03 dezembro 2009
Luto
Ontem morreu o Tio Ailton. Lá em Vitória - ES. Soube da notícia através de depoimento no orkut. Meu irmão caçula foi de poucas palavras, bem jornalístico. Faz tempo desde a última vez em que encontrei meu tio. Tenho poucas lembranças dele: algumas da minha infância, meio vagas. Umas poucas de algumas visitas raras que ele nos fez em BH. Meu encontro com ele num carnaval que passei no Espírito Santo e a felicidade estampada em seu rosto ao me ver vestindo uma camisa do Flamengo. Tio Ailton era flamenguista, é uma das poucas certezas que tenho a respeito dele. As memórias mais recentes que carrego, são memórias de doença e tristeza, com cheiro de hospital e pele colada nos ossos. O estranho é que mesmo sendo um personagem tão ausente e distante do enredo principal de minha história, ainda assim saber que ele se foi me causa um aperto no peito e uma dor esquisita. Imagino o que meu pai está sentindo e a sensação fica pior. Meu irmão me adiantou que ele não estava bem. Ouvir a voz dele embargada ao telefone foi só uma confirmação. Meu pai é filho mais velho, como eu. Os primogênitos carregam a bênção e a maldição de assumirem uma postura paterna em relação aos demais irmãos. É algo natural. Talvez fruto do ajudar a cuidar, da troca de fraldas, dos sopetões e alegrias do dia a dia, do ver crescer. Sei que ele está sofrendo porque só de pensar que a morte pode alcançar um dia a Aline , o Daniel ou o Flavinho, sinto uma parte de mim se encolher toda lá no fundo. Definitivamente não fomos criados para morrer. Ser imagem e semelhança do Eterno enche nossa alma com o desejo da eternidade. A morte apesar de ser a certeza mais forte da humanidade, ainda é a mais doída. Oro para que Deus possa consolar meu pai e os demais que terão de conviver mais de perto com a ausência e com as lembranças. Não há muito o que falar. Palavras são sempre inúteis nestas horas. Só Deus mesmo para saber o que dói lá no fundo e aplicar o bálsamo certo para aliviar a dor...
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