 vezes. Apaixonava-se com freqüência, mas deixava a faísca ir embora com a mesma rapidez que surgia. À primeira dificuldade mais trabalhosa, começava a procurar uma nova centelha no olhar de outra mulher. Embora tenha deixado muita coisa bonita escrita a respeito do Amor, pode ser que tudo tenha sido fruto daquela característica própria dos poetas, a de ser um fingidor...
Uns dizem que amar é o pensamento constante. É querer a pessoa querida sempre ao lado. Mas o amor delicia-se também na saudade. Cresce na ausência. Persiste quando ninguém está vigiando ou esperando nada dele. Transcende. Querer ardente e simplesmente a presença de quem se ama não é amor. Pode ser até obsessão. Obsessão é um pensamento fixo, recorrente, intrusivo, absurdo. Não conhece limites. A obsessão transforma o objeto de afeição a um mero item colecionável. O colecionador deleita-se em estar com seus artigos da coleção, alegra-se com eles, se diverte, dá-lhes um valor muitas vezes inexplicável, mas não lhes dá liberdade. Cada coleção é uma prisão específica. O filatelista tem seus plásticos e pastas catálogos. O entomologista tem suas caixas de madeira com os insetos espetados. Um colecionador de pássaros terá suas gaiolas. E assim vai... Tente retirar um só item de uma coleção qualquer e vai ver só a reação de seu dono! A obsessão é um sentimento egoísta de posse. Quer só para si. Imutável. Escravo. O Amor deixa a porta aberta. Sabe que quem tem sua afeição é uma pessoa e não um objeto. E pessoas têm vontades, poderes, sentimentos, escolhas próprias. Rubem Alves fala, muito certo, que "amar é ter um pássaro pousado no dedo, e quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar". O Amor sabe que nem sempre as preferências vão ser coincidentes, que pessoas crescem, mudam de idéia e de gostos. O Amor respeita as escolhas e mudanças. Nos evangelhos lemos que uma vez Jesus curou um cego, mas ao perguntar como ele estava vendo, recebeu a resposta: "Vejo homens como árvores." Para um cego que passou toda a vida na escuridão, alguma visão já era grande coisa. Jesus não se contentou. Restaurou a visão daquele homem totalmente. É Seu desejo que sejamos plenos. Quem enxerga as pessoas como árvores, vê seu próximo como uma coisa, não como a Imagem e Semelhança de Deus. Qualquer tipo de falsa afeição confundida com amor é assim também: é uma visão embaçada, envolvida em sombras. Rouba a liberdade e beleza das pessoas. Dá a ilusão de que o outro está lá: plantado como árvore. Estático. Não muda nunca. E pode (inclusive) até ser podado, se sua forma não nos agrada ou mesmo derrubado por nossa vontade, se estiver fora do plano que traçamos inicialmente.
Há outros ainda, e estes são numerosos, que acreditam que amor é sinônimo de sofrimento e dor. Os poetas românticos alemães pensavam assim. Seu ponto de vista influenciou toda uma geração na Europa e no mundo. Até aqui no Brasil. Álvares de Azevedo, por exemplo, acreditou piamente neles e deixou vários escritos comprovando isso. Morreu com vinte e poucos anos, tísico, alma amarga e sofrida e, se não me engano, sem nunca ter dado um beijo na boca. O romantismo acreditava no amor de forma idealizada e inalcançável, por isso tanto sofrimento. Mas isso não é Amor, é paixão. A Paixão arde no peito como uma ferida latejante. Tem acessos de febre, cólera e desejo como qualquer outra enfermidade. Isso mesmo, a paixão é uma espécie de doença. Um estado não saudável da alma. Tudo é motivo de sofrimento: a ausência dói, a presença machuca, a possibilidade da perda cria mil ilusões contraditórias e acaba virando ciúmes. A paixão é desequilíbrio. Segundo a mitologia grega, a Paixão é fruto de uma traição: foi da união ilegítima do deus da guerra Ares com sua cunhada (a deusa do Amor Afrodite) que foi gerado o Cupido, o pequeno deus alado com arco e flechas que sempre aparece em cartões amorosos. Era assim que os gregos explicavam as contradições e conflitos da paixão. Mas o Amor é outra coisa.
O que é o Amor afinal? A. W. Tozer faz distinção entre dois tipos de amor: o amor-sentimento, que o homem não controla e que brota ou esvai da alma como lhe apraz e o amor-vontade, que é uma escolha deliberada do ser humano. Quando a Bíblia fala que devemos amar a Deus e ao próximo, não está falando sobre o amor-sentimento, mas sobre o amor-vontade. Não há como um ser moral amar obrigado. Ninguém pode forçar um sentimento, mas pode querer agir de forma favorável ou prejudicial a alguém. O amor bíblico é sempre caracterizado como um amor de ação, de movimento, é ir além do que se espera, dar a túnica a quem pedir a capa, andar duas milhas a quem pedir uma. Orar abençoando quem deveríamos logicamente pedir a cabeça... Vale lembrar o versículo mais conhecido dos evangelistas "Porque Deus AMOU o mundo de tal maneira que DEU o seu Filho" (João 3:16). É o Amor que se define pela capacidade de dar, pela entrega. Não há como amar pela metade, ou com restrições. Ou se ama por inteiro ou não se ama. É uma escolha de posição: estar favorável ou contra. Sem neutralidades.
Talvez a passagem bíblica mais famosa sobre o amor seja o capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos coríntios: “Ainda que eu falasse a língua dos anjos e dos homens, se não tivesse amor, seria como o sino que soa ou como o prato de retine” (1 Coríntios 13:1 - NVI). Os versos se tornaram populares, o contexto em que foram escritos não. A igreja de Corinto estava com problemas de divisões, uns falavam que eram de Apolo, outros de Pedro, outros de Cristo. Se fosse hoje, talvez falassem que eram da igreja do bispo sicrano que comprou o cinema ou do apóstolo fulano que fala no canal tal. Mudam os nomes, mas a questão é sempre a mesma: gente dentro do Reino de Deus querendo estabelecer seu próprio reinado. Como se não bastassem as divisões, havia também imoralidade na igreja de Corinto. Uma imoralidade tão descarada que Paulo afirma que nem entre os pagãos se via aquilo (1 Co 5:1). Fico pensando no que era normal para a época: o paganismo aceitava muita coisa. Havia vestais, prostitutas rituais de cultos greco-romanos que iniciavam seu ofício ainda crianças e serviam sexualmente nos templos para uma multidão de peregrinos. Havia as orgias e liberalidade dos bacanais, festivais públicos oferecidos ao deus do vinho. A política era discutida muitas vezes na cama ou banhos públicos, pois muitos senadores e até imperadores (a exemplo de César no Egito) usavam o sexo como meio diplomático. O filme "Proposta Indecente", em que Michael Douglas paga uma bolada para transar com a linda Demi Moore foi polêmico quando saiu no cinema, mas não causaria nenhuma comoção se tivesse sido exibido na Roma Antiga. Era comum oferecer a esposa, a filha, ou até o filho para ser usado sexualmente se a família pudesse ser favorecida de alguma forma através daquele ato. E ainda assim, em meio a tudo isso, Paulo fala que dentro da igreja as coisas estavam piores... Talvez ele dissesse a mesma coisa se conhecesse nossas igrejas hoje. Em suas duas cartas aos coríntios, ele trata das divisões, da imoralidade, do casamento e também de assuntos litúrgicos como adoração e celebração da ceia. Mas me chamou a atenção o apóstolo ter reservado todo um capítulo para falar de amor para aquela igreja depravada. Hoje ainda é relevante essa preocupação, pois nossos conceitos de amor estão desgastados e literais. Como na igreja de Corinto, ainda há entre nós os que usam o Reino como pretexto para autopromoção, os que gostam de divisões, os que estão afundados em sua própria podridão, e os que sacralizaram tanto o Amor que o tornaram mais um conceito religioso vazio e alienado... É necessário lembrar o que é o verdadeiro amor.
O grego koiné* possui três palavras para descrever o que o português traduz como amor: Ágape, Eros e Phileo. O grego clássico (erudito) ainda tem a variante Storge. O amor Ágape é o amor-vontade de Tozer. Embora o senso comum cristão o impute a Deus, não é exclusividade divina, mas pode e deve ser encontrado entre humanos também. O amor descrito em 1 Coríntios 13 é essencialmente “ágape”. É um amor caracterizado pelo querer e pelo agir mais do que pelo sentir. É o amor que se sacrifica pelo amado sem pedir nada em troca. “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (vs 4-7, ARA). As versões católicas geralmente o traduzem por caridade. Particularmente rejeito a tradução “caridade” pela confusão que o filantropismo e a religião fazem com expressões como “obra de caridade” (geralmente mais como sinônimo de “esmola” do que como “ato de amor”) e também pela impressão que caridade é mais próxima etimologicamente do grego “Xaris” (ou Charis, que significa “presente” ou “graça”), do que de qualquer verbete original de Amor. A segunda palavra grega para amor é Eros e traduz a paixão carnal, o desejo. É o tipo de amor que se relaciona mais ao corpo do que com qualquer outro componente do ser humano. Não é à toa que a palavra “erotismo” e “erótico” encontram sua origem etimológica em Eros. Embora alguns insistam que este é o amor pecaminoso, isso é um engano. O sexo é uma bênção de Deus e já estava implícito na ordem divina de Genesis 1:28 “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra (…)” (ARA), antes que entrasse o pecado no mundo. Como indício de que é uma bênção do Criador vejo também o fato de que o homem talvez seja o único ser criado que pratica o sexo não somente com a finalidade de procriar, mas por prazer. Animais copulam, se acasalam, o homem faz amor. Deus poderia ter nos criado também com períodos de cio e acasalamento, mas quis que usássemos nosso livre arbítrio para decidir onde, quando e com quem faremos sexo ou não. Embora seja inegável a existência dos períodos férteis e nossa suscetibilidade à influência hormonal, não somos escravos de nossos instintos animais. O ultimo tipo de Amor encontrado no grego Koiné é o Phileo, o amor de companheirismo, de amizade e cumplicidade. O amor Phileo indica o desejo e empenho em se estar junto, é o amor da caminhada diária, da companhia. Ser companheiro (de “con pane” + sufixo “eiro”) é partilhar do mesmo pão durante uma jornada. Phileo serve de raiz para algumas palavras portuguesas sempre carregando um sentido de “gostar muito de” ou “ser amigo de” como, por exemplo, filantropo (“amigo do homem ou da humanidade”) e filósofo (“amigo da sabedoria”) dentre outras. Finalmente, o amor Storge, do grego clássico, é o amor romântico, emocional por excelência, platônico ou não. É o querer bem como mais do que uma amizade apenas e dispensa maiores comentários já que é encontrado vastamente na literatura e cinema.
