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01 fevereiro 2010

Uma Religião de Aparências...


Quando o "parecer" se tornou mais importante do que o "ser" dentro dos templos cristãos...

Por muito tempo lutei para me manter o mais puro possível e fracassei. Eu vivia de recordes, como os Alcoólatras Anônimos ou outros grupos que ajudam pessoas dependentes de tantas coisas. Eternamente contando: “Estou há Três dias sem pecar”. Como se eu fosse perfeitamente capaz de contabilizar todos os meus pecados. Ignorando que não consigo distinguir todos os meus erros. Às vezes esse aparente estado de beatitude durava um bom tempo, semanas, meses... Até um deslize acontecer e a casa cair. Aí eu me sentia o pior dentre todos os homens! Havia aprendido que Deus não envia tentação que a gente não pode suportar. Lembro-me da minissérie “Hilda Furacão”, inspirada na obra de Roberto Drummond, havia um frade que vivia às voltas com a tentação, encantado pela bela Hilda interpretada por Ana Paula Arózio. Não era para menos, com aqueles olhinhos azuis e rostinho de criança, ela era mesmo uma tentação com “T” maiúsculo. O Frade não podia avistar a garota que, algumas cenas adiante, lá estava ele em sua cela chicoteando as próprias costas para conter a carne de seus desejos pecaminosos. Na época eu achava aquilo uma ignorância. “Quanta cegueira!” – eu pensava “Não conseguem entender que Cristo já morreu pelos nossos pecados?”. Agora fico pensando: Eu e aquele frade temos muito em comum. Nunca me auto-flagelei, ao menos não abertamente, mas meu princípio de compensação era o mesmo do frade. A compensação é uma negação da graça. Se devo me tornar penitente por um pecado, estou compensando o mal cometido. Eu pago por algo que fiz. Graça é quando se é obrigado a pagar por algo, mas misericordiosamente o pagamento é perdoado ou pago por outro. Se eu caía em tentação, fazendo algo que eu tinha convicção de estar errado, tinha um sistema pronto para fazer as pazes com Deus: fazia um jejum. Ora jejuar é uma forma de auto-flagelação também, dependendo do que nos leva a jejuar. Se for uma forma de se mostrar dependente, reconhecer a pequenez ou louvar a Deus, tudo bem, mas se eu faço isso para mostrar ao meu corpo que ele deve sofrer para “ver quem que manda nessa joça aqui...” e não repetir o mal feito, então o frade e eu estamos no mesmo caminho... A verdade é que a lógica da compensação é comum dentro da igreja e motiva as atitudes de muitos crentes sinceros que sequer desconfiam que estão barateando a Graça de Deus.

É preciso entender que nossa fraqueza é o melhor território para a ação do Espírito Santo. Quer dizer que temos de ficar sempre debilitados espiritualmente? Não, de forma alguma! Isso significa que devemos suportar e entregar nas mãos de Deus... Aonde as nossas forças chegam ao fim, começa o poder Dele. Paulo recebeu esse princípio do Senhor e deixou registrado em sua segunda epístola aos Coríntios (12:9) “mas Ele (o Senhor) me disse: ‘Minha Graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’”. É como Pedro andando sobre as águas (cf Mt 14:22-33, Mc 6:45-56, Jo 6:16-24): Devemos fixar os olhos em Jesus e prosseguir firmes. Se pararmos para olhar onde pisamos iremos afundar e até nos afogarmos. Nossa caminhada sobre as ondas deve ser focada em ir de encontro a Cristo atendendo ao Seu chamado. Se nos atrevermos a arriscar passos por nós mesmos, fatalmente seremos engolidos pelas ondas. Jesus sabe que, muitas vezes, ficaremos tão maravilhados com milagre a ponto de tirarmos o olhar Dele. É nessas horas, em que fraquejamos e o mar ameaça nos tragar, que Ele nos estende a mão para nos colocar novamente de pé acima das ondas. O próprio Jesus advertiu que seguí-lo era algo que exigia ter os olhos Nele continuamente ao dizer “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus”.(Lc 9:62, mas leia dos versos 57-62 para melhor compreensão do texto).

Talvez a maior dificuldade da igreja de hoje seja sofrer de “olhos inquietos”. Há muita coisa para distrair nosso olhar! Reparamos em tudo: o modo como as outras pessoas se vestem, falam e comportam. Admiramos extasiados a cada movimentação diferente à nossa volta, atraídos por modismos e novidades como mariposas em direção às chamas. Nosso olhar tudo julga, tudo observa e está em todos os lugares, exceto onde deveria estar: fixo no Senhor. É interessante notar que “olhos inquietos” é uma característica da infância! Um bebê observa todas as coisas à sua volta, sorri para coisas que ninguém mais vê, exceto eles mesmos. Diverte-se com objetos coloridos. Isso ocorre porque o mundo deles ainda está sendo descoberto. O adulto escolhe a direção de seu olhar. Maturidade envolve saber em quê focar em detrimento de muitas outras opções. O cristão maduro não se deixa distrair de sua vocação, mas faz uma única coisa: esquecendo-se de tudo que para trás fica e avançando para o que está adiante, prossegue para o alvo, a fim de conquistar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus. (Fp 3:3,14). E nossos olhos inquietos são facilmente enganados pelas aparências. Preferimos os “mais comportados”, mais apresentáveis... Até mesmo o hábito de pastores usarem terno e gravata para subir nos púlpitos mostra essa necessidade de criar uma casca de respeitabilidade. Basta um domingo sem paletó ou gravata em algumas igrejas para que os mais tradicionais torçam os narizes e questionem a autoridade do ministro. Isso mesmo: amamos uma autoridade encenada, carente de símbolos e representações. Confundimos ousadia com gritaria e unção com manipulação de emoções. O que realmente gostamos é de um belo show dominical! Vejam só o que o cristianismo virou! Depois de derramar tanto sangue de mártires nas arenas do mundo, montamos nosso próprio espetáculo dentro dos templos e todos os dias entregamos alguns à morte ao darmos valor a detalhes, ao mover das ondas, e tirarmos os olhos de Cristo... Freqüentei por muito tempo uma igreja na qual ocorreu algo que me fez pensar. Com a aproximação do Natal, os adolescentes montaram um musical, como de praxe. No dia da apresentação, igreja lotada, uma mendiga estava deitada à porta da igreja bem na hora do culto. As roupas sujas, uma meia calça usada como touca na cabeça escondendo os cabelos ensebados, estava deitada ali como se houvesse sido jogada por alguém, como um resto de gente. Eu particularmente achei desagradável e um absurdo que nenhum diácono tenha cuidado de retirá-la dali: a garota poderia ser perigosa, drogada ou, na melhor das hipóteses, atrapalhar o andamento normal do culto. Depois de um tempo, um diácono mais corajoso tentou movê-la de seu lugar. Houve uma breve agitação de braços e pernas e, provavelmente temendo um escândalo, ele se afastou, mas nem participou direito do culto auto-incumbindo-se de “cuidar” da mendiga. No final do culto, à hora do apelo, vi a moça levantar-se e caminhar até a frente chorando... Ela subiu no altar e o diácono quase teve um enfarto ao vê-la remover a touca e passar um pano molhado no rosto. Ela era uma de nossas adolescentes! Fazia parte daquele musical a experiência de disfarçar-se e ficar à porta do templo, para ver e provocar a reação das pessoas. Nem sequer a olhamos com atenção para descobrir-lhe a identidade. Tive vergonha de mim mesmo enquanto ela falava que ninguém a havia amparado, que alguns haviam insinuado que ela estava bêbada ou drogada e que outros apenas falavam “Coitada” e passavam de largo. Jesus resumiu a lei e os profetas em dois mandamentos: “Amarás ao Senhor teu Deus (...) e ao teu próximo como a Ti mesmo”, sendo assim, podemos concluir que o pecado é sempre uma falha de relacionamento ou com Deus ou o próximo. Langston fala em seu "Esboço de Teologia Sistemática" que o "pecado é um estado mal da alma gerado pelo egoísmo".Concordo com ele. O egoísmo nos deixa tão preocupados com nossos próprios desejos e caprichos que o que Deus acha ou o que nosso próximo precisa torna-se supérfluo. Perdemos a chance de desenvolver relacionamentos produtivos para assegurar a soberania de nossa individualidade. É válido pensar que dentro de nossas igrejas hoje temos reduzido o relacionamento com Deus a ritos, celebrações e encenações vazias ao mesmo tempo em que a comunhão entre os membros da igreja se esfria em relações que levam em conta quase sempre a utilidade ou a aparência das pessoas. A igreja primitiva de Atos era bem diferente! Os crentes tinham tudo em comum porque se preocupavam uns com os outros e tinham um relacionamento sadio com Deus. Hoje até mesmo o modo como os crentes se relacionam com Deus está contaminado pelo utilitarismo e interesse pessoal. Pastores não pregam mais buscar ser “amigo de Deus”, como Abraão foi, ou “andar com Deus”, como Enoque andou. Não dá IBOPE! Preferem proclamar um Deus que dará dinheiro, poder, inserção no mercado de trabalho, status social e saúde como se esses fossem seus atributos mais importantes, assim criam um rebanho de seguidores estimulados a amar a Deus pelo que podem obter Dele e não pelo que Ele é! Lendo a história de Jó, penso que o discurso que é ensinado em muitos púlpitos tem mais a ver com a visão do diabo neste livro do que com a de Deus. A provação de Jó foi um teste motivacional, basicamente o diabo insinuou que Jó só servia e amava a Deus porque Deus o abençoava de todas as formas, que se Deus não o abençoasse, ele deixaria de amá-Lo. Em outras palavras, o diabo alegou que a criatura só se aproximaria do Criador movida por interesse e não por amor, a mesma postura que muitos pregadores incentivam ainda hoje.

