23 dezembro 2008

Coisas que o Almyr disse...

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
- Almyr Klink -

A primeira vez que ouvi falar sobre o Almyr Klink foi o Joe quem me falou. Eu estava em Joinville, na casa da mãe dele. Foi lá que vi Dona Ingrid fazer seu delicioso Apfelstrudel, tenho a foto até hoje. Momento mágico. Joe me falou sobre a travessia de Almyr Klink, um velejador que atravessou o Atlântico num barquinho a remos. Saiu da costa africana sob forte oposição, tinha gente que jurava que ele iria morrer no caminho. Quase três meses depois, chegou a Salvador: são, salvo, vivo e feliz! Em São Francisco do Sul havia o Museu Nacional do Mar com o pequeno veleiro que o Almyr havia usado. Joe me levou para conhecer. Foi bacana demais, fiquei tão empolgado que depois (quando fui à Canela e Gramado com minha irmã Aline) comprei e devorei durante a viagem o livro "Cem Dias entre o Céu e o Mar" que contava a história toda da travessia.

Há muita coisa que não vi ainda. Sou curioso dos sabores e paisagens desconhecidas, dos idiomas e sotaques não ouvidos, das pessoas que esperam para se tornarem amigas ou desaparecerem como personagens secundários da história da minha vida. Graças a Deus a maioria dos que vou conhecendo, carrego comigo. Vão se amontoando carinhosamente do lado esquerdo do peito, como diz a Canção da América do Milton Nascimento. A distância ou o pouco contato têm se mostrado ineficazes para afastar esses amigos conquistados. Basta um reencontro e um abraço para tudo ser como antes.

Volto a Curitiba em janeiro. Vou ao encontro dos velhos amigos que fiz em minhas passagens anteriores por lá e para descobrir outros novos também. Dizem que no fim de nossas vidas, o que vale mais são os amigos que fizemos ao longo de toda a existência. Vou me encher de amigos então. Se conseguir encontrar uma meia dúzia disposta a perserverar na amizade comigo até o fim, já terá sido uma bênção. Mas outra coisa também estou procurando: na viagem busco esta formação que o Almyr fala no verso que causou todo este post. Busco olhar as coisas com novo olhar e, principalmente, poder reconhecer no espelho algo melhor quando eu voltar ou descobrir o meu lugar...

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