Qual desses é o amor “certo” então? Seria um reducionismo barato dizer que a alma humana em toda a sua bela complexidade pode nutrir somente um tipo de amor. Talvez a faísca inicial de tudo seja o Storge... Aquela sensação de possibilidade que enche o peito de esperança e expectativa. O Storge, evoluindo, vai se lapidando como uma pedra preciosa e adquirindo faces dos outros tipos de amor. Paulo fala que o marido deve amar a esposa como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25), isso é amor Ágape. É algo sério! É estar disposto a dar a própria vida pela mulher. Acho até que isso serve como base para afirmar que um relacionamento com maior chance de sucesso é aquele em que o homem ama muito mais do que a mulher. O coração masculino talvez careça de mais loucura no amor para derreter do que o feminino. O apóstolo também deixa claro que o corpo do homem pertencerá à sua mulher e vice versa (1 Coríntios 7:2-4), esse amor do corpo é Eros e pede que nem o marido nem a esposa abandone um ao outro (1 Coríntios 7:10), isso é Phileo. Assim, um amor sadio, belo e delicioso é a combinação de todos esses tipos em um só de forma equilibrada. Qualquer exagero em um dos tipos pode acabar em sofrimento e inconvenientes...
As profecias desaparecerão. As línguas acabarão e a ciência passará, mas o amor jamais acaba... (1 Coríntios 13:8 – tradução própria direto do grego).
NOTAS:
*O grego koiné ou grego comum foi imposto por Alexandre, o Grande, como língua oficial do império grego de uso obrigatório aos povos conquistados. Era uma versão simplificada, visando priorizar a comunicação oral, desprovida de muitas regras gramaticais que regiam o grego clássico, no qual escreveram os grandes filósofos. Os textos bíblicos do período intertestamentário e do Novo Testamento, em sua maioria, são escritos neste dialeto.
ABREVIATURAS:
Versões da Bíblia:
ARA – Almeida Revista e Atualizada
NVI - Nova Versão Internacional
TAGS:
AMOR , PAIXÃO, AGAPE, EROS, PHILEO, DIA DOS NAMORADOS
Quando eu te vejo, mas quando eu vejo você
Será que é amor? Não sei.
Será que é paixão? Talvez.
Só sei que é bom demais
Aqui tá bom, só falta você
Aqui tá bom, só falta você
Aqui tá bom, só falta você
Você... você, meu bem querer.”
(Música: Forró & Paixão. Trio Virgulino. Composição: Carlinhos Axé e Gonzaguinha do Baião)
O que é o Amor? Com a proximidade do Dia dos Namorados, corações brotam em todos os lugares, parece que o mundo inteiro descobre-se apaixonado neste período. Até quem não tem uma pessoa querida dá um jeito para não passar a data sozinho. Mas será que o amor é mesmo como a mídia anuncia? Será que se resume somente a cartões, presentes, jantares, olhares e noites no motel? Não. Um amor assim seria ordinário demais. Soa mais como uma tendência de mercado do que como algo sublime. Antes de tudo, tenho comigo que o amor segue uma progressão linear. Nasce e vai se desenvolvendo devagar, vai se aprendendo aos poucos. Manhã após manhã. Noite após noite. Requer trabalho. Um passo de cada vez. Não é algo que acontece de repente, explosivo, exponencial. Essa idéia de amor como um sentimento avassalador que nasce do nada me parece mais uma invenção louca da nossa geração “fast food” do que amor de verdade. Pode até ser que a faísca inicial venha no primeiro olhar, mas manter a chama acesa é uma tarefa diária. Amar é algo que leva tempo. Não é como uma gripe que se denuncia ao acordar espirrando ou com o corpo doendo. O Amor é outra coisa, algo mais sutil. Apesar de ser um dos grandes fãs de Vinicius de Morais e saber de cor o “Soneto de Fidelidade”, confesso que me decepcionei ao assistir o filme com a biografia do poeta. Antes eu o imaginava como uma espécie de “guru do amor”, uma dessas almas privilegiadas que sentem e vivenciam o sentimento em toda sua intensidade e beleza, mas acabei convencido que apesar de ter colecionado vários “amores”, talvez o poeta nunca tenha experimentado o Amor. Ele se casou 9 vezes. Apaixonava-se com freqüência, mas deixava a faísca ir embora com a mesma rapidez que surgia. À primeira dificuldade mais trabalhosa, começava a procurar uma nova centelha no olhar de outra mulher. Embora tenha deixado muita coisa bonita escrita a respeito do Amor, pode ser que tudo tenha sido fruto daquela característica própria dos poetas, a de ser um fingidor...
Uns dizem que amar é o pensamento constante. É querer a pessoa querida sempre ao lado. Mas o amor delicia-se também na saudade. Cresce na ausência. Persiste quando ninguém está vigiando ou esperando nada dele. Transcende. Querer ardente e simplesmente a presença de quem se ama não é amor. Pode ser até obsessão. Obsessão é um pensamento fixo, recorrente, intrusivo, absurdo. Não conhece limites. A obsessão transforma o objeto de afeição a um mero item colecionável. O colecionador deleita-se em estar com seus artigos da coleção, alegra-se com eles, se diverte, dá-lhes um valor muitas vezes inexplicável, mas não lhes dá liberdade. Cada coleção é uma prisão específica. O filatelista tem seus plásticos e pastas catálogos. O entomologista tem suas caixas de madeira com os insetos espetados. Um colecionador de pássaros terá suas gaiolas. E assim vai... Tente retirar um só item de uma coleção qualquer e vai ver só a reação de seu dono! A obsessão é um sentimento egoísta de posse. Quer só para si. Imutável. Escravo. O Amor deixa a porta aberta. Sabe que quem tem sua afeição é uma pessoa e não um objeto. E pessoas têm vontades, poderes, sentimentos, escolhas próprias. Rubem Alves fala, muito certo, que "amar é ter um pássaro pousado no dedo, e quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar". O Amor sabe que nem sempre as preferências vão ser coincidentes, que pessoas crescem, mudam de idéia e de gostos. O Amor respeita as escolhas e mudanças. Nos evangelhos lemos que uma vez Jesus curou um cego, mas ao perguntar como ele estava vendo, recebeu a resposta: "Vejo homens como árvores." Para um cego que passou toda a vida na escuridão, alguma visão já era grande coisa. Jesus não se contentou. Restaurou a visão daquele homem totalmente. É Seu desejo que sejamos plenos. Quem enxerga as pessoas como árvores, vê seu próximo como uma coisa, não como a Imagem e Semelhança de Deus. Qualquer tipo de falsa afeição confundida com amor é assim também: é uma visão embaçada, envolvida em sombras. Rouba a liberdade e beleza das pessoas. Dá a ilusão de que o outro está lá: plantado como árvore. Estático. Não muda nunca. E pode (inclusive) até ser podado, se sua forma não nos agrada ou mesmo derrubado por nossa vontade, se estiver fora do plano que traçamos inicialmente.
Há outros ainda, e estes são numerosos, que acreditam que amor é sinônimo de sofrimento e dor. Os poetas românticos alemães pensavam assim. Seu ponto de vista influenciou toda uma geração na Europa e no mundo. Até aqui no Brasil. Álvares de Azevedo, por exemplo, acreditou piamente neles e deixou vários escritos comprovando isso. Morreu com vinte e poucos anos, tísico, alma amarga e sofrida e, se não me engano, sem nunca ter dado um beijo na boca. O romantismo acreditava no amor de forma idealizada e inalcançável, por isso tanto sofrimento. Mas isso não é Amor, é paixão. A Paixão arde no peito como uma ferida latejante. Tem acessos de febre, cólera e desejo como qualquer outra enfermidade. Isso mesmo, a paixão é uma espécie de doença. Um estado não saudável da alma. Tudo é motivo de sofrimento: a ausência dói, a presença machuca, a possibilidade da perda cria mil ilusões contraditórias e acaba virando ciúmes. A paixão é desequilíbrio. Segundo a mitologia grega, a Paixão é fruto de uma traição: foi da união ilegítima do deus da guerra Ares com sua cunhada (a deusa do Amor Afrodite) que foi gerado o Cupido, o pequeno deus alado com arco e flechas que sempre aparece em cartões amorosos. Era assim que os gregos explicavam as contradições e conflitos da paixão. Mas o Amor é outra coisa.
