25 junho 2010

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O frio chegou a Curitiba outra vez. As temperaturas têm se mantido baixas na maioria dos dias, com poucas exceções. As costumeiras feirinhas de estação já aparecem nas praças oferecendo seus artesanatos e guloseimas. O aroma convidativo do quentão de vinho já pode ser sentido nas ruas no fim do dia. Nada a reclamar. Eu adoro o frio. Come-se e dorme-se melhor. Os agasalhos dão uma impressão mais charmosa e adoro ver as bochechas rosadas de frio das loiras que desfilam pela XV de cachecol e óculos escuros.

Tenho trabalhado demais. Talvez até em excesso. Para pagar as folgas dos jogos do Brasil foi feito um sistema de compensação de horas. A hora extra acrescida à jornada parece passar numa velocidade diferente das trabalhadas normalmente... Bem lentamente. Chego em casa esgotado e, como chego mais tarde, tenho a impressão de que o dia não rendeu. Claro que há dias em que chego empolgado. Esta semana tive varias noites de empolgação. Em uma delas, abri uma garrafa de vinho barato, coloquei Chico Buarque para tocar e fui para o fogão. Não cozinhei nada de especial. Batata sautté (receita que minha irmã me ensinou certa vez por telefone), arroz com sálvia e um lombo picante com cenoura. Comida simples. Mas as fervuras e aromas que se desprendem das panelas parecem agir como um lenitivo para mim. Caminhadas me fazem pensar em muitas coisas. Cozinhar, não. A culinária é um ritual libertador no qual os problemas e preocupações se afastam durante a execução. Cozinho fazendo segunda voz com a música que estiver ouvindo, conversando sozinho e dançando com panelas... Só não gosto de lavar a louça depois, ainda mais no frio... A vantagem de morar sozinho é que a louça pode esperar na pia indefinidamente por dias mais quentes, mais disposição ou quando a necessidade de alguma panela obriga a lavagem... Nenhuma voz para reclamar, nem nenhuma mão caridosa para fazer a louça suja desaparecer...

Domingo, na Redentor, encontrei com um dos meninos que dividia apartamento comigo e ele me disse que eu tinha de ir na casa nova deles para cozinhar, porque ele estava com saudades da minha comida. Fiquei feliz e lisonjeado. Quem diria que o Luciano que chegou a Curitiba, mal sabendo fritar um ovo, pudesse chegar a cozinhar algo digno de dar saudade a alguém um dia? Surpresas da vida! Tive bons mestres na cozinha: Aline Marques, o Lucas, o Joe, a Man’s Health e o Google... Teve receita que deu muito certo e consegui repetir e tiveram outras que deram muito erradas e não falei para ninguém... Ossos do ofício.

O Sérgio está morando em Curitiba. Já até fizemos um pequeno churrasco em seu apartamento depois de eu ajudá-lo na mudança que tinha trazido de carro. O restante só veio de caminhão depois... Ensinei a ele e à Ana a comerem pão d’água e os fiz provar o quentão daqui. Curitiba aos poucos está ganhando novos mineiros. Vai ser bom tê-lo aqui. A Aline Marques me falava, quando eu morava em BH e ela aqui, que sentia falta de ter um ponto de referência nas histórias que contava, uma testemunha que conhecesse algo sobre os fatos, os personagens, os lugares ou as situações e pudesse rir e entender tudo. Sei como ela se sentia. Mudar para uma nova cidade faz a gente se sentir meio perdido a princípio. Ter o Sérgio aqui vai me ajudar a ter um pouco mais de “chão” e poderemos nos apoiar mutuamente. Vejo a mão de Deus por trás da chegada dele a esta cidade, principalmente depois de ter deixado BH para ir morar em Goiânia e ter vindo parar aqui no Sul de forma tão inesperada.

Mês que vem volto a estudar. Vou fazer administração. Estou ansioso. Vai ser duplamente benéfico: primeiro porque vou fazer algo de útil com minhas noites além de ler, jogar no computador ou matar o tempo; segundo porque terei a oportunidade de conhecer gente nova e sair um pouco do circuito trabalho-igreja-forró. Meu leque de relacionamentos vai se abrir um pouco mais. Estou mesmo precisando de uma oxigenação do meu círculo de amizades. Em BH, em encontrava no forró gente de igrejas, da velha escola ou da universidade. Sempre havia alguma surpresa. Aqui eu encontro no forró o povo do forró, na igreja os amigos da igreja e no trabalho os colegas de escritório. Sempre as mesmas rotinas, as mesmas conversas... Estou na expectativa de alguma novidade interessante. É esperar para conferir e orar para que tudo dê certo.

Deus continua cuidando de mim. Sempre de formas inusitadas e diferentes. Movendo corações, obstáculos e me protegendo das mais diversas formas. É mais fácil depender Dele quando não se tem ninguém mais por perto. É uma afirmação pobre de espírito, eu sei. Mas o ser humano é assim mesmo: aparece a dificuldade e pensa em desabafar com o melhor amigo, a namorada, o cônjuge, o terapeuta... Deus sempre fica como último da lista. A solidão, positivamente, ensina a dependência e o consolo que muitas vezes não se pode experimentar de outra forma. Eu tenho aprendido muito em minha jornada solitária aqui no sul.

Fico por aqui. Amanhã a labuta começa cedo. Provavelmente vou abrir a janela e ver a neblina sobre a mata, poeticamente. Tomar meu cappuccino matutino quente, acompanhado de broa preta com geléia e creme de leite, em pé na porta de casa, ouvindo os pássaros piando das árvores. Aí é arrumar o cachecol, colocar os óculos escuros e pegar o ônibus com algum livro como companheiro de viagem e começar tudo outra vez...

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