Outro conceito que tem sido distorcido é o de santidade. A santidade no texto bíblico também é definida por relacionamento. É porque um objeto é usado por Deus que Ele se torna “Santo”. Santidade é a “separação para o uso de Deus”, é estar “preparado para relacionar-se com Ele”, e não significa “alienação”, como muitos sugerem. Vale lembrar que Jesus é Santo e, em seu período na Terra, viveu rodeado por pessoas que muitos crentes de hoje sequer cumprimentariam nas ruas com medo de darem “mal-testemunho”. A santidade que temos em mente e praticamos está sempre vinculada à aparência. Talvez seja uma herança inconsciente das pinturas que mostram homens piedosos e santos com auréolas douradas nas frontes. Entretanto, isso não é santidade de verdade! A Santificação genuína ocorre de dentro pra fora, não o inverso. É fruto de um relacionamento com Deus, de intimidade, sob a ação do Espírito Santo. É essa intimidade que vai produzir a verdadeira Santidade em mim. A santidade que é somente aparente foi condenada por Cristo nos fariseus. Os fariseus foram os que valorizaram os detalhes ritualísticos e se esqueceram do relacionamento íntimo com Deus e com o próximo! Mais do que somente ser santo por fora, um “sepulcro caiado”, Jesus nos chama quando vivermos uma mudança verdadeira, através de relacionamentos genuínos. Quando Cristo fala “Aquele que vem a mim de maneira alguma lançarei fora”, o tempo presente do grego indica uma ação contínua, seria melhor traduzido como “vem vindo a mim, aproximando-se de maneira constante”, indicando um processo. O relacionamento é uma caminhada diária, um passo de cada vez, com olhos fixos em Cristo e um rastro deixado para trás. Por isso Paulo fala aos tessalonicenses para “orar sem cessar”. A oração é um diálogo! É alguém se aproximando de Deus e experimentando um relacionamento com Ele! As cartas às 7 igrejas da Ásia em Apocalipse também mostram essa necessidade de "persistir" no Senhor. As promessas são sempre "ao que vencer", "ao que PERMANECER fiel". É uma jornada de intimidade. Intimidade nasce de relacionamento constante. Quando Cristo fala que no dia do Juízo muitos se aproximarão Dele chamando-O de Senhor e dizendo que haviam profetizado, expulsado demônios e falado em outras línguas e que Ele dirá que nunca os conheceu, a palavra grega é ginosko. A mesma presente em “ginecologia”. O termo Ginosko (“eu conheço”) carrega o sentido de “eu tenho intimidade com”, “eu me relaciono intimamente com”, por influência desse sentido que ter relações sexuais aparece em várias passagens como “conhecer” a esposa ou o marido, Cristo quis dizer que muitos se enredariam apenas na ritualística, na liturgia e conhecimento teórico religioso e que isso não é suficiente. O plano de Deus através de Jesus é de restaurar-nos ao relacionamento com Ele, como filhos. Fomos criados para isso. Os crentes de hoje costumam crer que o inferno será terrível por causa da ilustração das chamas, do ranger de dentes e vermes. O pior no inferno será que Deus não estará lá! O homem foi criado para experimentar um relacionamento íntimo, de Pai e filho, com seu Criador. Altares em todas as culturas humanas servem como prova que o homem sente saudades de seu estado inicial de paz com Deus. A religião foi inventada pela ânsia da alma humana de entrar em contato novamente com Aquele que a criou. O inferno será onde o homem se dará conta que estará eternamente privado de realizar o propósito para o qual foi designado. Será uma frustração eterna e sem volta! Haverá tristeza maior do que essa?


Que este texto sirva para abrir nossos olhos e mentes... Tomara que estes questionamentos nos levem à reflexão e mudança.

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Olhando em meus backups pessoais no HD externo achei este texto que escrevi em 03/10/2006 e resolvi postá-lo aqui. Ainda vou fazer algumas modificações, mas achei por bem publicá-lo antes que o perdesse de novo.

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TAGS: santidade,vida cristã, pecado, religião, aparências

21 novembro 2009

Pobre Horário Nobre

Sobre a presença evangélica na televisão brasileira



"Para que tanta TV, tanto tempo pra perder
Qualquer coisa que se queira, saber querer"
- Samuel Rosa e Chico Amaral -
(trecho da música "Pacato Cidadão", da banda mineira Skank)

Tenho gasto pouco tempo com televisão. Sei que a TV paga é uma ilusão... Quantos fins de semana eu já passei com o controle na mão mudando de canal sem achar nada que prestasse nos "trocentos" canais assinados? Ás vezes salvava um filme, um seriado, um desenho. Outras eu acabava assistindo novamente um dos meus próprios DVDs. Mas a TV gratuita me desespera ainda mais que a paga porque as opções são mesmo limitadíssimas, principalmente opções saudáveis. Sobram programas de auditório e novelas sem nada de bom a acrescentar e falta uma programação que mude alguma coisa ou, pelo menos, levante questionamentos produtivos. No segmento de programas religiosos não é diferente. Chama a atenção a quantidade de pastores com seus programas no ar. Grandes quantias de dinheiro são gastas (e ganhas) através deste veículo de comunicação. As igrejas que mais crescem (pelo menos financeira ou numericamente) têm seus próprios horários na telinha, algumas várias vezes por semana. É algo que deveria, no mínimo, levantar alguns questionamentos: Qual o verdadeiro objetivo de cada programa destes? Será que Cristo é pregado de maneira clara e eficaz através deles? Será que todo o investimento e trabalho por trás é visando realmente fazer bem a quem assiste e levar pessoas a uma comunhão melhor com Deus e ao conhecimento pleno de Cristo? Esses programas têm sido planejados e exibidos para a glória de Deus ou para o engrandecimento de egos de homens religiosos? Historicamente a obra de Deus eficaz sempre foi levada adiante no "corpo-a-corpo" missionário. Pessoas simples, leigas, vivendo em comunhão com Deus em seu dia a dia e levando a mensagem do evangelho como um testemunho vivo. Dentre os discípulos e apóstolos também vemos isso. Paulo e Lucas, os mais instruídos, eram as exceções. A maior parte dos primeiros seguidores de Jesus vinha das camadas menos favorecidas da sociedade. Eram pescadores, coletores de impostos, putas e párias de todo tipo. Usaram todas as ferramentas que dispunham na época para levar a mensagem. Felipe pregou para o etíope enquanto caminhava. Pedro e Tiago usaram seu prestígio judaico nas sinagogas e em grupos de judeus. Paulo escrevia cartas doutrinárias interpretando a Antigo Testamento à luz da vinda de Cristo e do Espírito Santo. Mas há algo que era regra de ouro entre eles: Todos apontavam para Cristo. Mesmo que houvesse algumas diferenças a serem discutidas e tratadas, a principal intenção era que o evangelho de Cristo de tornasse conhecido e Deus recebesse toda a glória devida a Ele. O que presenciamos hoje pela TV é algo bem diferente. Há um desfile de egos inchados que se auto-intitulam “apóstolos e bispos”, numa tentativa ensaiada de convencer que são mais ungidos ou abençoados que os demais. Ninguém mais quer ser chamado de pastor ou sequer de irmão. Apresentam-se com uma hierarquia cada vez maior tentando obter reconhecimento de que contam com alguma simpatia peculiar do Alto. Não me admira se logo aparecer alguém clamando o título de “vice-deus”. As igrejas por trás dos programas mostram sinais desta megalomania até em seus nomes, são sempre “internacionais”, “mundiais”, “universais”, com algum líder que conta com o favor especial de Deus para operar qualquer tipo de milagre, sempre pregando na mesma entonação de voz e usando o mesmo jargão. É um tanto perigoso ouvir esses tais e não passar nenhum filtro pelo que dizem. Temos de criar o hábito de por à prova todas as coisas, mas reter somente o que é bom. (I Ts 5:21). Pensando nisso, vamos refletir um pouco sobre esses programas, seus conteúdos e apresentadores. Quando o assunto entra em voga, os ânimos geralmente se alteram. Esses cristãos televisivos não sabem discutir idéias. Preferem taxar os que pensam diferente ou não concordam com seus métodos e mensagens como “hereges” e carentes de um relacionamento verdadeiro com Deus. Ou então, sem perceberem que estão se divinizando com essa atitude, acabam acusando os outros de irem contra o próprio Deus, como se o Todo Poderoso precisasse de defesa humana.