O que é o Amor afinal? A. W. Tozer faz distinção entre dois tipos de amor: o amor-sentimento, que o homem não controla e que brota ou esvai da alma como lhe apraz e o amor-vontade, que é uma escolha deliberada do ser humano. Quando a Bíblia fala que devemos amar a Deus e ao próximo, não está falando sobre o amor-sentimento, mas sobre o amor-vontade. Não há como um ser moral amar obrigado. Ninguém pode forçar um sentimento, mas pode querer agir de forma favorável ou prejudicial a alguém. O amor bíblico é sempre caracterizado como um amor de ação, de movimento, é ir além do que se espera, dar a túnica a quem pedir a capa, andar duas milhas a quem pedir uma. Orar abençoando quem deveríamos logicamente pedir a cabeça... Vale lembrar o versículo mais conhecido dos evangelistas "Porque Deus AMOU o mundo de tal maneira que DEU o seu Filho" (João 3:16). É o Amor que se define pela capacidade de dar, pela entrega. Não há como amar pela metade, ou com restrições. Ou se ama por inteiro ou não se ama. É uma escolha de posição: estar favorável ou contra. Sem neutralidades.
Talvez a passagem bíblica mais famosa sobre o amor seja o capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos coríntios: “Ainda que eu falasse a língua dos anjos e dos homens, se não tivesse amor, seria como o sino que soa ou como o prato de retine” (1 Coríntios 13:1 - NVI). Os versos se tornaram populares, o contexto em que foram escritos não. A igreja de Corinto estava com problemas de divisões, uns falavam que eram de Apolo, outros de Pedro, outros de Cristo. Se fosse hoje, talvez falassem que eram da igreja do bispo sicrano que comprou o cinema ou do apóstolo fulano que fala no canal tal. Mudam os nomes, mas a questão é sempre a mesma: gente dentro do Reino de Deus querendo estabelecer seu próprio reinado. Como se não bastassem as divisões, havia também imoralidade na igreja de Corinto. Uma imoralidade tão descarada que Paulo afirma que nem entre os pagãos se via aquilo (1 Co 5:1). Fico pensando no que era normal para a época: o paganismo aceitava muita coisa. Havia vestais, prostitutas rituais de cultos greco-romanos que iniciavam seu ofício ainda crianças e serviam sexualmente nos templos para uma multidão de peregrinos. Havia as orgias e liberalidade dos bacanais, festivais públicos oferecidos ao deus do vinho. A política era discutida muitas vezes na cama ou banhos públicos, pois muitos senadores e até imperadores (a exemplo de César no Egito) usavam o sexo como meio diplomático. O filme "Proposta Indecente", em que Michael Douglas paga uma bolada para transar com a linda Demi Moore foi polêmico quando saiu no cinema, mas não causaria nenhuma comoção se tivesse sido exibido na Roma Antiga. Era comum oferecer a esposa, a filha, ou até o filho para ser usado sexualmente se a família pudesse ser favorecida de alguma forma através daquele ato. E ainda assim, em meio a tudo isso, Paulo fala que dentro da igreja as coisas estavam piores... Talvez ele dissesse a mesma coisa se conhecesse nossas igrejas hoje. Em suas duas cartas aos coríntios, ele trata das divisões, da imoralidade, do casamento e também de assuntos litúrgicos como adoração e celebração da ceia. Mas me chamou a atenção o apóstolo ter reservado todo um capítulo para falar de amor para aquela igreja depravada. Hoje ainda é relevante essa preocupação, pois nossos conceitos de amor estão desgastados e literais. Como na igreja de Corinto, ainda há entre nós os que usam o Reino como pretexto para autopromoção, os que gostam de divisões, os que estão afundados em sua própria podridão, e os que sacralizaram tanto o Amor que o tornaram mais um conceito religioso vazio e alienado... É necessário lembrar o que é o verdadeiro amor.
O grego koiné* possui três palavras para descrever o que o português traduz como amor: Ágape, Eros e Phileo. O grego clássico (erudito) ainda tem a variante Storge. O amor Ágape é o amor-vontade de Tozer. Embora o senso comum cristão o impute a Deus, não é exclusividade divina, mas pode e deve ser encontrado entre humanos também. O amor descrito em 1 Coríntios 13 é essencialmente “ágape”. É um amor caracterizado pelo querer e pelo agir mais do que pelo sentir. É o amor que se sacrifica pelo amado sem pedir nada em troca. “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (vs 4-7, ARA). As versões católicas geralmente o traduzem por caridade. Particularmente rejeito a tradução “caridade” pela confusão que o filantropismo e a religião fazem com expressões como “obra de caridade” (geralmente mais como sinônimo de “esmola” do que como “ato de amor”) e também pela impressão que caridade é mais próxima etimologicamente do grego “Xaris” (ou Charis, que significa “presente” ou “graça”), do que de qualquer verbete original de Amor. A segunda palavra grega para amor é Eros e traduz a paixão carnal, o desejo. É o tipo de amor que se relaciona mais ao corpo do que com qualquer outro componente do ser humano. Não é à toa que a palavra “erotismo” e “erótico” encontram sua origem etimológica em Eros. Embora alguns insistam que este é o amor pecaminoso, isso é um engano. O sexo é uma bênção de Deus e já estava implícito na ordem divina de Genesis 1:28 “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra (…)” (ARA), antes que entrasse o pecado no mundo. Como indício de que é uma bênção do Criador vejo também o fato de que o homem talvez seja o único ser criado que pratica o sexo não somente com a finalidade de procriar, mas por prazer. Animais copulam, se acasalam, o homem faz amor. Deus poderia ter nos criado também com períodos de cio e acasalamento, mas quis que usássemos nosso livre arbítrio para decidir onde, quando e com quem faremos sexo ou não. Embora seja inegável a existência dos períodos férteis e nossa suscetibilidade à influência hormonal, não somos escravos de nossos instintos animais. O ultimo tipo de Amor encontrado no grego Koiné é o Phileo, o amor de companheirismo, de amizade e cumplicidade. O amor Phileo indica o desejo e empenho em se estar junto, é o amor da caminhada diária, da companhia. Ser companheiro (de “con pane” + sufixo “eiro”) é partilhar do mesmo pão durante uma jornada. Phileo serve de raiz para algumas palavras portuguesas sempre carregando um sentido de “gostar muito de” ou “ser amigo de” como, por exemplo, filantropo (“amigo do homem ou da humanidade”) e filósofo (“amigo da sabedoria”) dentre outras. Finalmente, o amor Storge, do grego clássico, é o amor romântico, emocional por excelência, platônico ou não. É o querer bem como mais do que uma amizade apenas e dispensa maiores comentários já que é encontrado vastamente na literatura e cinema.
Qual desses é o amor “certo” então? Seria um reducionismo barato dizer que a alma humana em toda a sua bela complexidade pode nutrir somente um tipo de amor. Talvez a faísca inicial de tudo seja o Storge... Aquela sensação de possibilidade que enche o peito de esperança e expectativa. O Storge, evoluindo, vai se lapidando como uma pedra preciosa e adquirindo faces dos outros tipos de amor. Paulo fala que o marido deve amar a esposa como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25), isso é amor Ágape. É algo sério! É estar disposto a dar a própria vida pela mulher. Acho até que isso serve como base para afirmar que um relacionamento com maior chance de sucesso é aquele em que o homem ama muito mais do que a mulher. O coração masculino talvez careça de mais loucura no amor para derreter do que o feminino. O apóstolo também deixa claro que o corpo do homem pertencerá à sua mulher e vice versa (1 Coríntios 7:2-4), esse amor do corpo é Eros e pede que nem o marido nem a esposa abandone um ao outro (1 Coríntios 7:10), isso é Phileo. Assim, um amor sadio, belo e delicioso é a combinação de todos esses tipos em um só de forma equilibrada. Qualquer exagero em um dos tipos pode acabar em sofrimento e inconvenientes...
As profecias desaparecerão. As línguas acabarão e a ciência passará, mas o amor jamais acaba... (1 Coríntios 13:8 – tradução própria direto do grego).
NOTAS:
*O grego koiné ou grego comum foi imposto por Alexandre, o Grande, como língua oficial do império grego de uso obrigatório aos povos conquistados. Era uma versão simplificada, visando priorizar a comunicação oral, desprovida de muitas regras gramaticais que regiam o grego clássico, no qual escreveram os grandes filósofos. Os textos bíblicos do período intertestamentário e do Novo Testamento, em sua maioria, são escritos neste dialeto.
ABREVIATURAS:
Versões da Bíblia:
ARA – Almeida Revista e Atualizada
NVI - Nova Versão Internacional
TAGS:
AMOR , PAIXÃO, AGAPE, EROS, PHILEO, DIA DOS NAMORADOS
Sobre as grandes mulheres...
