25 junho 2010

O Outro Lado do Rio

Era seu primeiro dia naquele lugar. Abriu os olhos ainda se acostumando à luminosidade morna que o envolvia. Estendeu as mãos e examinou os próprios dedos com curiosidade. Então este era seu novo corpo? “O que haveria de diferente nele?” Colocou a palma aberta sobre o peito e, para sua surpresa, sentiu uma pulsação forte e ritmada. Tinha um coração! Suas narinas dilataram enquanto ele encheu os pulmões de ar fresco do que parecia ser uma bela manhã. Inspirou e expirou várias vezes calmamente. Acariciou a própria pele, suave como a de um bebê, tomando consciência e acostumando-se aos limites do corpo... Onde começava e onde terminava. Sentia-se um vencedor. Estava feliz por ter deixado tudo para trás: as agonias do mundo, as dificuldades, as lutas... Mas sua felicidade se esvaiu no segundo em que se deu conta da dúvida terrível. De repente, pôs-se de pé num salto, arregalou os olhos e o coração recém descoberto disparou em desespero. “Aquilo não era o céu!” – imaginou. Uma sensação de mal-estar se apossou dele e percebeu que também tinha um estômago. “O que ou onde diabos era aquilo?” – pensou e se arrependeu depois por ter colocado o “dito-cujo” na indagação. Àquela altura do campeonato, melhor evitar certas coisas. Já estava difícil lidar com a nova situação, não queria atrair outros agravantes. Num misto de perplexidade e medo, ajoelhou-se, pegou um punhado do chão e examinou a amostra. Não era feito de nuvem, porém também não parecia ter conexões com o fogo, o que já era aparentemente tranqüilizante. Sentiu uma areia fina, que escorria agradavelmente por entre os dedos numa fluidez que nunca vira antes. Outro pensamento ocorreu-lhe desta vez: Será que havia reencarnado num outro mundo? Seria irônico: uma vida inteira refutando o espiritismo apenas para morrer e descobrir que estava errado. Mas, naquela condição, se não estivesse mesmo no céu, era preferível a reencarnação ao inferno que sempre acreditara. Parecia a única explicação para tudo, apesar de ter a impressão de que a doutrina da reencarnação previa que, ao reencarnar, a pessoa devia ter uma nova jornada de nascimento, crescimento e morte. Carma e Dharma. Coisas boas e ruins acontecendo como castigo ou recompensa por seu desempenho na vida anterior. Como explicar aquele corpo adulto? Não era reencarnação. Tinha de ser outra coisa, embora não soubesse o quê. Talvez o purgatório, que os católicos pregavam. Talvez estivessem certos e ele estava ali para pagar ainda por alguma falha. Talvez tivesse que esperar que alguém lhe acendesse uma vela ou algo assim para encontrar a direção certa e começarem as punições ou a peregrinação até o paraíso. Ou não. Outra possibilidade apareceu em sua mente e ele sorriu. Sempre tivera mania de sofrer por antecipação, mas podia ser que nem estivesse morto. Sua última lembrança era de estar na cama do hospital com aparelhos ligados a seu corpo. O cheiro de assepsia. As paredes brancas. “Isto não é morte! Devo estar em estado de coma.” Sabia de um monte de histórias de pessoas com sonhos estranhos em coma que retornavam e falavam sobre a experiência. Talvez fosse o que estava se passando com ele. Fechou os olhos, apertando os com vontade e tentou sentir algum vínculo com um suposto corpo distante: um cheiro, o som do bip dos equipamentos ou de conversas, talvez uma mão segurando a sua... Nada. Nenhuma sensação ou até a esperança de uma... A dúvida persistia. Teve vontade de chorar, mas pensou que seu choro serviria para corroborar a teoria de que aquele não era um lugar de paz. O céu que o ensinaram a crer não tinha espaço para lágrimas. Deitou e encolheu-se todo, em posição fetal, a