Tenho de deixar claro, em primeiro lugar, que não sou contra programas de TV de cunho religioso. A transmissão de cultos online, por exemplo, é uma ótima ferramenta de ensino e evangelização em países onde a perseguição ao cristianismo é intensa ou em situações onde alguém não pode comparecer ao templo, mas deseja ardentemente participar do serviço. Além do mais, acredito também que os valores cristãos devem ser estimulados e ensinados por qualquer meio disponível e que o evangelho (as boas novas a respeito da nova vida em Cristo) deve ser pregado "a tempo e fora de tempo". A questão é que na maioria dos programas que encontramos hoje, o que é pregado é um evangelho estranho e místico, cheio de rituais, palavras de poder, sinais e prodígios, porém fraco de embasamento bíblico. O Deus que se revelou plenamente na história através de Jesus Cristo é apresentado envolto em mistérios e supertições. Teologias fracas e há muito refutadas e desmascaradas como enganosas, são anunciadas como se fossem as últimas revelações do Altíssimo e servem de pano de fundo doutrinário para justificar extravagâncias que muitas vezes até vão contra a Palavra de Deus. Para citar algumas delas, lembremos das frases de efeito da Teologia da Confissão Positiva, concedendo aos homens a ilusão de poderem comandar Deus através de comportamentos e frases feitas. “Determine! Exija! Ordene!”. Colocando os desejos e a vontade humana acima da Soberania do Eterno. Esquecem-se que um deus que se manipula e controla, um deus que atende a qualquer pedido baseado num sistema de retribuição, um deus “domesticado” – como diria C. S. Lewis - deixa de ser o Deus Onipotente, Onipresente e Onisciente. Deus não é um tipo de gênio da lâmpada, escravo da vontade de homens. Há os que dizem que o porquê disso tudo é Deus estar obrigado a agir se usarmos Sua Palavra a nosso favor. “A nosso favor e contra quem?” Será que Deus deixou a Bíblia para que se tornasse vulnerável? Se a abordagem não estiver na manipulação divina direta, mas no poder implícito das próprias palavras, que diferença terá em crer na Bíblia e crer na feitiçaria? Que diferença há entre dizer “abracadabra” e dizer “Eu determino”? O que o feiticeiro busca é justamente controlar o sobrenatural (e eventualmente o físico) através de palavras e rituais. Será que os adeptos desta teologia não percebem que estão seguindo a mesma linha? A situação, o objetivo e o efeito são os mesmos. O nome disso é magia, não evangelho! Há também a Teologia do Domínio que reza que uma nação precisa de “homens de Deus em posições de autoridade” para ser abençoada, muita utilizada por líderes religiosos com ambições políticas. Se isso fosse verdade, os EUA não teriam seus problemas de racismo, pobreza e consumismo vazio que nenhuma política até hoje foi capaz de suplantar, apesar de vários presidentes terem sido protestantes. Só para ilustrar, basta pensar nas gafes e besteiras feitas por Bill Clinton e George Bush, batistas de carteirinha desde pequenininhos. Houve diferença real? Foram governos 100% abençoados e bem sucedidos? Será que os EUA foram orientados por Deus em sua ofensiva no Iraque? Desconfio que não... A Teologia do Domínio prega que líderes cristãos no poder iriam automaticamente resultar em melhores condições de vida, em paz, prosperidade e produzir sociedades mais justas... Será que é isso o que acontece? Uma breve análise bíblica revela a fragilidade desta crença: o Deus da Bíblia assumiu abertamente a responsabilidade por endurecer o coração do faraó no tempo de Moisés (Ex 4:21), é conhecido em Provérbios 21:1 como um Deus que “inclina o coração do rei conforme lhe apraz” e que se referiu ao rei pagão Ciro como “meu pastor” e “meu ungido” (Is 44:28/ Is 45:1 ). Deus usa quem quer e quando quer. É muita pretensão alguém se achar mais apto ao exercício da vida pública apenas pela fé que professa. Os nomes de Daniel e José do Egito, tão citados pelos defensores desta linha teológica, são dignos de destaque nas Escrituras justamente por ser exceção num sistema corrupto, não a regra. A Teologia da Prosperidade é outra ideologia recorrente, talvez a mais conhecida, transformando Deus num fornecedor sempre eficiente de bens de consumo e criando uma geração de fiéis apaixonados pelo próprio umbigo, exigindo a satisfação de seus desejos enquanto berram que são “filhos do rei”. O mundo espiritual segundo esta crença é uma espécie de Shopping Center no qual a moeda é a fé, um sacrifício, ou até dinheiro mesmo. Desconhecem o sentido da Graça. Se no passado os católicos vendiam terrenos no céu, hoje vemos pregadores negociando curas, libertação de vícios, expulsão de demônios, sucesso no amor ou nos negócios e boa vida. Alguns dizem que ela é uma resposta à Teologia da Libertação, que prega engajamento político e ação prática numa tentativa de criar uma sociedade igualitária e mais justa, o Reino dos Céus na Terra. Também usada por extremistas em benefício próprio para justificar atos de vandalismo e ocupação de propriedades alheias. É preciso ter os olhos abertos. Nem tudo o que reluz é ouro. Um pedaço de isopor pintado de dourado não se transforma em metal precioso por causa da tinta. Um erro disfarçado de verdade, por mais belo ou certo que pareça, continua sendo um erro. Se temos a Bíblia como regra de fé e prática, é preciso que passemos nossas experiências e crenças pelo crivo dela, não o contrário. O que se vê hoje é que se há o aparecimento de alguma novidade no meio evangélico, uma série de “doutores da lei” a acompanha se esforçando para justificar ou explicar biblicamente suas práticas, mesmo que para isso seja necessário torcer versículos e textos inteiros fora de seus contextos e interpretações mais coerentes. Devemos ser como os cristãos de Beréia (Atos 17:11), conferindo nas Escrituras tudo o que nos é ensinado, seja nos púlpitos ou nas telas. Não é porque algo funciona, ou porque soa miraculoso e sobrenatural que deve ser aceito indiscriminadamente como vindo de Deus. O apóstolo Paulo adverte: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. (maldito)” (Gálatas 1:8). Podemos ainda lembrar sobre as advertências de Cristo a respeito de profetas operando maravilhas e aparentando uma vida espiritual de sucesso, mas que nunca O haviam conhecido de verdade (MT 7:21-23).

É preciso prestar atenção também nos homens e instituições por trás dos programas. A principal preocupação destes é trabalhar pelo Reino de Deus na terra ou na promoção de seus próprios líderes, segmentos e doutrinas? A temática e principal razão dos apelos é feita com base na mudança de vida ou com a finalidade de arrecadar mais e mais dinheiro? A mensagem de João Batista era “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus”(MT 3:2 / MC 1:4 / LC 3:3-8). Cristo, em seu ministério terreno, expulsou demônios, curou enfermos e ensinou a Palavra, mas sua mensagem mais constante foi a de arrependimento (LC 15:7,10,31 / LC 24: 47). Os discípulos e apóstolos seguiram a mesma linha (AT 11:18 / 20:21). A igreja do nosso tempo prefere outra temática. Enquanto as instituições e os homens tirarem o foco do que devia ser o principal para obterem lucro, poder e prestígio, o Reino de Deus acaba ficando esquecido. O dinheiro é algo bom, mas o amor ao dinheiro é ruim. Ele deve ser um meio, não um fim. Se não for encarado somente como uma ferramenta, acaba se tornando um ídolo. Como é utilizado o dinheiro arrecadado? Missões? Ação social? Há a preocupação de se fazer diferença não só espiritualmente, mas também socialmente? Obras não salvam ninguém, mas a Bíblia diz que a fé sem obras é morta. (Tiago 2:14-18). Tiago diz: “A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tiago 1:27). A verdadeira obra de Deus transcende a construção de mega templos faraônicos. Mais do que dar boa vida a ministros e seus assessores deve levar arrependimento e mudança de postura para que mais pessoas possam experimentar a Vida Abundante em Cristo. Mas infelizmente, o que vemos é uma turba de ministros que se julgam muito bem sucedidos enquanto celebram e ensinam seus fieis a dançarem freneticamente em volta do bezerro de ouro.