Existem mulheres que revolucionam a história de um homem a tal ponto que acabam virando pontos de referência. Parece que a classificação mais lógica para a vida é “antes dela” e “depois dela”. Talvez seja um efeito natural que as grandes mulheres exerçam sobre seus homens. As mulheres comuns, as ordinárias, vulgares, podem até causar seus incêndios na carne ou intoxicar os pensamentos por um tempo... Mas não passam disso. Tudo fica como se fosse uma febre ou infecção, mesmo que deixem convalescente ou à beira da morte, no fim acabam passando como qualquer outro mal desta existência e, inclusive, haverão com isso fazer o homem mais forte. É um dia para se apaixonar, outro para chorar por elas e no terceiro já nem se lembrar de seu nome. Já as mulheres fora do comum, as extraordinárias, singulares, estas podem marcar para a vida toda... Mais do que simplesmente deixar a carne ardente de desejo, ou o pensamento povoado de vontades, inspiram uma felicidade na alma e no espírito que não têm rivais. O corpo esquece a intensidade do desejo satisfeito, a mente pode distrair-se na presença de alguma beleza nova, mas a alma relembra com saudade... Adélia Prado tinha razão: “O que a alma amou é eterno”. Mulheres assim conseguem fazer um homem sentir-se invencível só por ter conquistado sua afeição. Parecem ter o dom de trazer o melhor à tona, mesmo nos casos mais improváveis. De repente aflora uma capacidade surpreendente de realizar grandes feitos, uma crença íntima quase inabalável de que se pode fazer algo para mudar o mundo para melhor. Talvez Napoleão não tivesse conquistado seu império sem sua Josefine, ou Lutero tivesse desistido da Reforma se Catarina Van Bora não tivesse entrado em sua vida. Dizem que atrás de todo grande homem existe uma grande mulher. Muitas vezes não é atrás, mas na frente mesmo, arrastando-o pela mão; ou ao lado, apoiando-o delicadamente e evitando que ele tropece e caia... Enquanto as mulheres vulgares são ruína, as extraordinárias são pilares ou colunas... Se existem as que são buracos negros que sugam tudo e nunca se saciam, também existem as que são estrelas que orientam e alegram, mesmo nas noites mais sombrias.
O problema em ter uma mulher assim, é justamente sobreviver à sua perda se ela sai de nossa vida. Sem a coluna, a construção vai ao chão. Sem a estrela, as trevas da noite são mais intensas. Há de se ficar desolado e perdido por um tempo. A sensação é a de um pintor ou artista acostumado a todas as cores que existem que, subitamente, descobre-se acometido de daltonismo... O mundo, antes vasto, vívido e repleto de cores, matizes e nuances, torna-se um lugarzinho cinzento e triste. As paisagens caleidoscópicas desbotam até virarem uma corrupção em tons gris e dégradés em preto e branco. As palavras de Mário Quintana servem para explicar essa triste privação, embora o verso original fale sobre desejar o inalcançável: “Que tristes seriam os caminhos não fosse a presença mágica das estrelas (...)”. A tristeza de estar longe do olhar e do cuidado de uma grande mulher fica pior ainda quando se constata na prática que se perdeu um tesouro. É descobrir nas noites que há mais mulheres vulgares e ordinárias do que mulheres especiais. Olhar em diversos olhos sem identificar nenhuma centelha queimando no fundo da alma. Arriscar convivências apenas para perceber em pouco tempo que as qualidades desta e daquela não conseguem ir além dos limites da pele. Esperar surpresa e profundidade e encontrar mesmice de pensamento e espírito raso. O homem acostumado a mergulhar nas funduras oceânicas da psique de uma mulher extraordinária há de entediar-se facilmente e achar desinteressante passear pela superficialidade dos tipos vulgares. É como prender Jacques Cousteau num brejo. Quando se tem a certeza de que algo realmente valioso e único já esteve ao alcance, não se pode contentar com nada inferior. A convicção da singularidade da conquista torna o homem exigente. Qualquer mulher com o mínimo de noção da arte da sedução e um decote que lhe revele ou insinue os dotes naturais é capaz de despertar o desejo de um homem, nem que seja só por uma noite. Mas só uma grande mulher consegue penetrar nos sonhos, expectativas e esperanças mais duradouras do íntimo masculino, persistindo até depois que o apetite sexual tenha sido saciado (ou aguçado). Um homem que encontra uma mulher assim, não perderá seu tempo chafurdando-se nas sobras que o mundo oferece aos montes, mesmo que essas sobras venham primorosamente disfarçadas em uma bela embalagem, seja de sorriso perfeito ou curvas convidativas. Ele sabe que uma mulher de verdade satisfaz, preenche e é suficiente de maneiras misteriosas demais para a imaginação e entendimento das mulherzinhas comuns sorridentes e insinuantes que superpovoam este planeta. Não é algo que pode ser ensinado, aprendido. Não se compra ou vende. Não é passível de imitação ou encenação. É algo que se é, no âmago, no fundo do ser. Uma preciosidade nata. É o essencial invisível de Exupéry, ou nas palavras do sábio rei Salomão: “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.” (Provérbios 31:10).
Escrito na tarde de 11/05/2010. Correção e versão final no mesmo dia às 22:22h.
O problema em ter uma mulher assim, é justamente sobreviver à sua perda se ela sai de nossa vida. Sem a coluna, a construção vai ao chão. Sem a estrela, as trevas da noite são mais intensas. Há de se ficar desolado e perdido por um tempo. A sensação é a de um pintor ou artista acostumado a todas as cores que existem que, subitamente, descobre-se acometido de daltonismo... O mundo, antes vasto, vívido e repleto de cores, matizes e nuances, torna-se um lugarzinho cinzento e triste. As paisagens caleidoscópicas desbotam até virarem uma corrupção em tons gris e dégradés em preto e branco. As palavras de Mário Quintana servem para explicar essa triste privação, embora o verso original fale sobre desejar o inalcançável: “Que tristes seriam os caminhos não fosse a presença mágica das estrelas (...)”. A tristeza de estar longe do olhar e do cuidado de uma grande mulher fica pior ainda quando se constata na prática que se perdeu um tesouro. É descobrir nas noites que há mais mulheres vulgares e ordinárias do que mulheres especiais. Olhar em diversos olhos sem identificar nenhuma centelha queimando no fundo da alma. Arriscar convivências apenas para perceber em pouco tempo que as qualidades desta e daquela não conseguem ir além dos limites da pele. Esperar surpresa e profundidade e encontrar mesmice de pensamento e espírito raso. O homem acostumado a mergulhar nas funduras oceânicas da psique de uma mulher extraordinária há de entediar-se facilmente e achar desinteressante passear pela superficialidade dos tipos vulgares. É como prender Jacques Cousteau num brejo. Quando se tem a certeza de que algo realmente valioso e único já esteve ao alcance, não se pode contentar com nada inferior. A convicção da singularidade da conquista torna o homem exigente. Qualquer mulher com o mínimo de noção da arte da sedução e um decote que lhe revele ou insinue os dotes naturais é capaz de despertar o desejo de um homem, nem que seja só por uma noite. Mas só uma grande mulher consegue penetrar nos sonhos, expectativas e esperanças mais duradouras do íntimo masculino, persistindo até depois que o apetite sexual tenha sido saciado (ou aguçado). Um homem que encontra uma mulher assim, não perderá seu tempo chafurdando-se nas sobras que o mundo oferece aos montes, mesmo que essas sobras venham primorosamente disfarçadas em uma bela embalagem, seja de sorriso perfeito ou curvas convidativas. Ele sabe que uma mulher de verdade satisfaz, preenche e é suficiente de maneiras misteriosas demais para a imaginação e entendimento das mulherzinhas comuns sorridentes e insinuantes que superpovoam este planeta. Não é algo que pode ser ensinado, aprendido. Não se compra ou vende. Não é passível de imitação ou encenação. É algo que se é, no âmago, no fundo do ser. Uma preciosidade nata. É o essencial invisível de Exupéry, ou nas palavras do sábio rei Salomão: “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.” (Provérbios 31:10).
Escrito na tarde de 11/05/2010. Correção e versão final no mesmo dia às 22:22h.
14 fevereiro 2010
Colombina, Pierrot e Arlequim...
Barrados no baile


Exceto pela citação em um ou outro samba enredo, ou por alguma máscara na multidão, Pierrots, Arlequins e Colombinas não conquistaram lugar no Carnaval brasileiro. Não sobreviveram aos ardores dos trópicos. Esses personagens originalmente apareceram na Comédia Dell'Arte, pequenos espetáculos apresentados nas ruas da Europa na idade média. As peças não tinham texto definido, mas em geral desenvolviam-se sobre a narrativa de Colombina (uma dama da corte)sendo disputada por dois pretendentes: Pierrot, romântico e sensível, e Arlequim, um malandro trapaceiro e fanfarrão. O Pierrot é o que tem aquela lágrima caindo do olhar, era uma figura sonhadora, ingênua, que amava sofregamente Colombina. Já o Arlequim, vestiam-se como um bobo na corte e era retratado como um bon vivant. O público apreciava o desenrolar deste triângulo amoroso, assistindo Colombina indecisa entre um Arlequim astuto e um Pierrot triste. Ora pendendo a um, ora encantada com outro. O desfecho da história era decidido na hora de acordo com a reação e torcida de quem estivesse assistindo... Mas talvez tenha sido uma coisa boa a cultura popular ter banido o ingresso dos três no Carnaval daqui. Do jeito que as coisas ficaram, possivelmente a história terminaria com Colombina decidindo ficar com os dois, no melhor estilo "Jorge Amado", e iríamos rir, cantar as músicas, fantasiar nossos filhos como eles, e deixá-los crescer achando aquilo a coisa mais natural do mundo...
