Hoje sai para fazer uma caminhada. Estava precisando. Gosto de caminhar para clarear as idéias. Sempre gostei. Ia lá no Bosque Alemão, mas preferi não. Tenho meus motivos. Tenho ainda de aprender a seguir a voz do coração. Meu coração mandava eu ir pra lá, mas minha cabeça me dizia que estou preso a uma promessa que fiz e hoje eu simplesmente fiz meu coração se aquietar e contentar-se em andar pela XV, olhando para o céu, mexendo com meu anel. Minha palavra ainda vale muito, mesmo que alguns não acreditem. Minhas expressões ora eram de perplexidade, ora de dor, ora de alegria. Liguei para o Claudinho. Tinha de ouvir uma voz realmente amiga. Tinha de xingar. Tinha de rir. Amigos estão se tornando uma coisa rara nesses últimos dias. Tenho descoberto uns inesperados e desmacarado uns que julgava pra vida toda. Dói. Penso no porquê e não posso ter nada em mente. Lembro do 'Crônicas de Nárnia' - vol1. A pequena Lúcia tenta persuadir Aslam a não cumprir a lei que obrigava a dar Edmund à Feiticeira Branca com o seguinte dizer: "Mas ele é nosso irmão". E Aslam responde: "Isso só torna a traição ainda maior". Fiz alguns amigos virarem irmãos no decorrer da vida. Consideração como se fossem meu sangue mesmo. A maioria eu acertei. Sempre brinco com minha irmã dizendo que Deus tem de dar a ela amigos como os meus. Entretanto, sempre há lugar para um ou outro que revela-se nem tão amigável assim e tenho de deserdá-lo ... Mas não sem dor. Eu amo meus amigos e, quando um deles falha comigo, me machuca demais. Eu sou um bom amigo: escuto, guardo segredos, choro junto, rio junto, faço loucuras, ajudo, cuido, oro e sou sincero até chegar ser ácido às vezes. Só espero a recíproca.
Queria aprender a odiar, mas não consigo. Não sei se sou bom demais ou besta demais. Eu sou do tipo que perdoa, não é por ser benevolente. Nem é ser cristão demais. Acho que é fraqueza mesmo. Minha memória emocional desfaz-se em segundos. Não consigo confiar novamente com facilidade, mas não guardo ressentimentos de ninguém. Queria ter força para odiar nem que fosse por um único dia. Nem sei se me faria bem, minha gastrite possivelmente me comeria vivo, mas só pra experimentar mesmo. Mas nem mesmo o único inimigo declarado que eu tenho eu odeio. Trato-o com respeito. Cumprimento. Até arrisco uma conversa desinteressada. Além do mais, com as últimas coisas que me dei conta, já pensei umas duas vezes se não sou eu que estou mesmo errado com relação a ele.
Subi para o Largo da Ordem, entrei no Alemao e pedi um Submarino. Fiquei tomando-o lentamente e observando o movimento. Só dá gente estranha no Largo à noite. No meio da confusão, encontrei a Alana, a Bianca e a Nayane. Turma do forró. Elas me falaram que eu tava com uma cara péssima e me arrastaram (literalmente) para o Brasileirinho. "Quem dança, seus males espanta "- me disse a catarinense. Quebrei a canequinha que ganhei com o submarino. Foi uma idéia meio ritualística ou profética que me ocorreu, sei lá... Tem certas ocasiões que a gente precisa ter registro delas não. No Brasileirinho encontrei outras caras conhecidas: um carinha louco que sempre vai no Calamengau. A Nath e sua melissa nova. Dancei e fui melhorando. O Marcelo me deu cortesia para o Emporio Sao Francisco. Voltei em casa e tomei um banho antes de ir para lá. Estava me sentindo pesado. Nem conduzir direito eu estava conseguindo. O banho me fez bem. Cheguei no Empório outra pessoa.
O forró foi bom demais. Me ajudou a esparecer. Entre um xote e outro, ou mesmo no meio de um baiãozinho mais lento, fiquei imaginando algumas coisas... Imaginava certa pessoa vestida para o forró e me escapavam sorrisos... Minha imaginação me mata. Sempre foi assim...
Voltei bem pra casa com meu coração apertado... Entrei no msn para ver se tinha alguma novidade ou alguém interessante. Nada!
Ah, Deus, cuida mesmo de mim... Que juízo é coisa que eu tenho pouco! Não me deixa machucar, nem ser machucado. Não me deixa iludir, nem ser iludido. Gosto de amar com as cartas na mesa...
Eu só quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida... como diria Cazuza.
20 março 2009
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