Há quem defenda com unhas e dentes que a grande vantagem de programas de rádio e televisão é o alcance. É comum ver apresentadores e mantenedores deste tipo de empreendimento se gabarem de cifras como “100 mil ouvintes” ou “mais de um milhão de telespectadores em todo o Brasil”. O problema é que os números não são tão convincentes assim. Os programas de rádio e televisão costumam passar uma falsa impressão de alcance. Mesmo se as estatísticas puderem ser confiáveis, é fato de que “programa de crente é ouvido por crente”, em sua maioria. De que adianta criar um programa evangelístico que só é ouvido por quem já ouve a Palavra pelo menos uma vez por semana? Pescar no próprio aquário é desperdício de recursos, deveríamos visar as águas profundas do mar imenso que é o mundo. Talvez o dinheiro fosse melhor empregado se usado na capacitação, envio e sustento de missionários. Conversando com um pastor amigo e professor de seminário, ele me disse que uma vez fez as contas e com o dinheiro gasto com determinado programa de grande audiência na época, dava para sustentar pelo menos 5000 missionários no campo. O problema é que o trabalho missionário não dá IBOPE. Os heróis da fé serão reconhecidos na eternidade. Ou então virarão biografias desafiadoras depois de mortos. Poucos são os que querem trabalhar sem ver, nesta vida, os louros da fama. É mais gostoso ser um rosto em close na telinha, todo maquiado e no melhor terno, do que comer iguarias estranhas ou desempenhar tarefas triviais para se inserir numa outra cultura. O cristão anônimo, o servo que faz seu trabalho a Deus fora dos holofotes, é depreciado pela cultura evangélica contemporânea. Algumas igrejas gastam fortunas para manter no ar cultos semanais e até diários, e apenas uma parte ínfima da entrada é revertida em missões. E pior, ainda formam uma geração inteira de acomodados que passa a acreditar que o “IDE” de Jesus pode ser substituído por outros verbos e expressões, como “Pague para alguém ir”, “ore por alguém que foi”, “Mantenha nosso programa no ar e o divulgue”. Gente que nunca teve coragem de falar de Jesus faz propaganda com orgulho do culto na TV e se sente como se tivesse cumprindo sua missão como evangelista. “IDE” é imperativo de ir! Pouca importa se é para a África, a Europa, uma tribo na Amazônia ou no apartamento da vizinha. “IDE” é para todos os crentes, em qualquer lugar... no elevador, no ônibus, no trabalho, no mercado, no barzinho. Há ainda a possibilidade dos programas não visarem evangelismo, mas “crescimento na vida cristã”. Se este for o caso, que as mensagens sejam mesmo nesse sentido, que falem sobre coisas que levem os crentes a pensarem na relevância de sua vida espiritual e em como podem ser mais produtivos para o Reino de Deus. Não leva a lugar algum difamar o pastor da igreja “concorrente” (ou de outra denominação) em horário nobre... Ou alimentar discussões teológicas intermináveis e sem sentido. Ou colocar no ar jogador de futebol ou ex-ator global falando besteira com cara de entendedor... Que os programas sejam realmente edificantes e não apenas mais uma opção de entretenimento compatível com as crenças do público evangélico emergente.

Conhecer a verdade liberta, mas a busca da verdade é uma jornada individual. É uma responsabilidade de cada um diante de Deus. Não sejamos manipulados. Dentre todos os dons que Deus nos deu, uns supervalorizam as línguas, outros as curas, sinais e todo o sobrenatural, mas um dom sublime tem sido negligenciado: a inteligência. Crer é também pensar.

Comecei o texto com um trecho de uma música secular. Sei que isso causará arrepios em alguns leitores. Só quero que reflitam... O mundo está clamando. Até quando nos desviaremos do verdadeiro IDE para ficar falando besteiras, discutindo posições doutrinárias, ou promovendo homens e instituições que passarão em vez do Evangelho Eterno e Incorruptível? Se não pregarmos, as pedras pregarão... Se um dia precisar chegar a este extremo, tomara que elas não tenham o mesmo gosto por ouro e poder que nós humanos cultivamos...

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Nota importante: Não sou contra os programas de televisão religiosos, o objetivo do texto é gerar reflexão sobre a relevância, intenções e eficácia dos mesmos. Que possamos assisti-los (ou não) tendo em vista o que Paulo diz em Filipenses 4:8 "Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente.”

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Tags: Tele-evangelismo, televisão, pregadores, teologia da prosperidade, confissão positiva, teologia do domínio, Ide, missões, programa de rádio, culto online, culto ao vivo,

23 agosto 2009

Boas Novas no Quênia...

Ontem (22/08/2009) foi um dia histórico para o povo Pokot (também chamado Suk), do Quênia. Após 30 anos de trabalho intenso a população poderá finalmente ler a Bíblia traduzida na sua língua mãe. A Sociedade Bíblica do Quênia apresentou ontem a tradução em uma cerimônia presidida pelo ministro das Comunicações e Informações do país, Samuel Poghisio.

Os pokot são um povo agrícola e pastoril que vivem desde os planaltos áridos do nordeste do Quênia até adentrar o território de Uganda. Os eruditos envolvidos no trabalho disseram que a maior dificuldade da tradução nem foi a tradução em si, mas a apresentação e introdução de notas de rodapé para auxiliar os leitores em diferenças culturais e questões doutrinárias.

Isacco Litali, presidente da Sociedade Bíblica do Quênia, declarou: “A tradução na própria língua tem um profundo efeito sobre as pessoas, pois eles recebem a Palavra de Deus de modo mais eficaz. É o Senhor quem se dirige a eles na sua própria língua”.

Lutero, que principiou o movimento de Reforma Protestante afixando suas 95 teses na porta da Igreja de Todos os Santos, em Wittenberg, Antiga saxônia (atual Alemanha)em 31 de outubro de 1517, talvez tenha sido o primeiro a sonhar levar a Palavra de Deus aos povos do mundo em seu próprio vernáculo. Porém após quase 500 anos de Reforma Protestante, estima-se (segundo dados divulgados pela ALEM - Associação Linguística Evangélica Missionária) que das conhecidas 7148 línguas faladas no planeta, apenas 366 delas têm uma tradução completa das Escrituras (cerca de 5,4% do total). O Novo Testamento traduzido sozinho teve um alcance maior, já pode ser lido em 1012 línguas, ou aproximadamente 15% da população mundial. Outras 883 línguas nao possuem sequer a tradução do Novo Testamento na íntegra, mas têm ao menos um livro bíblico traduzido. Uma soma rápida destes dados revela que 2.261 línguas possuem hoje ao menos uma porção das Escrituras traduzida (cerca de 33,6%). A conclusão óbvia é alarmante: estima-se que mais de 3000 línguas ao redor do globo não possuem nenhuma porção da Bíblia. É uma população de mais de 250 milhões de pessoas sem acesso à Palavra de Deus, a maior parte na Ásia, África Ocidental, Ilhas do Pacífico e Oriente Médio. Mas nem precisamos ir muito longe, no Brasil por exemplo, de mais de 250 povos indígenas distintos, ao menos 167 ainda carecem de uma tradução da Bíblia.

Em plena Era da Informação, com tanta porcaria e coisa inútil circulando pela internet o tempo todo, a luz do evangelho ainda não chegou a tantos lugares... É mais um motivo de oração que deixo aqui.

12 outubro 2008

A música secular é do diabo?

O pastor Ricardo Gondim fez quatro considerações espetaculares para responder esta pergunta. Deixo-as aqui para reflexão:

"1. Sim, existem músicas heavy metal do diabo – basta ler algumas de suas letras ou ver alguns dos integrantes da banda. Alguns fazem defesa aberta do satanismo. Mas, precisamos reconhecer, há gente do diabo em todos os estilos musicais, desde a música clássica, ao bolero, baião, etc.

2. Uma música para ser divina não necessita ser necessariamente música sacra. Basta que ela trate de assuntos que exaltem o amor, a verdade, a justiça e tudo o que for belo e de boa fama.

3. Deus habilitou pessoas não cristãs a produzirem coisas bonitas e justas. A “Graça Comum” é o termo teológico que define essa verdade. Os juízes não precisam ser cristãos para fazerem justiça, nem os médicos convertidos para exercerem medicina. E nem os músicos para fazerem música de qualidade.

4. Compete a nós, Cristãos, examinar de tudo e reter apenas o que é bom. Para esse exame precisamos de maturidade e não de censura."

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Vale agora sair do lugar comum e parar de atribuir origens e rótulos à revelia por preconceito, ignorância ou religiosidade excessiva. Se é culto racional que temos de prestar a Deus, que tal começarmos a usar a razão?

28 outubro 2007

A perseguição aos Cristãos no mundo

Vale a pena dar uma olhada nesses dados e estatísticas. Vale pensar que é privilégio poder sentar-se confortavelmente em nossos bancos de igreja todo domingo, circular livremente pelas ruas com nossas Bíblias embaixo do braço ou usando camisas com versículos, sintonizar o rádio numa estação que toque louvores e tantos outros benefícios que temos em relação a tantos países. Leia toda a série "Igreja Perseguida" postada aqui e abra sua mente e coração. São pessoas que não amaram suas próprias vidas, para levarem o evangelho...

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De olho na perseguição:
Um panorama da perseguição ao redor do mundo


Em pleno fim de século XX, houve verdadeiros massacres em nome da fé na Indonésia e Nigéria. Mas há muitos outros contextos em que milhares de pessoas têm seus direitos violados e são impedidas, totalmente ou em parte, de praticar sua escolha religiosa com liberdade.
Alguns são perseguidos, torturados e mortos. Outros vivem em constante pressão do governo, da sociedade, da família. São pessoas obrigadas a superar seus limites para continuar vivas, para trabalhar ou ter acesso à escola, para realizar seus cultos sem impedimentos, exercer sua fé sem preocupar-se com a polícia.