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TAGS: Carnaval, Comédia Dell'Arte, Mardi-Gras, Colombina, Pierrot, Arlequim


Exceto pela citação em um ou outro samba enredo, ou por alguma máscara na multidão, Pierrots, Arlequins e Colombinas não conquistaram lugar no Carnaval brasileiro. Não sobreviveram aos ardores dos trópicos. Esses personagens originalmente apareceram na Comédia Dell'Arte, pequenos espetáculos apresentados nas ruas da Europa na idade média. As peças não tinham texto definido, mas em geral desenvolviam-se sobre a narrativa de Colombina (uma dama da corte)sendo disputada por dois pretendentes: Pierrot, romântico e sensível, e Arlequim, um malandro trapaceiro e fanfarrão. O Pierrot é o que tem aquela lágrima caindo do olhar, era uma figura sonhadora, ingênua, que amava sofregamente Colombina. Já o Arlequim, vestiam-se como um bobo na corte e era retratado como um bon vivant. O público apreciava o desenrolar deste triângulo amoroso, assistindo Colombina indecisa entre um Arlequim astuto e um Pierrot triste. Ora pendendo a um, ora encantada com outro. O desfecho da história era decidido na hora de acordo com a reação e torcida de quem estivesse assistindo... Mas talvez tenha sido uma coisa boa a cultura popular ter banido o ingresso dos três no Carnaval daqui. Do jeito que as coisas ficaram, possivelmente a história terminaria com Colombina decidindo ficar com os dois, no melhor estilo "Jorge Amado", e iríamos rir, cantar as músicas, fantasiar nossos filhos como eles, e deixá-los crescer achando aquilo a coisa mais natural do mundo..._______________________________________________
TAGS: Carnaval, Comédia Dell'Arte, Mardi-Gras, Colombina, Pierrot, Arlequim
02 fevereiro 2010
Notícias sobre "O Caderno Azul"
O Caderno Azul (terceiro volume já) continua sendo preenchido. "Day in, day out." E logo vai seguir o mesmo caminho dos outros que o antecederam...
Aqui estão os títulos dos textos até agora:
- A saudade de cada dia;
- A idéia das Listas;
- Duplicidade;
- Entre Sombras;
- O que não tem remédio...;
- Na encruzilhada de Infinitas Vias;
- Another Blue Day;
- Sinais no Céu,
- Insights do Envenenamento;
- Pequena Reflexão Antropológica;
- A Razão por trás das letras;
- O Cheiro da Felicidade;
- Confiança Maldita;
- Memória Olfativa;
- Penetrando o Domínio da Chuva (publicado com ressalvas);
- Planos Latino-Americanos;
- Ventriloquia Profética.
São textos para poucos olhos... Mas o que der para publicar aqui, vai vir...
Aqui estão os títulos dos textos até agora:
- A saudade de cada dia;
- A idéia das Listas;
- Duplicidade;
- Entre Sombras;
- O que não tem remédio...;
- Na encruzilhada de Infinitas Vias;
- Another Blue Day;
- Sinais no Céu,
- Insights do Envenenamento;
- Pequena Reflexão Antropológica;
- A Razão por trás das letras;
- O Cheiro da Felicidade;
- Confiança Maldita;
- Memória Olfativa;
- Penetrando o Domínio da Chuva (publicado com ressalvas);
- Planos Latino-Americanos;
- Ventriloquia Profética.
São textos para poucos olhos... Mas o que der para publicar aqui, vai vir...
19 janeiro 2010
Palavras soltas
Do lado escuro
Manias estranhas, gostos questionáveis, segredos inconfessáveis, confissões embaraçosas, saudades, solidão, coragem inesperada, covardia ressentida, pensamentos que deveriam ter sido ditos, palavras que nunca deveriam ter sido faladas,coração nobre, pobreza de espírito, noites com sol, dias cinzentos, abismos, cumes vertiginosos,sorrisos amarelos, gargalhadas loucas, embriaguês lúcida, sobriedade insana...
Todos nós temos um lado luminoso e outro escuro que nem sempre mostramos...
Manias estranhas, gostos questionáveis, segredos inconfessáveis, confissões embaraçosas, saudades, solidão, coragem inesperada, covardia ressentida, pensamentos que deveriam ter sido ditos, palavras que nunca deveriam ter sido faladas,coração nobre, pobreza de espírito, noites com sol, dias cinzentos, abismos, cumes vertiginosos,sorrisos amarelos, gargalhadas loucas, embriaguês lúcida, sobriedade insana...
Todos nós temos um lado luminoso e outro escuro que nem sempre mostramos...
12 janeiro 2010
Dos Reveillons Passados e dos Vindouros.

Nunca passei um reveillon na praia. Só me dei conta disso hoje! 30 viradas de ano e nada do mar! Já passei em igrejas, clubes, sítios. Já passei sozinho em casa e acompanhado onde ninguém sabia. Já até passei assistindo a queima de fogos na orla da Pampulha. Aliás, lá fui testemunha há algum tempo atrás de algo que até hoje me encanta: num reveillon passado, à meia noite, enquanto todos se abraçavam, estouravam proseccos ou sidras (de acordo com as possibilidades financeiras), gritavam e uns entregavam oferendas a Iemanjá, Claudinho se ajoelhou, ergueu as mãos e consagrou seu ano novo a Deus. A garrafa de espumante ao lado. Olhos fechados. Sozinho. Lembrar deste episódio me dá sempre um sentimento dúbio. Metade orgulho e metade vergonha. Orgulho da fé e intimidade de meu amigo e antigo "padawan" - como diria minha irmã. O cristianismo professado dentro dos templos é algo banal e corriqueiro. Qualquer um pratica. O que vi ali foi talvez a melhor definição de "Liturgia" que já encontrei na vida. Para os que não sabem, a palavra "Liturgia" significa, literalmente, "Adoração pública". Foi algo genuíno. A vergonha foi minha, por não estar naquela mesma sintonia... De qualquer forma, adorei ver o reflexo dos fogos nas águas da Pampulha. A multidão de estranhos se abraçando e felicitando com uma solidariedade ímpar. Imagino que deve ser assim também à beira mar. O mesmo clima, mas com o "plus" da maresia, a areia sob os pés, o som e a espuma das ondas. Tenho de experimentar isso um dia. Quem sabe eu até pule 7 ondas de mãos dadas com alguém? Não por superstição, mas por divertimento mesmo. Sem nenhuma obrigação ou intenção de que minha sorte seja misticamente alterada. É preciso aprender a resgatar o lado lúdico das coisas. Ser mais criança. Menos religioso. Parar de "demonizar" todas as coisas e entrar na brincadeira com um coração puro.
Ainda vou passar uma virada de ano na praia. Quem sabe 2011?
25 dezembro 2009
Feliz Natal
Feliz Natal a todos os meus queridos,
os de perto e os de longe;
os que me conheceram a pouco e os que caminham comigo de longa data...
os frequentes, os desaparecidos...
Feliz Natal!
Que Deus possa completar a boa obra Dele na vida de cada um de vocês e em cada família.
Muita paz, saúde e força para correr atrás do resto!
Abração
os de perto e os de longe;
os que me conheceram a pouco e os que caminham comigo de longa data...
os frequentes, os desaparecidos...
Feliz Natal!
Que Deus possa completar a boa obra Dele na vida de cada um de vocês e em cada família.
Muita paz, saúde e força para correr atrás do resto!
Abração
23 dezembro 2009
Palavras Soltas
Da Solidão Humana Inata
O que o ser humano mais deseja é ser desejado ardentemente por alguém. Talvez mais básico do que comer, beber, respirar. Está no cerne de quem somos buscar nos olhos do outro a confirmação de que, de alguma maneira misteriosa, somos únicos e especiais. Segundo o relato bíblico, quando Deus terminou de criar o homem, Ele disse: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e o corresponda” (Gênesis 2:18 – NVI). Parece que Deus se deu conta que havia acabado de trazer à existência uma criatura habitada por uma solidão profunda e, num ato de amor, resolveu esta questão criando a mulher. “Macho e fêmea os criou”- no hebraico, a palavra macho (“ish” = Homem) e fêmea (“ishah” = mulher) contêm em si partículas do Nome de Deus. Para alguns rabinos (e para muitos cabalistas) isto é um indício de que homem e mulher só conseguem expressar plenamente a “Imagem e Semelhança de Deus” quando estão juntos. Talvez estejam certos. Talvez não. Mas admito que acho bonito pensar que só nos revelamos plenamente divinos quando temos alguém para amar e somos amados de volta...
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Escrito em 22/12/2009 – 12:57
O que o ser humano mais deseja é ser desejado ardentemente por alguém. Talvez mais básico do que comer, beber, respirar. Está no cerne de quem somos buscar nos olhos do outro a confirmação de que, de alguma maneira misteriosa, somos únicos e especiais. Segundo o relato bíblico, quando Deus terminou de criar o homem, Ele disse: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e o corresponda” (Gênesis 2:18 – NVI). Parece que Deus se deu conta que havia acabado de trazer à existência uma criatura habitada por uma solidão profunda e, num ato de amor, resolveu esta questão criando a mulher. “Macho e fêmea os criou”- no hebraico, a palavra macho (“ish” = Homem) e fêmea (“ishah” = mulher) contêm em si partículas do Nome de Deus. Para alguns rabinos (e para muitos cabalistas) isto é um indício de que homem e mulher só conseguem expressar plenamente a “Imagem e Semelhança de Deus” quando estão juntos. Talvez estejam certos. Talvez não. Mas admito que acho bonito pensar que só nos revelamos plenamente divinos quando temos alguém para amar e somos amados de volta...
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Escrito em 22/12/2009 – 12:57
09 dezembro 2009
Já chegou o Natal...
30 novembro 2009
Palavras Soltas

Da paixão infantil
Dizem que a gente se apaixona por pura distração. Distração, segundo o Aurélio, é "lapso de consciência ou falta de atenção". Não sei se concordo muito com isso. A gente se apaixona mesmo é por notar demais a pessoa. Quando se percebe que o outro pode ter algo que nos falta ou que buscamos. Li em algum lugar que aqueles que não têm nenhuma característica de admirável ou de irritante, também não têm nada de interessante. Acho que é assim mesmo. Lembro de quando eu era criança, era só me apaixonar que eu começava a implicar com a menina (e vice-versa). Ainda não desconfiava daquele jogo de olhares e palavras que os adultos usam. Para chamar a atenção, valia até sopetão na testa na hora do recreio. O que mais me assusta é que de vez em quando dava certo. Talvez seja porque o ser humano adora ser notado, mesmo se for demonstrado de uma maneira não muito convencional. Isso explica alguns desses trogloditas desfilando de mãos dadas com belas princesas que a gente encontra mundo afora.
