17 outubro 2007

A Turquia e a Igreja perseguida

A Turquia ocupa o 35º Lugar no Ranking dos países que mais perseguem os cristãos no mundo. Saiba um pouco mais sobre este país nesta matéria do Ministério Portas Abertas e ore por esse país.





Localizada em uma região estratégica, entre a Europa e o Oriente Médio, a Turquia era uma espécie de encruzilhada para muitos povos da Antigüidade. Em alguns períodos, a região fez parte de importantes rotas comerciais e era constantemente atravessada por caravanas que transportavam seda e especiarias da China.

A população da Turquia soma mais de 66 milhões de pessoas, das quais 40% possuem idade inferior a 15 anos. Os turcos são o grupo étnico majoritário no país e abrangem 80% da população, enquanto os curdos, uma importante minoria, correspondem a 18% dos habitantes. Há ainda um pequeno grupo de etnia árabe.

A história do povo da Turquia remonta ao início da Idade Média, quando nômades turcos vagavam pela Ásia central e pela Mongólia, vivendo em tendas e cultuando a natureza. No século VI d.C., chegaram a controlar um império que se estendia desde a Mongólia até o Mar Cáspio. Com a conquista da região em que habitavam pelos abácidas,* no século VII, muitos turcos se converteram ao islamismo e migraram em direção ao Ocidente. No século XI, sob o governo dos seljúcidas, os turcos substituíram os árabes no controle da Ásia Menor e da Mesopotâmia, e continuaram sua expansão em direção ao noroeste, ameaçando o Império Bizantino e originando o Império Otomano. Ao ascenderem ao poder e expandirem seus domínios, os seljúcidas interferiram na tradicional peregrinação à Jerusalém, o que provocou o início das Cruzadas, que eram expedições organizadas pela Igreja Católica com o objetivo de assegurar o domínio cristão sobre os locais sagrados da Palestina. As Cruzadas, que continuariam até o século XIV, deixaram um rastro de morte, destruição e abandono, e marcaram o povo turco com uma imagem terrivelmente distorcida do cristianismo.

* N. do E.: Os abácidas eram uma dinastia muçulmana que dominou a maior parte do Oriente Médio central entre 750 e 1258 d.C.

O apogeu do Império Otomano se deu no reinado de Solimão I, que subiu ao poder em 1520 d.C. e liderou os exércitos turcos quase até Viena, na Áustria. A decadência do domínio turco iniciou-se no século XVII e durou até o fim da I Guerra Mundial, quando a Turquia, aliada da Alemanha, foi derrotada e perdeu suas possessões no Oriente Médio e na África. Após o armistício, os nacionalistas turcos ganharam poder, expulsando os gregos que haviam invadido o país e proclamando a República em 1923. A nova nação tomou medidas que favoreceram a modernização e ocidentalização do país, tais como a abolição do sultanato, a reforma legislativa, a adoção do alfabeto romano e a anulação do artigo constitucional que declarava o islamismo a religião oficial da Turquia.

O turismo e a indústria são atividades importantes da economia turca e a agricultura do país é auto-suficiente. O crescente relacionamento da Turquia com os países da Ásia Central é parte importante de sua estratégia de longo prazo para aumentar influência regional e alcançar a estabilidade econômica. A renda per capita turca é de apenas US$ 1.400 por ano.

Embora a Turquia seja um estado laico, o islamismo continua a dominar a cultura do país. A maioria dos muçulmanos turcos é de tradição sunita, mas há também uma minoria xiita.

A Igreja

Apesar de o país ter sido uma importante base cristã no passado, restam poucos cristãos na Turquia. A população turca guarda amargas lembranças de ações da Igreja em tempos remotos e possui falsas percepções e idéias sobre o cristianismo. Ainda assim, e apesar de todas as barreiras, uma igreja local já foi implantada no país.

A Perseguição

Já houve casos de cristãos presos por sua opção religiosa na Turquia, mas todos acabaram sendo libertados. Alguns estrangeiros cristãos também já foram expulsos do país, porém a maior pressão sobre os cristãos não é exercida pelo governo, mas pela sociedade. A evangelização é possível desde que realizada de maneira discreta.