A perseguição em regiões diferentes


África

Há esperança em meio a uma fome devastadora, miséria terrível, conflitos militares e perseguição na África. Essa esperança surge porque talvez esteja acontecendo lá o maior crescimento do cristianismo de que se tem notícia! Portas Abertas está envolvida no treinamento de alguns dos futuros líderes cristãos da África e está dando-lhes as ferramentas que precisam para levar o seu continente a Cristo.
Também queremos ter certeza de que esses novos cristãos têm as Bíblias e outras literaturas cristãs de que precisam para crescer na fé e pregar a Palavra de Deus!

Ásia
Mais de 55 %da população do mundo vivem na Ásia. Durante anos, há perseguição e o martírio de cristãos nessa região. Apesar disso, a Ásia está passando por um incrível crescimento espiritual. Que grande testemunho do poder da Palavra de Deus! Portas Abertas provê Bíblias e literatura para a Ásia, sempre tendo como alvo as igrejas domésticas clandestinas da China. Também damos cursos de treinamento extensivo para os líderes da Igreja para equipá-los com um completo conhecimento da Palavra.

América Latina

Ao contrário do que mostram os roteiros de viagem, há mais na América Latina do que sol, areia, águas mornas e gente boa. Os cristãos de Cuba, Colômbia, México e do Peru sofrem entre revolucionários, barões da droga e extremistas religiosos.
É por isso que Portas Abertas estabeleceu a Rede Ágape. São pequenas equipes que dão aulas de treinamento, realizam reuniões evangelísticas e organizam centros locais para produzir literatura cristã.

Mundo Muçulmano
O Oriente Médio é o berço da Igreja Cristã, ainda que, em algumas regiões, a Igreja quase tenha sido eliminada sob a pressão muçulmana.
A principal prioridade de Portas Abertas no Mundo Muçulmano é treinar uma nova geração de líderes cristãos para fortalecer a Igreja. Estamos também tentando garantir que todos os que queiram um exemplar da Palavra de Deus possam ter uma Bíblia.
Estatísticas:
Mais de 200 milhões de cristãos enfrentam intensa perseguição neste momento.
Mais de 250 milhões sofrem alguma forma de discriminação, sendo os governos comunistas e alguns regimes islâmicos os responsáveis mais destacados.
O problema está espalhando-se pelo mundo rapidamente. O aumento da perseguição é um sinal para os cristãos ficarem em alerta ao chamado de Deus para a Igreja e para cada um de nós.


Estatísticas básicas sobre religião no mundo

De cada 100 pessoas...
. 19 são muçulmanos (o islamismo é a religião que cresce mais rápido)
. 18 não têm religião ou são ateus
. 17 são católicos
. 17 são cristãos não-católicos (ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos, pentecostais)
. 14 são hindus
. 6 são budistas
Perseguição contra cristãos
. 1 em cada 3 cristãos sofre perseguição
. 1 em cada 10 pessoas é um cristão perseguido.


Fonte: Site Ministério Portas Abertas

1° Lugar no Ranking : Coréia do Norte


A Coréia do Norte ocupa o primeiro lugar no Ranking dos países que mais perseguem o cristianismo. Leia, se informe e ore por este país e pelos irmãos que sofrem por terem aceitado a Cristo.

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Localizada na metade setentrional da Península da Coréia, no leste asiático, a Coréia do Norte é caracterizada por altas montanhas separadas por vales estreitos e profundos. Densas florestas cobrem cerca de dois terços do país.

A população coreana é de aproximadamente 24 milhões de pessoas. Uma parcela de 33% desse total possui idade inferior a quinze anos, enquanto 60% dos habitantes vivem em áreas urbanas. A expectativa de vida é de 50 anos. Etnicamente, a população norte-coreana é constituída quase que totalmente por coreanos (99%). Há um pequeno número de chineses, mas pouquíssimas minorias étnicas. Tal situação – similar à realidade sul-coreana – permitiria que o Evangelho se difundisse rapidamente no país, ainda que enfrentasse algumas barreiras culturais.

A história recente da Coréia do Norte tem sido bastante sofrida. A Coréia foi dividida em dois países logo após a II Guerra Mundial como uma conseqüência da Guerra Fria. Antes disso, porém, o país foi ocupado pelo Japão por 35 anos, entre 1910 e 1945. Em junho de 1950, tropas norte-coreanas invadem a Coréia do Sul em uma tentativa de unificação do regime comunista. O conflito armado durou três anos e culminou com a vitória sul-coreana, tendo causado sofrimentos significativos à região. A zona desmilitarizada entre os dois países continua sendo uma das áreas mais fortificadas e impenetráveis do mundo. A guerra quase irrompeu novamente no fim da década de 90, mas foi evitada graças a esforços diplomáticos. Não obstante, ainda há uma grande tensão entre as duas Coréias.

Atualmente, a Coréia do Norte é um estado comunista controlado ditatorialmente por um homem – o presidente Kim Jong Il. A nação permanece fechada para o mundo exterior, porém as dificuldades econômicas e a fome crescente geraram alguma abertura, especialmente para ministérios de cunho social.

A economia norte-coreana é pobre e o trabalhador ganha em média apenas US$ 900 por ano. Quase metade da força de trabalho atua na agricultura ou na pesca. A grande maioria da população é alfabetizada e tem acesso à educação. Apesar de alguma modernização, a fome ainda é um grande problema social. Observadores estimam que três milhões de norte-coreanos já morreram de inanição, embora os dados oficiais sejam muito inferiores, informando apenas 220 mil mortes.

Quase 70% da população não professa nenhuma religião. O restante segue crenças asiáticas como xamanismo, confucionismo ou budismo. A Coréia do Norte tem sido profundamente marcada por um "culto à personalidade" que elevou o falecido ditador King Il Sung à posição de um deus. O governo utiliza severos controles para incutir essa ideologia sobre cada cidadão, que inclui o culto a Kim Il Sung e a seu filho Kim Jong Il, o atual presidente. Todas as religiões contrárias a esta ideologia são proibidas.

A Igreja

Menos de 2% da população é cristã, apesar de o cristianismo ter uma longa história na região. Antes da guerra, o país era palco de um reavivamento. A capital, Pyongyang, abrigava quase meio milhão de cristãos, constituindo na época cerca de 13% da população. Após a guerra, muitos cristãos fugiram em direção ao sul ou foram assassinados. Atualmente, há três igrejas na cidade, mas elas são basicamente "igrejas de fachada", servindo à propaganda política. Quase todos os cristãos na Coréia do Norte pertencem a igrejas não registradas e clandestinas.

A Perseguição

A perseguição aos cristãos foi intensa durante o período de dominação japonesa, especialmente devido à pressão exercida pelos dominadores para a adoção do Xintoísmo como religião nacional. Desde a instalação do regime comunista, a perseguição tem assumido várias formas. Em um primeiro momento, os cristãos que lutavam por liberdade política foram reprimidos. Depois, o governo tentou obter o apoio cristão ao regime, mas como não obteve êxito em sua tentativa, acabou por iniciar um esforço sistemático para exterminar o cristianismo do país. Edifícios onde funcionavam igrejas foram confiscados e líderes cristãos receberam voz de prisão. Ao serem derrotados na Guerra da Coréia, soldados norte-coreanos em retirada freqüentemente massacravam cristãos com a finalidade de impedirem sua libertação. O governo norte-coreano exige o registro de todas as igrejas e de seus membros.

O Futuro

Apesar das pressões atuais, o futuro da igreja é muito promissor. O número de cristãos, estimado hoje em 450 mil, está crescendo rapidamente e poderá somar mais de um milhão por volta de 2050. Observadores da Coréia do Norte também acreditam que muitas das restrições atuais serão suspensas ainda no início deste século, talvez com uma possível mudança de governo. Se isso ocorrer, espera-se que o Evangelho seja rapidamente difundido entre a população norte-coreana, assim como ocorreu na Coréia do Sul.

Motivos de Oração

1. A igreja está crescendo. Louve a Deus pelo crescimento da igreja e pela capacidade dos cristãos norte-coreanos de divulgar o Evangelho mesmo sob rígidas restrições. Ore para que novas oportunidades de evangelismo sejam descobertas.

2. O país sofre com a fome e a desintegração econômica. A situação atual é terrível, mas Deus está usando esse sofrimento para o bem. Portas estão se abrindo para o Evangelho à medida que o governo torna-se cada vez mais favorável a aceitar os ministérios cristãos de ação social e humanitária. Ore para que esta pequena abertura na esfera governamental possa expandir-se rapidamente.

3. O povo sofre com a obrigação de cultuar os líderes do país. Como o rei Dario à época de Daniel e os Césares do Império Romano, o governo instituiu um culto à personalidade, exigindo adoração ao falecido rei Kim Il Sung e ao seu filho, que o sucedeu no governo. Ore para que o vazio dessa falsa religião torne-se evidente e para que os norte-coreanos busquem o Deus verdadeiro.