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Mais um fragmento de texto que encontrei recentemente, este foi dentro de um livro. Não sei quando comecei a escrevê-lo também. Desconfio que tenha sido entre Abril e Maio deste ano, pelas minhas contas.
04 outubro 2009
Palavras soltas
Das adversidades
O céu parece ser mais azul depois de uma tempestade. Nem dá para reconhecer no azul tranquilo as nuvens pesadas e os redemoinhos de vento que lá estavam antes. Tempestades são coisas estranhas, existe certa beleza em sua fúria e desolação. Uma beleza triste, de um poder imensurável capaz de mudar o curso corriqueiro da vida. Arrancar árvores, telhados... Derrubar. Destruir. Tempestades servem para provar a firmeza e o fundamento das coisas. Medir-lhes a persistência, a capacidade de adaptação... e o que fica depois é esse céu de um azul estúpido, como se desconhecesse todo o caos anterior. Não sei se é resultado ou prêmio...mas é consolador saber que é um "depois".
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Este é um fragmento de um texto que achei inacabado dentro de um caderno. Não tem data, só sei que foi escrito aqui em Curitiba no início do ano. Nem me dei o trabalho de tentar terminá-lo, só postei e pronto.
O céu parece ser mais azul depois de uma tempestade. Nem dá para reconhecer no azul tranquilo as nuvens pesadas e os redemoinhos de vento que lá estavam antes. Tempestades são coisas estranhas, existe certa beleza em sua fúria e desolação. Uma beleza triste, de um poder imensurável capaz de mudar o curso corriqueiro da vida. Arrancar árvores, telhados... Derrubar. Destruir. Tempestades servem para provar a firmeza e o fundamento das coisas. Medir-lhes a persistência, a capacidade de adaptação... e o que fica depois é esse céu de um azul estúpido, como se desconhecesse todo o caos anterior. Não sei se é resultado ou prêmio...mas é consolador saber que é um "depois".
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Este é um fragmento de um texto que achei inacabado dentro de um caderno. Não tem data, só sei que foi escrito aqui em Curitiba no início do ano. Nem me dei o trabalho de tentar terminá-lo, só postei e pronto.
29 agosto 2009
Aniversário dos meus 2 irmãos...
Amanhã é aniversário do Claudinho. Não há nada que eu queria dizer a ele que já não tenha dito. Ele conhece meus votos, minhas desculpas, meus casos e acasos. É farinha do mesmo saco que eu, como costumamos falar. Somos conselheiros, consoladores e cúmplices um do outro. Claudinho é prova de que Deus se importa comigo. Se eu tivesse mais uma dúzia de amigos como ele, já teria conquistado o mundo! Só peço que Deus conserve nossa amizade por muito tempo ainda, para realizarmos aqueles velhos planos que já conversamos tantas vezes nas mesas de botecos, bancos de igreja e tantos outros lugares... Parabéns, meu amigo! Você sabe a falta que me faz nessa vida aqui no sul! Abração!
É aniversário também do Flavinho. Fiquei sabendo que ele estava com gripe suína e liguei para falar com ele, mas a correria da vida moderna não deixou nossos horários coincidirem. Mas até domingo eu o pego em casa! Que Deus possa continuar abençoando a vida dele em todas as áreas: emprego, faculdade, casamento, ministério. Que ele possa dar suporte para minha mãe lá em Bh, porque mãe precisa de filho por perto...
Abração, Flavinho! Quero ver quando você vem me visitar aqui em Curitiba!
Aproveitem e comemorem mesmo sem mim! Em pensamento, coração e orações eu não vou faltar.
É aniversário também do Flavinho. Fiquei sabendo que ele estava com gripe suína e liguei para falar com ele, mas a correria da vida moderna não deixou nossos horários coincidirem. Mas até domingo eu o pego em casa! Que Deus possa continuar abençoando a vida dele em todas as áreas: emprego, faculdade, casamento, ministério. Que ele possa dar suporte para minha mãe lá em Bh, porque mãe precisa de filho por perto...
Abração, Flavinho! Quero ver quando você vem me visitar aqui em Curitiba!
Aproveitem e comemorem mesmo sem mim! Em pensamento, coração e orações eu não vou faltar.
25 maio 2009
A Musicalidade Brasileira...

Que decepção ao conversar com algumas pessoas aqui e descobrir que pouca gente por essas bandas conhece o nosso saudoso "Clube da Esquina". Flávio Venturini, Lô Borges e Milton Nascimento são figuras quase desconhecidas ou lembradas com muita dificuldade. Entretanto, eu não os culpo. Não é uma conspiração contra a boa música mineira, é uma crise da musicalidade brasileira mesmo. A maioria da mídia prefere apontar seus holofotes para as bandinhas de rock paulista, os funks cariocas ou os pagodes cornísticos e melodramáticos que abundam por aí. Não é mais preciso ter harmonia, bons arranjos ou uma letra bacana para fazer sucesso. Basta uma frase nojenta fácil de grudar no pensamento, talvez uns palavrões e uns três ou quatro acordes. Receita infalível do sucesso. Primeiro lugar nas paradas. Lembro do Pop Rock Brasil 2008, em BH. Mineirão lotado para o show do Biquini Cavadão, banda sobrevivente do bom rock anos 80. O vocalista Bruno Gouveia (tinha de ser um mineiro, aê!)falou ao microfone mais ou menos assim: "Estamos aqui para lembrar do tempo em que se fazia música com a cabeça e o coração, porque música se faz com sentimento e com inteligência. Música nâo se faz com a bunda não!" O Mineirão foi ao delírio como se comemorasse um gol! O Bruno falou tudo. Tem muita gente fazendo música pelas/com/para/ as nádegas e pouca gente fazendo um trabalho bacana. Naquele dia passei a gostar mais ainda de Biquini Cavadão...
Parece que não fazem mais músicas de qualidade. Claro que há exceções aqui e ali. Mas enquanto aparece uma Vanessa da Mata, uma Ceumar ou um Seu Jorge, multiplicam as bandinhas de pagode que estragam o bom samba. Não se ouve mais o samba de Noel Rosa, Cartola, Adoniran Barbosa ou do Chico. O que chamam de samba hoje é quase sempre sinônimo de mal gosto. Confunde rima com verbos de mesma conjugação. Não é instrumento de protesto, não critica nada. Só fornece a trilha sonora para cornos e corneadores de gosto duvidoso. Nossa bossa nova ficou velha e caducou. A Nova geração tem ouvidos virgens que desconhecem Vinícius, Tom Jobim e João Gilberto. "Garota de Ipanema" e "Uma Tarde em Itapoã" viraram música de elevador. Pouca gente conhece um Yamandú Costa, um Toquinho, mas os refrões de funks indecentes e vulgares podem ser ouvidos em qualquer esquina, até na boca de crianças...
A música brasileira não se espanta mais com a experimentação de um novo Lulu Santos, que já foi até taxado de brega por não ter medo de tentar coisas novas ou dar sua voz a versões de músicas que ninguém queria. Não se mobiliza em torno de um rock de boas letras como o do Legião Urbana, Cazuza e Barão. Desconhece a maior parte das boas músicas do Nenhum de Nós e do Engenheiros do Havaí, mas lota estádios e casas de show para aplaudir Fresno e outras variações de música "emo". Aliás o aparecimento dos emos é justificável: vendo a situação da musicalidade no país hoje dá vontade de chorar mesmo...
Infelizmente, no Brasil, música boa só ganha uma divulgação decente se for faixa de alguma novela global. Aí também chega até a enjoar... Quem não se lembra quando "Sozinho", do Peninha, tocava insistentemente em todas as esquinas e botecos "copo-sujo" na voz do Caetano só porque era tema de algum casal da novela das 8? Acho que essa geração só conhece Djavan por conta de novelas, ou já teria sido esquecido também...
Fica aqui o meu protesto sobre esses sons estranhos que tocam nas rádios e o povo aclama como música... Meu ouvido não é penico, se o seu é, por favor use fones de ouvido ou escute suas faixas no quarto, bem baixinho... Saneamento musical básico para evitar proliferação de mal gosto...
23 maio 2009
Apaixone-se...
A importância do dia seguinte...
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Bacana o videozinho que roubei de um orkut alheio...
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Bacana o videozinho que roubei de um orkut alheio...
21 fevereiro 2009
Para eu viver um grande amor...

Considerações e alguns comentários sobre o texto "Para Viver um grande amor" de Vinícius de Morais
O Vinícius disse muitas coisas úteis para se viver um grande amor. Sigo à risca a maioria de suas prescrições, exceto por umas ressalvas. A parte do uísque , por exemplo. Um incidente de alguns anos atrás envolvendo uma garrafa de Balantines me fez abandonar de vez o mundo dos maltes. A Kriptoniana lembra e não me deixa esquecer. Nada a reclamar disso, entretanto. Abracei o mundo dos taninos, do carvalho, dos aromas primários e secundários dos vinhos. Acho os vinhos muito mais propícios a alimentar os amores do que os uísques. Uma enóloga americana até chegou a definir o vinho feito a partir de certa uva (a Pinot Noir) como "sexo numa taça". Nunca soube de ninguém que relacionou o uísque com a intimidade entre um casal...mas as citações por ressaca são abundantes.
