06 fevereiro 2007

Poema de Amiga


Porque és amiga
tens estes
teus olhares,
longos e compreensivos...
que me convencem
do anjo que não és
- ou és e eu insisto
em subverter - ;
que te fazem
minha confessora,
irresistíveis
estes teus olhos de amiga,
tão perfeitos,
cirúrgicos,
vasculham meus segredos
e constrangem-me
a alma.
E tens ouvidos,
Ouvidos de Amizade,
feitos para beber-me
as raivas da vida,
os restos de sonho,
tanta esperança...
Até eu esvaziar-me todo
para, levíssimo,
enfrentar o mundo.
Quanta tempestade
e calmaria
cabem nestes teus ouvidos,
Ouvidos de amiga...
mas tens também boca,
no silêncio firme,
lábios pacientes;
na palavra certa,
lábios sábios,
na gargalhada louca...
Deliciosa boca!
Vermelha feito fruta proibida.
Tens a boca
do desejo, minha amiga.
E também estas
mãos macias e delicadas,
cumprimentando solenes
nos encontros
e que acenam
nas despedidas,
tão tristes assim...
tão distantes das minhas.
Tens esta cintura fina,
forjada sem defeito
para o sonho
e para o amor,
esculpida
com o sabor de tentação...
Ah, e tens estas
pernas torneadas, amiga.
Pernas brilhantes
que tantas vezes pelo meu quarto
desfilaram em pensamento,
passos flutuantes
de teus pés pequenos,
tímidos, às vezes;
ousados, outras...
Teus, sempre.
E tens também
estes quadris magnéticos,
hipnóticos...
cadenciados com gosto
deixando teu rastro
de sensualidade inocente
nas esquinas,
nestas ruas
que ficam mais belas
quando passas...
Corações suspirando
nas calçadas e janelas.
O meu suspira também...
mas não posso ter teus quadris,
nem tuas pernas,
tua cintura fina,
tua linda boca vermelha.
Tenho teu olhar e ouvidos.
Olhar e ouvidos
de amigos...
e carrego comigo
tanto sonho,
e imaginação,
e esperança...
que, às vezes,
deixo escapar um lamento:
"Ah, se não fosses tão minha amiga..."

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