4. Organizações missionárias voltadas para a Coréia prosseguem em sua preparação. Louve a Deus pelo grande volume de recursos que estão sendo disponibilizados para ajudar a Coréia do Norte. Ore para que as organizações missionárias encontrem formas de realizar seu trabalho nos dias de hoje. Ore também para que estas organizações estejam preparadas para agir conjuntamente quando as portas do país se abrirem para o exterior.

5. Entrar no país exige muita criatividade. Louve a Deus pelas formas criativas – que incluem até balões – utilizadas pelos norte-coreanos para levar o Evangelho para dentro de seu país. Ore para que esses esforços tenham resultados significativos.

6. Os cristãos coreanos sofrem com a falta de Bíblias. A maioria dos cristãos não possui sua própria Bíblia e muitos sequer têm acesso a uma. Ore para que ministérios cristãos consigam suprir o país com Bíblias. A maioria das Bíblias tem que ser contrabandeada e equipes de entrega continuam sendo necessárias.

Fonte base do texto:

• Livro Cristianismo de alto risco (São Paulo, Carrenho Editorial, 2002)

Fonte base do mapa:
• Globalis (em inglês)


Estatísticas

• Capital
Pyongyang

• População
24 milhões (60% urbana)

• Área
120.538 km2

• Localização
Leste da Ásia

• Idioma
Coreano

• Religião
Sem filiação e ateísmo 70%, crenças tradicionais 25%, cristianismo 1,9%

• População Cristã
450 mil, fatia da população em crescimento

• Perseguição
Severa, em crescimento

• Restrições
A conversão é passível de prisão e a evangelização é proibida. Líderes cristãos são freqüentemente detidos sob falsas acusações.

• No século XXI…
O governo tanto poderá lançar uma nova onda de perseguição, quanto dar abertura para o ministério cristão.

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Ore pela Coréia do Norte

(Matéria publicada no site Portas Abertas em 08/10/2007)

Saiba mais sobre a Igreja Perseguida na Coréia do Norte

CORÉIA DO NORTE (1º) - “Chegou o momento em que, mais do que nunca, a Coréia do Norte precisa de oração. Não é inconcebível que o número de prisoneiros tenha passado a marca de um milhão”, disse Simon, um encarregado da Portas Abertas que trabalha no país.

Segundo ele, "muitos campos são tão grandes que não chegam a ser reconhecidos como campos de trabalhos forçados em fotos de satélite, mas sim como vilarejos". "Muitas vidas estão em jogo.”

Os oito campos para presos políticos contêm entre meio e um milhão de pessoas. Além dessas, outras centenas de milhares de pessoas são forçadas a trabalhar em outros 30 campos. Esses dados são oriundos de uma pesquisa feita pela Portas Abertas na Coréia do Norte.

Quem entra, raramente sai


Simon, que tem contato indireto com dezenas de milhares de cristãos no país, estima que o número de cristãos clandestinos esteja entre 200 mil e 500 mil. Por causa de sua fé, ao menos 25% dessas pessoas estão em campos de trabalhos forçados, de onde raramente saem vivas.

“Na Coréia do Norte é estritamente proibido ser cristão, qualquer portador de uma Bíblia é mandado a um campo com sua família inteira. Refugiados detidos na China ou Coréia do Norte podem ser sentenciados a alguns anos em um campo. Mas, se as autoridades descobrem que o refugiado teve contato com cristãos, as penas se tornam muito mais duras, e a pessoa pode ser torturada ou executada”, declarou Simon.

A Portas Abertas recebe refugiados na China, mas o número de pessoas atravessando a fronteira tem diminuído.

Simon informa: “É muito difícil atravessar qualquer fronteira ou rio. Armadilhas, incluindo buracos escondidos com lanças de bambus no fundo, foram colocadas no lado norte-coreano. De ambos os lados do rio estão sendo construídas altas cercas com arame farpado. Buscas por refugiados ilegais e facilitadores são comuns em ambos os lados. Além disso, as multas são altas para aqueles que ajudam os norte-coreanos”.

Fim de ano requer mais orações

Simon faz um apelo passional por oração, especialmente nos últimos meses desse ano. “Temos notado que nas áreas onde os refugiados são recebidos, as atividades de espionagem cresceram muito. Espiões da Coréia do Norte estão tentando se inflitrar em redes que cuidam de refugiados."

Essas redes, diz ele, "são compostas quase que exclusivamente por cristãos que ainda se arriscam a auxiliar fugitivos norte-coreanos.”

Há claras indicações de que a China deseja repatriar a maioria dos refugiados nesse ano. O país não deseja deportar mais refugiados no próximo ano, porque será sede dos Jogos Olímpicos, em Pequim.

Muitos refugiados saíram de seus esconderijos e estão procurando abrigos mais seguros. A Portas Abertas, por meio de seus mantenedores e colaboradores diretos, está ajudando muitos deles nessa arriscada tarefa.

Pedidos de oração:

- Ore para que esses refugiados sejam transferidos em segurança e que o Senhor dê discernimento aos cristãos para não se enganarem com os espiões infiltrados;

- Ore por famílias inteiras que estão vivendo nos campos de trabalhos forçados, sem comida e condições de higiene apropriados;

- Ore para que os cristãos presos dêem bom testemunho e possam levar muitos a Cristo dentro das prisões;

- Ore para que o Senhor toque o coração do ditador Kim Jong-Il e das autoridades internacionais para pressionarem o país a respeitar os direitos humanos.

Tradução: Antônio de Oliveira

17 outubro 2007

A Turquia e a Igreja perseguida

A Turquia ocupa o 35º Lugar no Ranking dos países que mais perseguem os cristãos no mundo. Saiba um pouco mais sobre este país nesta matéria do Ministério Portas Abertas e ore por esse país.





Localizada em uma região estratégica, entre a Europa e o Oriente Médio, a Turquia era uma espécie de encruzilhada para muitos povos da Antigüidade. Em alguns períodos, a região fez parte de importantes rotas comerciais e era constantemente atravessada por caravanas que transportavam seda e especiarias da China.

A população da Turquia soma mais de 66 milhões de pessoas, das quais 40% possuem idade inferior a 15 anos. Os turcos são o grupo étnico majoritário no país e abrangem 80% da população, enquanto os curdos, uma importante minoria, correspondem a 18% dos habitantes. Há ainda um pequeno grupo de etnia árabe.

A história do povo da Turquia remonta ao início da Idade Média, quando nômades turcos vagavam pela Ásia central e pela Mongólia, vivendo em tendas e cultuando a natureza. No século VI d.C., chegaram a controlar um império que se estendia desde a Mongólia até o Mar Cáspio. Com a conquista da região em que habitavam pelos abácidas,* no século VII, muitos turcos se converteram ao islamismo e migraram em direção ao Ocidente. No século XI, sob o governo dos seljúcidas, os turcos substituíram os árabes no controle da Ásia Menor e da Mesopotâmia, e continuaram sua expansão em direção ao noroeste, ameaçando o Império Bizantino e originando o Império Otomano. Ao ascenderem ao poder e expandirem seus domínios, os seljúcidas interferiram na tradicional peregrinação à Jerusalém, o que provocou o início das Cruzadas, que eram expedições organizadas pela Igreja Católica com o objetivo de assegurar o domínio cristão sobre os locais sagrados da Palestina. As Cruzadas, que continuariam até o século XIV, deixaram um rastro de morte, destruição e abandono, e marcaram o povo turco com uma imagem terrivelmente distorcida do cristianismo.

* N. do E.: Os abácidas eram uma dinastia muçulmana que dominou a maior parte do Oriente Médio central entre 750 e 1258 d.C.

O apogeu do Império Otomano se deu no reinado de Solimão I, que subiu ao poder em 1520 d.C. e liderou os exércitos turcos quase até Viena, na Áustria. A decadência do domínio turco iniciou-se no século XVII e durou até o fim da I Guerra Mundial, quando a Turquia, aliada da Alemanha, foi derrotada e perdeu suas possessões no Oriente Médio e na África. Após o armistício, os nacionalistas turcos ganharam poder, expulsando os gregos que haviam invadido o país e proclamando a República em 1923. A nova nação tomou medidas que favoreceram a modernização e ocidentalização do país, tais como a abolição do sultanato, a reforma legislativa, a adoção do alfabeto romano e a anulação do artigo constitucional que declarava o islamismo a religião oficial da Turquia.

O turismo e a indústria são atividades importantes da economia turca e a agricultura do país é auto-suficiente. O crescente relacionamento da Turquia com os países da Ásia Central é parte importante de sua estratégia de longo prazo para aumentar influência regional e alcançar a estabilidade econômica. A renda per capita turca é de apenas US$ 1.400 por ano.

Embora a Turquia seja um estado laico, o islamismo continua a dominar a cultura do país. A maioria dos muçulmanos turcos é de tradição sunita, mas há também uma minoria xiita.