A parte do judô como dica para viver um grande amor era estranha para mim, mas descobri recentemente que o fundador do Judô se inspirou em três principios básicos para criar a arte marcial. Esta descoberta me fez pensar um monte de coisas.Os princípios são os seguintes: Há o Seiryoku Zen’Yo ou Princípio da Máxima Eficiência com o mínimo de esforço. Traduzindo: Deixa rolar! Não complique as coisas!Sugue ao máximo a essência de cada movimento. Permita-se levar pelo relacionamento, naturalmente. Sem forçar a barra e nem se segurar. O segundo princípio é o Jita Kyoei ou Princípio da Prosperidade e Benefícios Mútuos. Sabe aquela velha história de que tem de ser bom para os dois? Pois é... Nada de egoísmos. Tem hora que tem de abrir mão mesmo. De parar de pensar no "eu" para construir o "nós" e namorar pra ser feliz. Nada de ficar assumindo papel de fiscal ou vigilante do outro. Isso não funciona! pode até durar um bom tempo, mas a chance de virar um grande amor é muito remota. Amar é deixar a porta aberta. Finalmente, o terceiro e último grande princípio é o Ju ou Princípio da Suavidade, ou seja, o melhor uso de energia. Aqui cabe uma consideração sobre aquelas pessoas que adoram "caçar chifre em cabeça de cavalo". Ciúmes demais, joguinhos e essas picuinhas que muita gente tem gastam uma energia danada e não produzem nada. Vale pena ser sincero. Por as cartas na mesa. Conversar. Definir coisas para ser mais feliz. Para os que gostam também de pensar fisicamente em gastar energia, vale o toque apaixonado aqui. Desde um beijo na testa até aquele enlace maravilhoso de corpos e almas, quando (segundo a Bíblia)os dois se tornam uma só carne. É o velho slogan hippie: "Faça amor, não faça guerra". A gente já tem de viver lutando por tanta coisa. Na hora do amor, que tal optarmos pela paz? Nada de conturbações! Por mais que a nossa afetividade possa ter uns delírios mais violentos de paixão, que até essa agressividade revele preocupação e sensibilidade pelo outro. Vamos praticar a tranquilidade de uma carícia. Aquele silêncio que diz tudo...
Finalmente, para viver um grande amor é preciso resolver as pendências do passado. Resolver é não se deixar ser assombrado pelos velhos erros, pelas coisas que não saíram como deveriam, pelas decepções. A gente entra no Amor de peito aberto na adolescência, mas na vida adulta carrega um monte de armas pra se proteger. Estou escrevendo isso pensando em mim mesmo. Fiz uma limpeza no porão da minha alma. Tirei de lá os velhos esqueletos, as tralhas do passado e o sobrou um espaço do tamanho do mundo no meu coração. Diz o ditado que "ex bom é ex morto", mas até o morto causa problemas se ainda ocupar algum espaço dentro da gente. Coisa morta fede! E o amor precisa de um ambiente arejado para florescer. É preciso se arriscar. apaixonar como se fosse a primeira vez, a despeito dos abandonos e feridas já experimentadas. Entregar-se como se fosse morrer amanhã. Preferir arrepender-se de atos consumados e não de intenções não realizadas. Para viver um grande amor é preciso coragem. Coragem não quer dizer ausência de medo, mas é estabelecer um objetivo e avançar APESAR DO MEDO.
Eu estou assim. De alma limpa, porta do coração aberta, peito à mostra. Será que chegou minha hora de viver um grande amor? Vou arriscar...
19 fevereiro 2009
O Rio de Janeiro continua lindo?
BH e Curitiba: minhas cidades indicadas ao título de "Cidade Maravilhosa".
Não sei o porquê de ainda chamarem o Rio de Janeiro de "Cidade Maravilhosa". Não é que não exista coisas maravilhosas no Rio. É simplesmente matemática: 10% do Rio realmente faz jus a esse título, mas os outros 90% não convence... É decepcionante! Pobreza. Perigo. Precariedade. Não vejo graça alguma em favelas e sujeira. Não há maravilha nisso! Nada contra os moradores dos locais, mas acho terrível fazer da pobreza um recurso turístico explorável. Não é certo! É moralmente condenável receber gringos para passear entre os barracos e tirar fotos com as pessoas como se fizessem um safari. Para mim este fato já valeria para que a capital carioca deixasse de ser conhecida pelo título que ostenta.
Quem chega no Rio de avião (independente do aeroporto) só tem visões de tirar o fôlego quando ainda está no ar. Basta sair do aeroporto para ver as ruas sujas, os trombadinhas e pivetes, as pessoas estranhas em trajes de banho desfilando pelas calçadas... De ônibus, a situação chega a ser pior ainda: a rodoviária carioca é horrorosa! Tem-se a impressão de estar chegando na cloaca do mundo,não numa cidade maravilhosa! Chega a dar medo! Por falar em medo, eu mesmo já presenciei a caminho do Rio - viajando de carro - dois malandros renderem uma família num congestionamento e levarem o veículo! Foi traumatizante! Isso é o Rio verdadeiro!
Tenho comigo que o Rio vive hoje da propaganda e de lendas formuladas por pessoas pouco exigentes com mulheres e bairristas demais em sua época. Quem já viu a foto da mulher que inspirou a música "Garota de Ipanema" há de concordar comigo. Que mulherzinha mais sem graça! Alguém consegue me explicar o que o Tom e o Vinícius viram nela? Deviam estar os dois bêbados tocando violão na praia e acabaram achando bonito a primeira forma que emergiu das águas que não estivesse usando um calção. É a única explicação. Junte a isso aquele clima todo de "bossa-nova é expressão máxima de música brasileira" que reinava e pronto. Nasce um mito: dois cariocas vendem pro mundo a imagem de uma cidade perfeita com mulheres estonteantes. Ah, se Vinícius fosse vivo e desse um passeio pela Savassi (em Bh) ou na Batel (em Curitiba)! Com certeza teria a mesma opinião que eu de que sua musa não era uma Musa de verdade. Com "M" maiúsculo e tudo. Andando pela Savassi encontra-se mulheres bem mais bonitas e mais chamativas do que aquela dona de Ipanema. Elas andam em bandos, sorrindo, com cinturas e pernas à mostra. Lindas! Ah, e Tom se deliciaria observando o desfile de mulheres belas na Batel, o ar altivo de quem deve descender de alguma nobreza européia... Uma visão do paraíso!
As mineiras e as curitibanas têm ainda outro atrativo: o sotaque. O sotaque carioca passa naturalmente uma impressão de arrogância e vulgaridade. Palavrões e termos chulos são usados como vírgula. Cada "s" é pronunciado exageradamente e chiam desagradáveis como rádios fora de sintonia. Já as mineiras tratam todo mundo por "sô". Quando cumprimentam à distância, dizem "ei" com um sorriso. Dão os famosos "três beijinhos" sempre que encontram a gente e, se recebem apenas dois, insistem lindamente: "mais um pra casar!". Sem contar a mania de cortar as palavras e fazer todos os diminutivos masculinos em "im". É "lindim", "perfeitim". Das curitibanas, além daquela entonação gostosa, tem todo o charme de negarem as coisas dizendo "capaz" ou "imagina". Ou de observarem um dia nublado, com garoa, e explicarem que amanheceu "chuvendinho". Junte-se a isso os sons anasalados aspirados e o uso da palavra curinga "daí" a cada duas frases.
Tnho certeza que uma divulgação bem feita de nossas cidades e de nossas meninas bem poderia render músicas falando de verdadeiras belezas ou o título - merecido e justificado - de "Cidade Maravilhosa" para Bh ou Curitiba.
O Rio poderia ficar com o título de "Cidade do Samba"... só por causa dos desfiles carnavalescos, que são mesmo famosos no mundo inteiro. Pois o Samba mesmo que fez o Rio ficar notório hoje é apenas uma lembrança do passado. O som carioca vem dos morros, mas o Morro não é mais o de Noel Rosa, de Cartola e dos boêmios apaixonados. O Morro agora é dos Mcs e Djs que fazem trilha sonora para fogueteiros e traficantes de AR15 e UZIS nas mãos, para os aviõeszinhos que entregam drogas para os playboys da Tijuca e as putas de luxo de Copacabana. O que esperar de uma cidade que dança esses passos e esse ritmo? Se realmente houve uma cidade maravilhosa um dia, o que restou dela foi uma popozuda mal vestida que rebola diante da violência. O resto é mito.
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Curitiba, 19/02/2009 - 10:34
Depois de ouvir pela "mundo Livre FM" que mais um albergue foi assaltado no RIO.
Não sei o porquê de ainda chamarem o Rio de Janeiro de "Cidade Maravilhosa". Não é que não exista coisas maravilhosas no Rio. É simplesmente matemática: 10% do Rio realmente faz jus a esse título, mas os outros 90% não convence... É decepcionante! Pobreza. Perigo. Precariedade. Não vejo graça alguma em favelas e sujeira. Não há maravilha nisso! Nada contra os moradores dos locais, mas acho terrível fazer da pobreza um recurso turístico explorável. Não é certo! É moralmente condenável receber gringos para passear entre os barracos e tirar fotos com as pessoas como se fizessem um safari. Para mim este fato já valeria para que a capital carioca deixasse de ser conhecida pelo título que ostenta.
Quem chega no Rio de avião (independente do aeroporto) só tem visões de tirar o fôlego quando ainda está no ar. Basta sair do aeroporto para ver as ruas sujas, os trombadinhas e pivetes, as pessoas estranhas em trajes de banho desfilando pelas calçadas... De ônibus, a situação chega a ser pior ainda: a rodoviária carioca é horrorosa! Tem-se a impressão de estar chegando na cloaca do mundo,não numa cidade maravilhosa! Chega a dar medo! Por falar em medo, eu mesmo já presenciei a caminho do Rio - viajando de carro - dois malandros renderem uma família num congestionamento e levarem o veículo! Foi traumatizante! Isso é o Rio verdadeiro!
