Engraçado como alguém pode passar uma vida toda ao nosso lado e ainda assim ser um desconhecido. Lembro-me agora daquela velha história do assassinato do primeiro César (o Júlio). Júlio César viu uma tensão com seu velho companheiro Pompeu crescer até virar uma guerra declarada. A cidade de Roma se dividiu entre os partidários dos dois cônsules. Movido por razões políticas, Brutus - da prestigiosa família dos Júnios - aliou-se a Pompeu. Foi uma decisão estranha, já que a família dos Junios era antiga aliada da família de Júlio César, mas olhando friamente, era a mais acertada: Pompeu tinha mais legiões a seu dispor e tinha mais experiência em campo. Acontece que a história parece favorecer aos azarões algumas vezes. Pompeu não conseguiu reunir suas forças a tempo, teve rebeliões entre seu exército e Júlio César saiu vitorioso. Diante do resultado imprevisto, Brutus voltou com a cauda asquenosa entre as pernas e implorou perdão. César perdoou (ele era um amigo de tantos anos, porque puní-lo por conta de um deslize?) e até permitiu - inclusive- que voltasse a fazer parte do senado. O desfecho é de domínio público: Brutus ajudou a convencer César a entrar numa audiência no Senado sem sua guarda e junto com os outros senadores o assassinou a punhaladas. Reza a lenda que então César olhou nos olhos daquele a quem perdoara e soltou a famosa frase: "Até tu, Brutus?".
Eu simplesmente não entendo as traições. Sou meio romântico. Acredito no bem dentro das pessoas. Por mais que, como teólogo, eu professe a fé de que a humanidade é maligna, corrompida e totalmente depravada. Na prática, eu ignoro o mal do coração humano e insisto em enxergar o bem. Por isso não gosto de telejornai: me incomoda saber de padrastos estuprando enteadas e bispos posando de santos contra abortos que oferecem riscos a crianças que já sofreram demais. Não gosto das imagens dos famintos da África. Não gosto de saber de irmãos se matando, de pessoas se aproveitando da boa fé e do desespero dos outros. Prefiro os desenhos animados. As cores, o conto-de-fadas, a inocência... Acho que chega a ser um defeito. Não entendo essa maldade rastejante que vive no recôndito da alma humana, quer se manifeste com beijos ou punhais. Acho que por isso Jesus advertiu que fôssemos simples como as pombas, mas sagazes como as serpentes. Não se pode acreditar em tudo. nem desconfiar de tudo. Talvez me falte um pouco de serpente. Talvez eu seja pomba demais. Eu sou aquele que viu a face do mal nos olhos do amigo e chorou... mas ainda sonho com novos céus e nova terra. Tenho de manter a esperança, não é mesmo?
19 março 2009
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Um comentário:
Sabe Lu, eu também sou um pouco assim...
Acredito no ser humano e deposito confiança...´
Não perco a fé na vida, fé nos homens fé no que virá...
Mas as vezes isso não é bom! Se previnir poupa decepções!
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