A Igreja

Apesar de o país ter sido uma importante base cristã no passado, restam poucos cristãos na Turquia. A população turca guarda amargas lembranças de ações da Igreja em tempos remotos e possui falsas percepções e idéias sobre o cristianismo. Ainda assim, e apesar de todas as barreiras, uma igreja local já foi implantada no país.

A Perseguição

Já houve casos de cristãos presos por sua opção religiosa na Turquia, mas todos acabaram sendo libertados. Alguns estrangeiros cristãos também já foram expulsos do país, porém a maior pressão sobre os cristãos não é exercida pelo governo, mas pela sociedade. A evangelização é possível desde que realizada de maneira discreta.

Recentemente, uma onda de perseguição atingiu a igreja turca. Na manhã de 12 de setembro de 1999, a polícia invadiu uma igreja na cidade de Izmir durante o culto de domingo. Os membros da igreja não tiveram que enfrentar apenas a invasão policial, mas também a humilhação de uma equipe de TV que filmou toda a ação da polícia. Quarenta cristãos membros da comunidade – entre eles 5 estrangeiros – foram presos e conduzidos à delegacia de polícia, onde foram mantidos durante a noite e interrogados pelo Departamento de Terrorismo. Apesar dos sofrimentos, os cristãos demonstraram um grande espírito. Como Paulo e Silas, eles louvaram a Deus entoando canções em suas celas. Os cantos, porém, não agradavam os policiais, que gritavam para que os presos calassem a boca.

Um dos cristãos presos naquele dia relatou: "Fomos tratados como criminosos, mas me recusei a confessar, pois não havia cometido nenhum crime."

O pastor da igreja creditou as prisões a uma tentativa de se criar notícias para a imprensa marrom. "Infelizmente, certos setores da mídia têm-se oposto às nossas crenças de forma desrespeitosa e agressiva, em um esforço para criar notícias sensacionalistas", declarou o pastor. No domingo à noite, a ação contra os cristãos foi exibida com destaque pelos noticiários turcos.

Agora, os cristãos de Izmir estão proibidos de realizar cultos nas dependências da igreja. Além disso, foram indiciados em um processo que os manterá envolvidos em uma tediosa batalha judicial por um longo tempo.

Cristãos de Istambul também foram submetidos a uma provação similar àquela ocorrida em Izmir. Em 3 de outubro de 1999, a polícia invadiu uma igreja no bairro de Zeytinburnu e deteve todos os presentes, com exceção de algumas jovens mães com filhos pequenos e de alguns idosos. Estes não puderam fazer nada, enquanto seus familiares e amigos eram retirados do local.

Os líderes da igreja ficaram consternados quando a polícia os acusou de realizarem reuniões sem a devida autorização. Seis anos antes, na ocasião da compra do prédio da igreja, eles efetivamente haviam informado as autoridades responsáveis a respeito de suas reuniões. Um dos líderes declarou: "As autoridades municipais até reconheceram nosso direito à isenção de impostos por sermos uma entidade religiosa, da mesma forma como acontece com outras igrejas e mesquitas no país. Então, porque agora eles decidiram nos declarar ilegais?"

O Futuro

A igreja turca está em declínio principalmente em função da emigração de cristãos armênios e gregos. O número de cristãos de cidadania turca está crescendo, mas soma menos de mil pessoas. Por volta de 2050, o número destes cristãos turcos poderá chegar a dezenas de milhares, embora o número total de cristãos no país provavelmente seja de apenas 100 mil pessoas.

Motivos de Oração

1. A igreja turca necessita de encorajamento para permanecer firme. A perseguição tem sido esporádica e pouco severa no momento, apesar de alguns relatos de hostilidades.

2. A igreja turca possui uma imagem ruim perante a opinião pública. Memórias de épocas remotas precisam ser compensadas por novos ministérios de restauração e reconciliação. Alguns destes ministérios já foram iniciados. Ore pelo sucesso dessas iniciativas.

3. A igreja está em declínio, apesar de crescer em alguns setores. A igreja turca precisa ganhar evidência e ser apoiada com programas de treinamento e discipulado. Ore pela unidade dos líderes cristãos na Turquia.

4. Normalmente, a entrada de missionários no país não é permitida. Apesar disso, há diversas maneiras pelas quais cristãos estrangeiros podem exercer um impacto significativo no país, tais como as viagens de curta duração e a própria correspondência. Ore e peça que mais cristãos no mundo se interessem pela Turquia.

Perfil do País:

• Capital
Ancara

• População
66,5 milhões (71% urbana)

• Área
779.452 km2

• Localização
Sudeste da Europa e oeste da Ásia

• Idiomas
Turco, curdo, árabe

• Religião
Islamismo 97%, cristianismo 0,6%

• População Cristã
373 mil, em declínio

• Perseguição
Esporádica, em crescimento

• Restrições
Há liberdade de culto e a evangelização é possível, desde que discreta.

• No século XXI…
A igreja continuará enfrentando dificuldades por desafiar o domínio islâmico, mas seu esforço poderá ter uma importância estratégica em grande parte do Oriente Médio.

Opinião: A Questão Religiosa
(publicado no site Portas Abertas em 24/04/2007)

O ataque brutal à editora cristã na conservadora cidade turca de Malatya, onde três homens, entre eles um alemão, foram encontrados amarrados e com as gargantas cortadas, foi uma provocação, opina Mechthild Brockamp, redatora da Deutche Welle.

O ataque brutal à editora de bíblias Zirve foi uma provocação. Uma provocação que pode se repetir a qualquer momento e que prejudica a imagem da Turquia. Quem quer que seja que tenha praticado o terrível atentado sabe de suas conseqüências, principalmente no campo da política externa.

Até agora foram presos dez suspeitos, ultranacionalistas de Malatya. De acordo com suas próprias declarações, seu objetivo é proteger o Islã dos cristãos. Malatya é um bastião islâmico - como Trabzon, cidade onde, em fevereiro de 2006, um padre foi assassinado um por um jovem fanático, no auge das manifestações contra as caricaturas de Maomé. No começo deste ano, um outro ultranacionalista de Malatya assassinou o editor cristão Hrant Dink, também originário de Malatya.

Por este motivo, a tarefa mais urgente do governo do primeiro-ministro Recep Erdogan é esclarecer a liberdade religiosa. O princípio do laicismo na Constituição turca prevê a estrita separação entre religião e Estado, bem como a liberdade de culto e religião.

Mas, na realidade, ela é subordinada ao Estado. Por que então uma agência estatal de questões religiosas controlaria todas as atividades ligadas ao Islã? É uma triste verdade que o Estado laico, onde minorias cristãs e judaicas deveriam também se sentir em casa, só exista no papel.

Esclarecer a questão da liberdade religiosa implica esclarecer a estrutura da liberdade de religião, por exemplo, a formação de paróquias. Missionários não são permitidos na Turquia, o que é um estranho construto.

O governo turco e os líderes religiosos islâmicos devem, juntos, tornar claro que o direito de mudar de religião ou de fazer trabalho missionário é parte inalienável dos direitos humanos para todas as comunidades religiosas e que o direito à liberdade de religião não deve somente ser garantido constitucionalmente, mas também que os fiéis possam praticá-la sem temer por suas vidas.

A não garantia desta segurança é uma grande falha do governo turco. Isto significa que este governo também é responsável pelos ataques - ataques que não devem mais se repetir. Não é suficiente que o primeiro-ministro Erdogan defenda publicamente a secularidade.

Há muito que a Europa exige que a Turquia crie uma situação clara, ou seja, mais liberdade para as minorias cristãs. E está correto desta forma. Quem quer fazer parte da Europa, tem também que se abrir à identidade européia.

O ataque inumano à editora cristã poderia, agora, pôr mais lenha na fogueira daqueles conservadores europeus que não querem a Turquia na União Européia. Portanto um apelo a estas pessoas, para que não percam o senso crítico. O ataque à organização cristã não foi terrorismo de Estado. A Europa não deve fechar as portas para a Turquia após este atentado perturbador. Não se deve dar tal vitória aos agitadores do país.


Fonte base do texto:
• Livro Cristianismo de alto risco (São Paulo, Carrenho Editorial, 2002)

Fonte base do mapa:
• Globalis (em inglês)

•site Ministério Portas Abertas

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Atendendo a pedido da minha flautista-forrozeira-missionária favorita. Se esse é seu campo missionário mesmo, Deus te abençoe e dê forças.

15 outubro 2007

Eritréia e a Igreja Perseguida

A Eritréia ocupa a 13ª Posição no Ranking dos países que mais perseguem os cristãos, mas muita gente nem desconfia onde fica. Leia um pouco mais.




A Eritréia tem quatro principais regiões fisiográficas: a planície costeira do mar Vermelho; o planalto centro-sul, que forma o núcleo do país; as colinas das áreas norte e centro-oeste; e os amplos planaltos ocidentais.