respiração estava acelerada. Examinou as próprias roupas: camisa de malha, calça jeans e tênis all star. “Deve ser alguma piada!” – pensou consigo. ”Deus nada tem a ver com o que está acontecendo comigo! Deve ser alguma pegadinha, talvez um novo reality show onde doentes terminais são induzidos quimicamente a delírios televisionados.” Mas imediatamente deu-se conta do absurdo daquela suposição. Precisava manter a calma e tentar pensar lucidamente. Racionalizar a experiência. Levantou-se devagar. Inspirou e expirou novamente varias vezes, de olhos fechados, prestando atenção na freqüência cardíaca baixando gradativamente. Quando julgou que estava mais calmo, contou até dez e abriu os olhos com cautela. Olhou à volta procurando uma pista que lhe elucidasse os pensamentos. Parecia estar numa praia ou num deserto. Dunas de areia fina o rodeavam a perder de vista. Nenhum sinal de mar, ou água alguma. Somente areia branca e o céu azul acima. Nas alturas, umas poucas nuvens, nenhum urubu ou gaivota visível. Apertou os olhos e cobriu a fronte com a mão direita espalmada em viseira, tentando perscrutar áreas mais distantes, mas o vento formava pequenos redemoinhos de areia que atrapalhavam a visão. O jeito era caminhar. Não ficaria mais perdido do que já estava. Tirou os tênis dos pés, dobrou a calça até os joelhos e começou sua trilha incerta. Gostou de sentir os pés afundando na areia fria e a brisa suave mexendo em seus cabelos. Andou na imensidão pelo que achou ser mais de uma hora. A caminhada parecia lhe fazer bem. A cabeça ia desanuviando. As sensações negativas e a ansiedade perdiam a força. Gostou de descobrir também que seu corpo parecia imune à fadiga. Até realizou pequenas corridas e viu-se alcançando velocidades que nunca tinha alcançado antes. Sequer chegou a transpirar ou mesmo alterar o ritmo da respiração. Tanto andou que avistou a parte mais alta de uma palmeira apontando além de uma duna. Reduziu o passo ao avistar aquele elemento novo na paisagem. Era a primeira vez que o cenário mudava. Aproximou-se com passos largos, porém desconfiados. Percebeu que subia uma fumaça escura próxima à palmeira. Sinal de possível companhia. Onde há fumaça, há fogo. Alguém havia feito fogo. Mas não sabia se era uma companhia amistosa. O coração disparou novamente. Quando alcançou o cume da duna, ficou boquiaberto com a visão: à sua frente se estendia uma imensidão azul turquesa de águas límpidas, espumando serenamente numa praia perfeita. Pequenos siris prateados corriam entre conchas coloridas e podia-se ver cardumes nadando entre corais multicores de tão transparentes as águas. Foi quando o viu. Alimentava uma pequena fogueira com gravetos que não sabia onde tinha recolhido. O fogo crepitava suavemente. Sua aparência era simples: usava uma bermuda velha, camisa de botão semi aberta, barba por fazer. Presumiu que era um homem do mar e que seu barco devia estar por perto. Pensou em tomar a direção oposta e sair dali sem ser notado, mas ele ergueu os olhos da fogueira e lhe sorriu amistosamente:
- Que bom que chegou! Eu estava à sua espera! Não vai descer até aqui?
- À minha espera? Sabia que eu viria?
- Sim... Mas achei que você precisava ficar um pouco sozinho para se acostumar com a idéia de estar aqui...
- Então é como eu pensava... Estou mesmo morto, não é? Você é o barqueiro que vai me levar para o outro lado deste mar, não é?
O pescador deu uma gargalhada.
- Você andou lendo muita mitologia em vida, não é rapaz? Será que não abandonou essas fábulas ainda? Além dessas águas há um abismo... Não há como você passar para lá ou alguém vir de lá para cá, mas porque não desce aqui em vez de ficar gritando ai de cima?
