Faz tempo que não escrevo uma carta curitibana, mas isso não quer dizer que minha vida aqui esteja parada ou sem novidades. Uma coisa que tenho aprendido nestes últimos tempos é guardar as coisas só para mim antes de contar ao resto do mundo e isso tem funcionado. Algumas coisas eu guardo no Novo Caderno Azul. Outras são só minhas, para pensar com um sorriso desleixado no canto da boca ou com os lábios apertados revelando alguma ansiedade. Não há nada de preocupante ou motivo de alarde. Deus continua cuidando de mim, com cajado de direção e proteção e bálsamo para as feridas que acaso eu possa sofrer. Cada dia que passa eu tenho mais certeza de que Ele me trouxe aqui e vou me maravilhando com os pequenos milagres que vão se revelando em meu cotidiano e com a maneira com que Seu amor e cuidado cerca todos os detalhes à minha volta. Nada tem me faltado. Nem as coisas materiais, nem as essenciais: amizade, alegria, paz... As pessoas com as quais estou convivendo estão me fazendo bem. Tenho aprendido novas coisas nos mais variados assuntos: culinária, cinema, literatura, teologia, saúde, bebidas... Também já tenho quem me ligue aqui simplesmente para ter minha companhia num passeio a um dos muitos bosques da cidade ou para só falar bobagem e isso é bom. Sinto falta dos amigos de sempre, do Claudinho, da Lívia, do Sérgio, do Magneto, da minha irmã... mas Deus tem me dado novos amigos aqui também. Sinto falta de estar em alguns lugares e de fazer certas coisas: andar de bicicleta na orla da Pampulha, ir à sinagoga para o serviço da Torá no Shabat, passear pelo Mercado Central de BH sentindo os cheiros de tudo, comer a "carne de lata com mel e pimenta" do Salsa parrilha ou um milkshake de nutella do Eddie's. Sinto falta dos forrós da noite belorizontina, com sorrisos conhecidos me puxando pelo braço para dançar bem pertinho. A saudade é grande, mas já tenho coisas aqui que me são queridas também: caminhadas pelo Bosque do Papa ou no Bosque Alemão, o culto dominical na luterana, ir ao mercado municipal curitibano para comer "carne de onça" e tomar um OPA, forrós no 13 e no Calamengau com catarinas que me reconhecem e sorriem para mim enquanto dançamos. As coisas novas não substituem as velhas,quer em importância ou em qualquer outro quesito, mas me ajudam a ir aos poucos encontrando meu lugar aqui. Servem para criar familiaridade no que me é estranho. Vão construindo pontes para que eu entre nessa cultura curitibana tão distinta da minha nativa, a mineira.
Não me acostumei ainda com o clima daqui. Curitiba tem as quatro estações num dia só, como costumam falar. Hoje, por exemplo, acordei num frio tremendo de manhã. Ouvi na rádio que estava 12 graus ao amanhecer. Ao meio dia e meia, quando sai do trabalho, o dia estava nublado e ventava muito. Passei numa rua que vende móveis usados (Riachuelo) com uma amiga que queria comprar uma cama e oito lojas depois uma chuva nos surpreendeu. Cheguei ao Muller - onde almoçamos - com as roupas molhadas. Quando saimos de lá para ir para casa, por volta das 15 horas, fazia um sol lindo e nem havia sinal de chuva. Assim é Curitiba. Todo dia é isso: 50% de chance de chuva e frio e 50% de chance de sol e calor em horários alternados. O que acostumei e aprendi a gostar foi da qualidade de vida: os bosques onde posso deitar na grama e ficar olhando nuvens, as borboletas que cruzam voando em plena XV no centro da cidade, o frio em que posso tomar meu chimarrão sossegado e que não chega a me afligir muito...
Como de costume, termino a carta com um pedido: continuem a orar por mim. A oração de todos vocês e a minha tem movido coisas a meu favor aqui. Deus está no controle e cuidando de mim, fiquem tranquilos.
Abraços e saudades.
25 abril 2009
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