A costa do Mar Vermelho estende-se por mais de 1.000 quilômetros, e é dessa água que deriva o nome do país (erythrós, em grego é "vermelho"). A oeste, a planície costeira eleva-se subitamente para o planalto, onde as altitudes vão de 1.830 a 2.440 metros acima do nível do mar e chuva anual é significativamente mais alta que na costa.

As terras das colinas ao norte e oeste do centro do planalto vão de 760 a 1.370 metros acima do nível do mar, e geralmente recebe menos chuva do que o planalto. As amplas planícies ficam a oeste do rio Baraka e ao norte do rio Setit.

Ex-colônia italiana, a Eritréia foi ocupada pela Inglaterra em 1941. Em 1952 as Nações Unidas resolveram transformá-la em entidade autônoma federada à Etiópia como um acordo entre as reivindicações etíopes por soberania e as aspirações da Eritréia por independência. Entretanto, dez anos depois o imperador da Etiópia, Haile Selassie, decidiu anexá-la, dando início a uma luta armada de 32 anos.

Isso culminou em independência logo depois que uma aliança da Frente Eritréia de Libertação do Povo (FELP) e de uma coalizão de movimentos da resistência etíope derrotou o sucessor comunista de Haile Selassie, Mengistu Haile Marian.

Em 1993, num referendo apoiado pela Etiópia, o povo eritreu votou quase que unanimemente em favor da independência, deixando a Etiópia sem saída para o mar.

No entanto, os dois países não se tornaram bons amigos. Os principais tropeços para melhorar as relações são o acesso etíope difícil aos portos eritreus de Massawa e Assab, e as condições comerciais desiguais entre os dois países.

Em 1998 disputas de fronteira em torno da cidade de Badme irromperam em hostilidades abertas. Isso terminou formalmente com tratado de paz em junho de 2000, mas não sem antes deixar ambos os lados com milhares de soldados mortos.

A Eritréia saiu de sua demorada guerra de independência em 1993 somente para mergulhar mais uma vez em guerra, primeiro com o Iêmen e depois, mais devastadoramente, com sua velha adversária, a Etiópia.

Ela enfrenta agora a gigantesca tarefa de reconstruir um país devastado por mais de 30 anos de conflito, com sua infra-estrutura, seus edifícios e seus campos destruídos.

A Igreja

A guerra e a entrada de membros das Nações Unidas com muito tempo e dinheiro afetou a trama moral da sociedade. A AIDS tornou-se o principal desafio e a Igreja foi afetada.

O treinamento de liderança é necessário, principalmente para os líderes eclesiásticos formados a partir do reavivamento dentro da Igreja Ortodoxa.

A Igreja precisa ser preparada para evangelizar muçulmanos e membros da Igreja Ortodoxa.

A Igreja das áreas onde eles são perseguidos pelo Estado ou pela família precisa de motivação e preparo para continuar na fé e compartilhá-la com seus perseguidores.

A Perseguição

O humanismo secular e o nacionalismo influenciaram fortemente a constituição. O nacionalismo chegou ao máximo durante a guerra contra a Etiópia e até os cristãos foram influenciados por isso. Fora de Asmara existe mais resistência ao evangelismo do que dentro da cidade feita principalmente pelos fundamentalistas ortodoxos e muçulmanos.

A perseguição é mais comum nas áreas de fronteira com a Somália devido sua maioria ortodoxa e islâmica. No dia 15 de maio de 2002, o ministro do governo encarregado dos Assuntos Religiosos convocou uma reunião de nove grupos religiosos. Na reunião, foi comunicada a vontade do governo de tratar do assunto do registro. O pré-requisito era o preenchimento de um formulário de solicitação. Até que o registro seja concedido, todas as reuniões da igreja (excluindo a Igreja Luterana) ficam suspensas.

Os evangélicos não têm personalidade jurídica e neste momento, os registros não foram concedidos. Atualmente, as igrejas evangélicas reúnem-se ilegalmente nas casas. Existe atualmente uma quantidade de estudantes na prisão por não terem deixado a fé. Eles se reuniam na igreja quando isso era ilegal. O governo está incomodado com a má publicidade e os líderes eclesiásticos sabem que se isso se tornar conhecido do mundo exterior o golpe pode atingi-los.

O governo é negativo em relação a novos missionários. Se for dado outro motivo diferente de missão, a permissão de trabalho está disponível mais facilmente.

Não é permitida a distribuição de Bíblias no exército e nas escolas. Desde setembro de 2001 foi suspensa toda impressão (papéis e livros devocionais ou particulares etc.) definitivamente.

O governo assumiu previamente as escolas cristãs e reluta em registrar outras.

Os socialistas tradicionais podem negar promoções nos empregos a cristãos sinceros.

À vista da proibição sobre reuniões nas igrejas, algumas delas precisam de orientação sobre estilos alternativos de adoração.

PERGUNTAS E RESPOSTAS PARA ENTENDER A PERSEGUIÇÃO NA ERITRÉIA

As perguntas e respostas abaixo foram formuladas por várias pessoas da equipe da Portas Abertas no mundo todo. Elas podem ajudá-lo a entender melhor a perseguição na Eritréia.

Qual o motivo dos cristãos serem alvo de perseguição na Eritréia? Quem está por trás disso?

Os cristãos estão sendo perseguidos pelo governo devido ao preconceito contra os cristãos. O governo também tem a idéia de que os cristãos permitem que a religião se interponha entre eles e sua disposição de servir o exército.

O governo sempre negará que existe perseguição, a despeito das prisões que ocorrem. Alegam que prendem os que evitaram servir o exército. Entretanto, a posição dos evangélicos no país não é a de não cumprir o serviço militar.

A Igreja Ortodoxa da Eritréia (OC, sigla em inglês) também persegue os cristãos. Por muitos anos essa era a religião dominante no Estado, mas alguns de seus membros se tornaram "pentecostais" (não-ortodoxos). Conseqüentemente, a OC também persegue as pessoas por quebrarem a tradição. Na OC, somente os padres têm permissão de ler e interpretar a Bíblia. As pessoas ficam curiosas e começam a ler a Bíblia por conta própria. A Igreja Ortodoxa possui uma percepção errada dos "cristãos que lêem a Bíblia" e os vêem como uma ameaça.

Se for mesmo a Igreja Ortodoxa, qual seria o motivo?

A Igreja Ortodoxa realmente está por trás de algumas perseguições na Eritréia e das prisões dos padres ortodoxos envolvidos em movimentos de reavivamento para pentecostais. Essas prisões foram feitas como um esforço conjunto entre a Igreja Ortodoxa e o Estado para limpar a Igreja Ortodoxa de "pentecostais".

Quando o patriarca ortodoxo eritreu Abune Antonios reclamou das prisões de padres, ele foi, logo em seguida, demitido pelo presidente Isaias Afwerki e se encontra em prisão domiciliar.


Apenas os pentecostais são perseguidos?


Não, muçulmanos também são perseguidos. Eles foram presos pelo governo por protestarem contra o "grande mufti" escolhido pelo presidente. Tradicionalmente, a escolha de um mufti era feita pelas mesquitas, mas a interferência do governo nos assuntos internos da igreja viola o direito de liberdade de religião.

As igrejas Católica e Luterana também são consideradas "pentecostais"?

Na verdade o país possui quatro "religiões" reconhecidas: islamismo, cristianismo ortodoxo, catolicismo romano e a igreja luterana. O que eles têm em comum é o fato de possuir uma história relativamente longa no país. As "religiões" mais recentes, tais como igrejas protestantes independentes, têm sido o alvo principal do presidente. Mas recentemente, até as igrejas reconhecidas passaram a ser alvo de ataques, tais como a Ortodoxa. O bispo da única Igreja Anglicana foi deportado e substituído por um líder indicado pelo governo. Presbiterianos são considerados "pentecostais perigosos".

Quando se trata de cristãos não-praticantes, que não vão à igreja, não possuem Bíblias, não fazem estudos, reuniões de orações, evangelismo ou reclamações ao governo, esses são deixado em paz pelo governo.

As quatro religiões reconhecidas não são consideradas uma ameaça - são passivas e não desafiam o Estado ou a Igreja Ortodoxa. Estão satisfeitas em se aterem à lei, silenciosamente comparecerem aos sermões de domingo e não têm estudos bíblicos.

Qual é a posição do islamismo em relação a tudo isso?

Não há prova de que o islã esteja participando ativamente na perseguição. Mas, talvez ela aconteça no âmbito pessoal, de parentes e amigos, quando um muçulmano passa a ser cristão. De forma contrária aos cristãos, os muçulmanos podem ter o Alcorão, o livro sagrado deles, tendo também o direito de orar cinco vezes ao dia como manda a religião. Até agora, eles parecem desfrutar de mais liberdade do que os cristãos, mas isso talvez esteja mudando também.

Existe uma carência de Bíblias na Eritréia? Temos que contrabandear Bíblias ou elas estão disponíveis?

Sim, há uma carência de Bíblias no país, especialmente Bíblia para as crianças. Mas não há a necessidade de contrabando.


Tradução: Fabio Caruso Melo

Missão Portas Abertas