O homem desceu a duna ainda meio desconfiado. O pescador fez sinal que ele se assentasse e disse com um sorriso:
- Já está pronto! Está com fome?
Nem esperou resposta. Apagou a fogueira jogando um punhado de areia sobre ela, depois apanhou um pedaço de pau maior e começou a espalhar os restos das cinzas. Logo apareceu um embrulho verde fumegante. O pescador o desenterrou, limpou com cuidado e abriu. Do interior escapou o aroma agradável do peixe assado que ainda borbulhava.
- Hum... Que cheiro delicioso!
- Você vai achar ainda mais delicioso o sabor. Prove um pouco! – O pescador estendeu a folha em direção a ele. Aberto, o embrulho tinha a forma parecida com a de uma bandeja.
Ele olhou a iguaria. Nem estava com fome, mas a aparência e o aroma eram irresistíveis. Era impossível não querer provar um pouco. A boca salivava só de ver as ervas borbulhando junto à carne branca do peixe. Pegou um pedaço generoso e lançou-o na boca com vontade.
- Cuidado! Ainda está quente! – Advertiu o pescador.
Sentiu a carne que parecia desmanchar-se na boca, sem espinhos, tempero ligeiramente picante e extremamente aromático. Comeu tentando distinguir os sabores mentalmente. Tentando adivinhar que tipo de especiarias e condimentos estaria por trás daquela perfeição gastronômica. O pescador estava visivelmente satisfeito por ter sua companhia e, enquanto aproveitavam a refeição, riram e conversaram como se fossem velhos amigos. Terminado o peixe, o homem estava tão à vontade que até lambeu a folha onde a refeição havia sido servida sem cerimônia alguma, enquanto o pescador gargalhava tanto que seus ombros chegavam a balançar. Por fim, ficaram observando a superfície azul diante deles, em silêncio. Pássaros que aquele homem nunca tinha visto planavam sob as águas, vez ou outra mergulhando e emergindo com um peixe no bico.
- Eu estou realmente morto, não estou? – criou coragem e perguntou enfim.
- Bom... a vida como você estava acostumado já não existe mais... Isto é certo.
- Mas e este corpo? Respirando... Correndo... Comendo... Um coração forte batendo no peito... Se eu estou morto, como pode ser assim?
- Você acredita realmente que ainda é feito de carne, sangue e ossos? Acha que está usando esta calça jeans e tênis “all star”? Responda-me uma coisa: Qual era sua idade? Você se lembra?
- Sim. 62 anos completos.
- E você já teve a oportunidade de se olhar depois que chegou aqui? Dê uma espiada... Há uma poça logo ali que talvez lhe sirva de espelho. – Disse o pescador apontando uma pequena poça de água formada na cavidade de uma enorme rocha. O homem aproximou-se do local indicado e tocou o próprio rosto com assombro. Não era mais o velho rosto enrugado e cansado que havia aprendido a reconhecer como seu ao longo dos anos. Aparentava vinte e poucos anos, mas sem as cicatrizes que havia adquirido da adolescência cheia de acnes e espinhas. Sua pele era perfeita e sem marcas como a de um recém nascido.
- Como isso é possível?
- A idade é algo próprio do lugar de onde você veio. Um lugar de coisas fadadas a degenerar e definhar até chegarem ao fim. Que é o envelhecimento senão a morte moldando e sugando os corpos até a exaustão? E o que é a morte senão uma conseqüência do pecado? Na eternidade as coisas e as pessoas ficarão livres deste processo de corrupção.
- Então isso é a eternidade? Aqui é o céu?
- Aqui é uma nova jornada... Sem muitos dos obstáculos que você enfrentou antes, o que já é um alívio...
- Então também não é o inferno, não é?
- Claro que não! E nem o purgatório, antes que você pergunte. Seu destino já foi traçado pelas escolhas que você fez. Nada que faça aqui ou que façam por você no local de onde veio vai mudá-lo agora. Pense neste lugar como uma Sala de Espera gigante.
- E o que estou esperando?
