Se não temos a aptidão para fazer amigos, temos de nos remodelar até consegui-la. A solidão só vale como remédio, como jejum - não constitui alimento; o caráter, como Goethe percebeu claramente, só se forma no tumulto da vida. Se nos tornamos excessivamente introspectivos, estamos na senda da perdição, ainda que o nosso negócio seja a psicologia; olhar com persistência excessiva para dentro de nós mesmos é provocar o desastre do jogador de ténis que conscientemente mede a distância, os ângulos e a força dos golpes, ou como o pianista que pensa nos dedos enquanto toca. Os amigos são necessários, não só porque nos ouvem, mas também porque se riem para nós; através dos amigos conseguimos um pouco de objetividade, um pouco de modéstia, um pouco de cortesia; com eles também aprendemos as regras da vida, eles nos tornam melhores jogadores dos jogos que a compõem.
Quem quer ser amado, tem de ser modesto; quem quer ser admirado, tem de ser orgulhoso; se o que se deseja é ser as duas coisas, deve-se usar externamente a modéstia e internamente o orgulho. Mas o próprio orgulho pode ser modesto, raramente se deixando ver, e nunca se deixando ouvir.
Não se pode revelar muita agudeza: os epigramas tornam-se odiosos quando farpeiam fundo a carne; e adotar como lema o De vivis nil nisi bonum (latim: "Dos vivos, nada além do bem"). Nunca se deve tentar provar que um homem está errado; ele não o perdoará nunca. O «nada fazer» é uma das coisas mais preciosas do mundo; frequentemente vale muito o nada fazer, e é sempre uma boa coisa o nada dizer. Ninguém deve mostrar-se ansioso de proclamar a verdade. Aceitando as convenções que a sociedade estabelece, gozamos um pouco de liberdade dentro das suas leis; isso nos permitirá tudo, se o fizermos com elegância e não o andarmos a proclamar.
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Tradução própria de um trecho de Will Durant, in "Philosophy and the Social Problem."
Estava lendo essa semana e achei interessante.
14 março 2009
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