A princípio fiquei com medo de ler "A Cabana" (Autor: William P. Young, Editora Sextante, 2008, 240 páginas) porque tudo que é pop demais corre o risco de render grandes decepções. É comum a gente ver todo mundo comentando sobre um livro e, quando vai ler o bendito, vai com tanta expectativa que se frustra. Às vezes nem é culpa do autor. O pobrezinho fez seu trabalho bem feito: trama, estilo e pontuação. Só que a propaganda exagerada acaba atrapalhando em vez de ajudar..."A Cabana" fez jus a tudo que me disseram. No início achei a leitura um pouco cansativa. A preparação da história e como o autor apresenta os personagens pode desanimar, mas vale a pena perseverar. O livro melhora e muito! Recomendo. Não chega a ser desses romances em que a gente não consegue desgrudar os olhos, mas o desenvolver do enredo é capaz de deixar o leitor, no mínimo, intrigado.
Além de ser uma história bem bacana, o autor faz uma abordagem muito boa sobre a Santíssima Trindade! Ele consegue aproximar Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) do homem, retirando aquela impressão de intangibilidade e distância que a gente acaba herdando das religiões e da vida religiosa. Há alguns errinhos teológicos aqui e ali perdidos no enredo, mas nada que comprometa a obra. Basta lembrar que trata-se de um romance e não de um livro doutrinário e tudo se resolve.
Outra boa notícia é que não se trata desses livrecos erudito-religiosos cheios de teorias acessiveis só a uns poucos iniciados. Não é preciso sequer saber Bíblia para desfrutar da experiência de leitura de maneira plena. O Autor não fica colocando versículos na boca de seus personagens a cada momento para justificar o andar da carruagem. Ele não defende uma posição teológica ou doutrinária, apenas conta uma história com um fundo espiritual e faz isso com muita competência... Paulo Coelho tem escrito porcamente sobre o espiritual há anos e muita gente o lê, porque não ler algo que preste para variar?
Leia " A Cabana", e prepare-se para ter alguns velhos paradigmas religiosos abalados. Se um bom livro é aquele que deixa cicatrizes, "A Cabana" é um livro excelente.

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