- O Dia do Acerto de Contas Final, naturalmente. O dia em que todos os homens, dos poderosos aos mais símplices, comparecerão diante do Trono para serem julgados. O tempo que lhe foi dado é uma dádiva. Você teve a chance de se orientar pelo Propósito original que foi criado ou de perseguir seus próprios objetivos... Não achou que isso teria conseqüências?
- Em alguns momentos, para ser sincero, eu acreditava que não... Mas no travesseiro eu sabia a verdade. Tive muitas madrugadas insones pensando nisso. Uma eternidade é tempo pra caramba para se passar no lugar errado...
- E infelizmente muita gente passará... – O pescador disse tristemente com o olhar distante.
- Onde estão os outros? Eu imaginava que o além já devia estar cheio de gente...
- Estão por aí... Você os encontrará, não se preocupe. A chegada é um pouco solitária. É um tempo para que as pessoas assimilem sua nova condição, depois que entendem bem essa condição estão prontas para conhecer o resto...
- Será que vou encontrar algum personagem bíblico ou histórico? Profetas? Reis? Apóstolos? Deve dar cada conversa interessante...
- Sim, é possível... Dos históricos, já lhe adianto que alguns que você acredita piamente estar por aqui não serão encontrados. Homens podem ser enganados, mas Deus sonda os corações... Os demais, por mais ricas que tenham sido suas jornadas no outro mundo estão mais empolgados com o lugar onde estão indo... A maioria só fala nisso, você vai ver...
- Então o fim de tudo é ainda mais belo?
- Claro. Não se lembra? “O que olhos não viram, ouvidos não ouviram, nem jamais penetrou no coração humano” é que está reservado àqueles que temem a Deus. Além do mais, este lugar nem sempre foi desta maneira, tão bonito.
- Como assim?
- Era um lugar cinzento. As pessoas quando chegavam aqui pareciam mais sombras do que pessoas. Tristes. Apáticas. Aquele sol – E o pescador apontou para o astro surgindo no meio das águas – ainda não havia nascido.
- E o que mudou tudo?
- A ida de Deus ao mundo, em forma de homem. Acha que somente a história do outro lado foi moldada a partir daquele acontecimento? Não. Teve repercussões em todo o universo, até mesmo aqui, no lugar dos mortos.
- Mas como vocês souberam disso? Pensei que o abismo entre os lugares impedisse o contato entre eles.
- Sim. Mas esqueceu que o Messias ficou morto três dias? Assim que morreu, Ele apareceu aqui com o amigo, dizendo que era chegado o tempo das boas novas. Muitos creram Nele.
- Amigo? Que amigo?
- O que morreu junto Dele. Apareceu aqui caminhando sobre essas águas, sendo trazido pela mão pelo próprio Deus encarnado.
- Muitos creram? Então quer dizer que houve ainda quem O rejeitasse?
- Sim. Nem todos acreditaram. Deste lado alguns perderam a esperança. Outros endureceram o coração com as escolhas que já haviam feito...
- E onde estão estes que não O aceitaram?
- Em outra sala de espera... Diferente dessa. Somente ficam aqui os que herdarão a vida eterna. Só tem a Vida quem tem o Filho. Depois de três dias, Ele voltou para resolver assuntos pendentes do outro lado. Assim que deixou o mundo dos mortos, nasceu esse sol lindo no horizonte.
Enquanto olhavam o sol, de repente ouviram passos descendo a duna. O homem assustou-se e ergueu-se num sobressalto. O pescador olhou calmamente e abriu um sorriso.
- Calma que sou de paz! Não vou fazer-lhe mal ou roubar coisa alguma! – Disse o recém chegado mostrando as mãos vazias erguidas em sinal de rendição.
- Meu amigo, que bom que chegou! – Disse o pescador abraçando aquele homem bem apertado. Só pelo jeito que se olhavam dava para perceber a profunda afeição entre os dois. – Posso lhe pedir um favor? Cuida deste amado aqui que acabou de chegar e o apresenta aos outros?