Tenho comigo que o Rio vive hoje da propaganda e de lendas formuladas por pessoas pouco exigentes com mulheres e bairristas demais em sua época. Quem já viu a foto da mulher que inspirou a música "Garota de Ipanema" há de concordar comigo. Que mulherzinha mais sem graça! Alguém consegue me explicar o que o Tom e o Vinícius viram nela? Deviam estar os dois bêbados tocando violão na praia e acabaram achando bonito a primeira forma que emergiu das águas que não estivesse usando um calção. É a única explicação. Junte a isso aquele clima todo de "bossa-nova é expressão máxima de música brasileira" que reinava e pronto. Nasce um mito: dois cariocas vendem pro mundo a imagem de uma cidade perfeita com mulheres estonteantes. Ah, se Vinícius fosse vivo e desse um passeio pela Savassi (em Bh) ou na Batel (em Curitiba)! Com certeza teria a mesma opinião que eu de que sua musa não era uma Musa de verdade. Com "M" maiúsculo e tudo. Andando pela Savassi encontra-se mulheres bem mais bonitas e mais chamativas do que aquela dona de Ipanema. Elas andam em bandos, sorrindo, com cinturas e pernas à mostra. Lindas! Ah, e Tom se deliciaria observando o desfile de mulheres belas na Batel, o ar altivo de quem deve descender de alguma nobreza européia... Uma visão do paraíso!
As mineiras e as curitibanas têm ainda outro atrativo: o sotaque. O sotaque carioca passa naturalmente uma impressão de arrogância e vulgaridade. Palavrões e termos chulos são usados como vírgula. Cada "s" é pronunciado exageradamente e chiam desagradáveis como rádios fora de sintonia. Já as mineiras tratam todo mundo por "sô". Quando cumprimentam à distância, dizem "ei" com um sorriso. Dão os famosos "três beijinhos" sempre que encontram a gente e, se recebem apenas dois, insistem lindamente: "mais um pra casar!". Sem contar a mania de cortar as palavras e fazer todos os diminutivos masculinos em "im". É "lindim", "perfeitim". Das curitibanas, além daquela entonação gostosa, tem todo o charme de negarem as coisas dizendo "capaz" ou "imagina". Ou de observarem um dia nublado, com garoa, e explicarem que amanheceu "chuvendinho". Junte-se a isso os sons anasalados aspirados e o uso da palavra curinga "daí" a cada duas frases.
Tnho certeza que uma divulgação bem feita de nossas cidades e de nossas meninas bem poderia render músicas falando de verdadeiras belezas ou o título - merecido e justificado - de "Cidade Maravilhosa" para Bh ou Curitiba.
O Rio poderia ficar com o título de "Cidade do Samba"... só por causa dos desfiles carnavalescos, que são mesmo famosos no mundo inteiro. Pois o Samba mesmo que fez o Rio ficar notório hoje é apenas uma lembrança do passado. O som carioca vem dos morros, mas o Morro não é mais o de Noel Rosa, de Cartola e dos boêmios apaixonados. O Morro agora é dos Mcs e Djs que fazem trilha sonora para fogueteiros e traficantes de AR15 e UZIS nas mãos, para os aviõeszinhos que entregam drogas para os playboys da Tijuca e as putas de luxo de Copacabana. O que esperar de uma cidade que dança esses passos e esse ritmo? Se realmente houve uma cidade maravilhosa um dia, o que restou dela foi uma popozuda mal vestida que rebola diante da violência. O resto é mito.
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Curitiba, 19/02/2009 - 10:34
Depois de ouvir pela "mundo Livre FM" que mais um albergue foi assaltado no RIO.
31 dezembro 2008
Feliz 2009
Feliz ano novo!Que 2009 seja de realizações!
Que Deus realize em nossa vida tudo o que Ele planejou para nós e nos conceda os desejos de nosso coração conforme a Sabedoria, Vontade e Misericórdia Dele...
Que nossos amigos possam estar ainda mais perto, sempre que necessários, nas horas boas e nas escuras, com palavras, encorajamento, alegria e companheirismo...
Que os inimigos assistam ao nosso sucesso se contorcendo intimamente de inveja, mas incapazes de nos ofuscar ou prejudicar de alguma forma...
Que saibamos diferenciar as companhias que valem a pena daquelas que devemos manter distância...
Que aqueles que já possuem um amor possam vivê-lo intensamente, com honestidade e simplicidade. Possam ter confiança e estabilidade sem perder aquela loucura deliciosa das primeiras coisas, aquele frio na barriga peculiar, a capacidade de voar sem tirar os pés do chão...
Que os que não encontraram um amor possam finalmente experimentá-lo, em toda sua delícia e paixão...
Muitos dias de chuva para beijos molhados...
Muitos dias de sol para passeios inesquecíveis...
Tardes frias para abraços apertados, edredons, filminhos e pipocas...
Noites animadas com os amigos...
Menos coisas para nos arrependermos e mais realizações para contarmos no fim do ano...
Bons pretextos para vinhos, gargalhadas e sorrisos...
"E algum trocado para dar garantia..."
São os meus votos,
FELIZ ANO NOVO!!!!!
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Os meus amigos mais chegados já conhecem estes votos de cor, mas podem ter certeza que estes votos permanecem sinceros...
31 Insone.
Minha última insônia do ano! Não sei se comemoro ou se xingo. O pior na insônia não é estar acordado, é ouvir a casa toda dormindo: os roncos, a respiração pesada, os sussuros de sonhos, os movimentos bruscos na cama. É essa inveja dos sonolentos que torna as noites mais longas. Cada detalhe é um incômodo. Em algum lugar no condomínio, alguém assite tv. Consigo ouvir daqui. Ou pode ser também que não está assistindo nada, que está escornado no sofá enquanto a tv continua ligada.Tem gente que só consegue dormir assim. Se eu fizer isso, vou prestar atenção no programa até o final ou terei sonecas rápidas com sonhos estranhos inspirados pelo que ouvir. Em qualquer dos casos, vou amanhecer exausto. Tem um ordinário queimando um incenso fedido em algum apartamento também. A catinga está invadindo meu quarto. Se fechar a janela, vou assar. Se mantenho aberta, essa fumança fedorenta me defuma. Dúvida infeliz! Sou calorento e tenho um olfato super apurado. Castigo duplo. Era só o que me faltava! Nunca gostei de incensos. Na minha vida toda só encontrei um cujo aroma me agradou, mas não sei o nome até hoje. Com certeza não é esse que algum infeliz decidiu acender esta noite! Ele deve ter comprado esse por um real ou menos, ou feito o seu próprio a partir de estrume de algum animal doente. Com certeza isso espanta os maus espíritos, até eu estou com vontade de sumir com esse fedor... Ninguém merece!Na rua ouço passos. Deve ser mulher (ou uma Drag-Queen), está de salto-alto. Barulho de chaves encontradas na bolsa, junto com mil outras tralhas. Sobe a ladeira. É pobre e feia, na certa. Chegou uma hora dessas de ônibus e ninguém a trouxe em casa. Não veio do trabalho, não com esses saltos. E pela hora (quase duas da manhã) ou saiu de de encontro fracassado ou vai ter de acordar cedo amanhã. Os passos se afastam ate desaparecerem. Seria silêncio se não fosse pelo cérbero que o vizinho cria. O bicho late a noite toda feito louco. Os cães das cercanias respondem de onde estão. O meu resmunga no andar de baixo, mas volta a dormir. Será que é uma convenção de cães agora? Era só o que me faltava! Finalmente a discussão termina. Os outros cães se calam. Somente o cérbero insiste...
Tento ler alguma coisa. O sono brinca comigo, é só eu afastar o livro que ele se afasta também. As pálpebras estão pesadas. Pensamentos entorpecidos. Devia tentar ler a Bíblia, aí até o diabo teria interesse em me ajudar a dormir. Eu sei é um pensamento terrível, mas é o desespero do momento. A sinfônica do sono continua vindo dos outros quartos, ainda há uma tv ligado e um incenso fedido em algum lugar, o cérbero do vizinha ainda ladra... Vontade de jogar veneno para este cão estúpido. Agora me dou conta que a maioria dos assassinatos é premeditado em noites insones. Consigo até enxergar o corpo do boxer-cérbero com as patas esticadas, pelo sem brilho, língua para fora e dentes meio à mostra, os olhos vítreos. O pior é a sensação de prazer que dá imaginar isso... A insõnia nos faz menos compreensivos e misericordiosos.
Seguindo a idéia do vizinho, ligo a televisão. Não há nada que preste! Tv a cabo é pagar para ter mais opções de merda alguma! Penso em ligar o Play Station, mas estou com desânimo de conectar os fios atrás da tv. Amanhã tenho de lembrar de comprar o aparelho com a chave DVD-Game! Amanhã, não... Hoje! Ainda não dormi. Continuo aqui ouvindo o sono familiar, a insônia dos vizinhos, o cão cérbero. Na rua passa um boyzinho ouvindo funk no último volume. A potência das caixas de som dos carros é sempre inversamente proporcional ao bom gosto do proprietário do veículo. Podem reparar... Que falta que faz eu não ter uma granada ou uma bazuca numa hora dessas!
Arrastadas, as horas passam. Logo a manhã começa a clarear o quarto com o canto dos pássaros e meu par de olheiras. O despertador toca. Entram no quarto e me perguntam se ainda vou dormir mais.
Ainda tenho de dizer "Bom dia"? Mas que *%@#*&¨!!!!!!!!
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