Recentemente, uma onda de perseguição atingiu a igreja turca. Na manhã de 12 de setembro de 1999, a polícia invadiu uma igreja na cidade de Izmir durante o culto de domingo. Os membros da igreja não tiveram que enfrentar apenas a invasão policial, mas também a humilhação de uma equipe de TV que filmou toda a ação da polícia. Quarenta cristãos membros da comunidade – entre eles 5 estrangeiros – foram presos e conduzidos à delegacia de polícia, onde foram mantidos durante a noite e interrogados pelo Departamento de Terrorismo. Apesar dos sofrimentos, os cristãos demonstraram um grande espírito. Como Paulo e Silas, eles louvaram a Deus entoando canções em suas celas. Os cantos, porém, não agradavam os policiais, que gritavam para que os presos calassem a boca.

Um dos cristãos presos naquele dia relatou: "Fomos tratados como criminosos, mas me recusei a confessar, pois não havia cometido nenhum crime."

O pastor da igreja creditou as prisões a uma tentativa de se criar notícias para a imprensa marrom. "Infelizmente, certos setores da mídia têm-se oposto às nossas crenças de forma desrespeitosa e agressiva, em um esforço para criar notícias sensacionalistas", declarou o pastor. No domingo à noite, a ação contra os cristãos foi exibida com destaque pelos noticiários turcos.

Agora, os cristãos de Izmir estão proibidos de realizar cultos nas dependências da igreja. Além disso, foram indiciados em um processo que os manterá envolvidos em uma tediosa batalha judicial por um longo tempo.

Cristãos de Istambul também foram submetidos a uma provação similar àquela ocorrida em Izmir. Em 3 de outubro de 1999, a polícia invadiu uma igreja no bairro de Zeytinburnu e deteve todos os presentes, com exceção de algumas jovens mães com filhos pequenos e de alguns idosos. Estes não puderam fazer nada, enquanto seus familiares e amigos eram retirados do local.

Os líderes da igreja ficaram consternados quando a polícia os acusou de realizarem reuniões sem a devida autorização. Seis anos antes, na ocasião da compra do prédio da igreja, eles efetivamente haviam informado as autoridades responsáveis a respeito de suas reuniões. Um dos líderes declarou: "As autoridades municipais até reconheceram nosso direito à isenção de impostos por sermos uma entidade religiosa, da mesma forma como acontece com outras igrejas e mesquitas no país. Então, porque agora eles decidiram nos declarar ilegais?"

O Futuro

A igreja turca está em declínio principalmente em função da emigração de cristãos armênios e gregos. O número de cristãos de cidadania turca está crescendo, mas soma menos de mil pessoas. Por volta de 2050, o número destes cristãos turcos poderá chegar a dezenas de milhares, embora o número total de cristãos no país provavelmente seja de apenas 100 mil pessoas.

Motivos de Oração

1. A igreja turca necessita de encorajamento para permanecer firme. A perseguição tem sido esporádica e pouco severa no momento, apesar de alguns relatos de hostilidades.

2. A igreja turca possui uma imagem ruim perante a opinião pública. Memórias de épocas remotas precisam ser compensadas por novos ministérios de restauração e reconciliação. Alguns destes ministérios já foram iniciados. Ore pelo sucesso dessas iniciativas.

3. A igreja está em declínio, apesar de crescer em alguns setores. A igreja turca precisa ganhar evidência e ser apoiada com programas de treinamento e discipulado. Ore pela unidade dos líderes cristãos na Turquia.

4. Normalmente, a entrada de missionários no país não é permitida. Apesar disso, há diversas maneiras pelas quais cristãos estrangeiros podem exercer um impacto significativo no país, tais como as viagens de curta duração e a própria correspondência. Ore e peça que mais cristãos no mundo se interessem pela Turquia.

Perfil do País:

• Capital
Ancara

• População
66,5 milhões (71% urbana)

• Área
779.452 km2

• Localização
Sudeste da Europa e oeste da Ásia

• Idiomas
Turco, curdo, árabe

• Religião
Islamismo 97%, cristianismo 0,6%

• População Cristã
373 mil, em declínio

• Perseguição
Esporádica, em crescimento

• Restrições
Há liberdade de culto e a evangelização é possível, desde que discreta.