- Tudo o que quiser. – Respondeu o outro fazendo uma mesura.
O pescador abraçou o homem e disse que ele estava em boas mãos e que se veriam em breve novamente. A seguir, caminhou lentamente em direção às águas, mas seus pés não afundaram quando tocaram nelas. Pisou na superfície como se pisasse em terra firme. Deu um passo, depois outro, e seguiu tranquilamente. O vento passava e seus cabelos se elevaram na caminhada. Quando a distância ainda permitia lhe discernir as feições do rosto, fez uma breve parada, com um sorriso largo no rosto e acenou em despedida.
O homem assistia a tudo estupefato. Não conseguia dizer uma só palavra até sentir uma mão pousando sobre seus ombros.
- Ele adora fazer isso. – Disse aquele que ficara responsável de cuidar dele.
- Como eu pude não perceber quem realmente era Ele. Enquanto conversávamos, senti meu coração queimando...
- Fique tranqüilo. Acontece com mais freqüência do que você imagina. As pessoas tendem a ficar idealizando tanto a pessoa Dele que quando O vêem cara a cara não o reconhecem.
O pescador continuou sua caminhada até desaparecer no sol.
- A refeição com Ele! Essa praia! Esse sol! Esse mar! Tudo foi muito perfeito! – Exclamou com suspiro.
- Mar? Isso é só um rio, meu amigo... – Riu o outro.
- E você? Quem é? É um dos apóstolos? Não me arrisco a tentar acertar mais quem é ninguém desse lado.
O outro homem fitou o horizonte e seus olhos ficaram parados por um momento, como se revisasse as gavetas mais profundas da memória.
- Eu? Apóstolo? Não. Quando Ele me encontrou eu já não tinha tempo para realizar mais nada em Seu Nome naquele lugar... Eu sou apenas o sujeito que morreu na cruz ao lado e Ele veio me trazer aqui pessoalmente... Mas conto tudo depois. Vamos andando agora. Há muito que você vai gostar de ver.




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Tags: Morte, Além, Sheol, Hades, pós vida, existência póstuma

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Breve Nota Teológica:
Para onde vamos quando morremos?

O objetivo do texto é instigar teologia no seu sentido mais abrangente, ou seja, provocar reflexão e questionamento a respeito de Deus e tudo o que se relaciona a Ele, não de defender qualquer posição doutrinária. O conto não deve ser interpretado num sentido apologético ou de ensino, mas como simples exercício do dom divino da imaginação buscando respostas sobre o que ainda é desconhecido. A questão de um lugar intermediário entre a morte física e o Dia do Juízo final é um ponto polêmico que divide os teólogos até hoje. A opinião reformada é que, assim que o crente fecha os olhos neste mundo, os abre na presença de Deus no céu. Totalmente conscientes e no pleno exercício de todas as faculdades. Há também os que crêem na Doutrina do Sono da Alma (ou Psicopaniquia), que afirmam que a alma entrará num estado inconsciente de repouso até o Dia do Julgamento. A Igreja Católica, desde a Idade Média, postula a teoria do Purgatório, um lugar onde os cristãos com certeza de salvação, mas ainda não preparados para experimentar a Visio Dei (Visão Direta de Deus), passariam por um período indeterminado de purificação para poderem finalmente entrar nos céus.

No Velho Testamento, o termo Sheol (traduzido como “inferno” ou “além”) descreve na maioria das vezes apenas um lugar que é uma sombra do plano de existência dos vivos, sem noções de punição ou de recompensa. É uma terra de esquecimento e tristeza. Algumas vertentes teológicas modificaram o conceito original de Sheol ( e do equivalente grego Hades) para sugerirem a idéia de uma espécie de “sala de espera” bipartida, com lugar específico para justos e para ímpios. Esta foi a inspiração original explorada na produção do conto, embora não represente necessariamente minha posição teológica.

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