
Na esquina havia um pedinte,
não sei se era aleijado
ou se sua única mazela
era a pobreza...
Não reparei
se tinha olhos que imploravam
ou se eram olhos vazados.
Não notei
se era criança ou velho,
homem ou mulher,
se sorria ou se chorava.
Talvez portasse um cartaz,
papéis de exames,
ou um violão,
mas eu não me dei conta.
Atirei-lhe uns trocados,
não sei se num chapéu
ou numa caixa
e segui meu caminho.
Passos ligeiros,
sem olhar para trás.
Estava na mesma esquina
em que roubei seu último beijo.
Talvez aquele pedinte
fosse o meu coração,
mas eu não vi.
Melhor assim.
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Fazia tempo que eu não escrevia um poema...
Escrito em 02/12/2009, às 20:20h, nas imediações da Rua Alferes Poli, próximo à Praça Rui Barbosa.

2 comentários:
Eu sei...
Fabuloso.
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