• No século XXI…
A igreja continuará enfrentando dificuldades por desafiar o domínio islâmico, mas seu esforço poderá ter uma importância estratégica em grande parte do Oriente Médio.

Opinião: A Questão Religiosa
(publicado no site Portas Abertas em 24/04/2007)

O ataque brutal à editora cristã na conservadora cidade turca de Malatya, onde três homens, entre eles um alemão, foram encontrados amarrados e com as gargantas cortadas, foi uma provocação, opina Mechthild Brockamp, redatora da Deutche Welle.

O ataque brutal à editora de bíblias Zirve foi uma provocação. Uma provocação que pode se repetir a qualquer momento e que prejudica a imagem da Turquia. Quem quer que seja que tenha praticado o terrível atentado sabe de suas conseqüências, principalmente no campo da política externa.

Até agora foram presos dez suspeitos, ultranacionalistas de Malatya. De acordo com suas próprias declarações, seu objetivo é proteger o Islã dos cristãos. Malatya é um bastião islâmico - como Trabzon, cidade onde, em fevereiro de 2006, um padre foi assassinado um por um jovem fanático, no auge das manifestações contra as caricaturas de Maomé. No começo deste ano, um outro ultranacionalista de Malatya assassinou o editor cristão Hrant Dink, também originário de Malatya.

Por este motivo, a tarefa mais urgente do governo do primeiro-ministro Recep Erdogan é esclarecer a liberdade religiosa. O princípio do laicismo na Constituição turca prevê a estrita separação entre religião e Estado, bem como a liberdade de culto e religião.

Mas, na realidade, ela é subordinada ao Estado. Por que então uma agência estatal de questões religiosas controlaria todas as atividades ligadas ao Islã? É uma triste verdade que o Estado laico, onde minorias cristãs e judaicas deveriam também se sentir em casa, só exista no papel.

Esclarecer a questão da liberdade religiosa implica esclarecer a estrutura da liberdade de religião, por exemplo, a formação de paróquias. Missionários não são permitidos na Turquia, o que é um estranho construto.

O governo turco e os líderes religiosos islâmicos devem, juntos, tornar claro que o direito de mudar de religião ou de fazer trabalho missionário é parte inalienável dos direitos humanos para todas as comunidades religiosas e que o direito à liberdade de religião não deve somente ser garantido constitucionalmente, mas também que os fiéis possam praticá-la sem temer por suas vidas.

A não garantia desta segurança é uma grande falha do governo turco. Isto significa que este governo também é responsável pelos ataques - ataques que não devem mais se repetir. Não é suficiente que o primeiro-ministro Erdogan defenda publicamente a secularidade.

Há muito que a Europa exige que a Turquia crie uma situação clara, ou seja, mais liberdade para as minorias cristãs. E está correto desta forma. Quem quer fazer parte da Europa, tem também que se abrir à identidade européia.

O ataque inumano à editora cristã poderia, agora, pôr mais lenha na fogueira daqueles conservadores europeus que não querem a Turquia na União Européia. Portanto um apelo a estas pessoas, para que não percam o senso crítico. O ataque à organização cristã não foi terrorismo de Estado. A Europa não deve fechar as portas para a Turquia após este atentado perturbador. Não se deve dar tal vitória aos agitadores do país.


Fonte base do texto:
Livro Cristianismo de alto risco (São Paulo, Carrenho Editorial, 2002)

Fonte base do mapa:
Globalis (em inglês)

site Ministério Portas Abertas

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Atendendo a pedido da minha flautista-forrozeira-missionária favorita. Se esse é seu campo missionário mesmo, Deus te abençoe e dê forças.

Um comentário:

Anônimo disse...

nhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

que fooooooooooooooofo =))))))

ora por mim lu, to precisando demais...

aqui... rolava de vc fazer uma tattoo pra mim tb hein, com o lance do ikitus peixe em hebraico rs...

beijo enorme