15 maio 2009

Carta a um Nobre Confrade...

O céu de Curitiba é alaranjado, bem diferente do céu que estava sobre nossas cabeças em tantas discussões e conversas. Você ficou por aí, na terra que dorme entre as curvas da Serra do Curral e eu estou aqui observando os ventos frios balançando as araucárias, mas sempre me lembro de tudo o que já passamos e dissemos.

Uma vez, por exemplo, você me escreveu uma frase de Guimarães Rosa: "Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.". Não sou nenhum mestre, meu caro confrade, mas tenho aprendido de repente um mundo de coisas. Aprendido com lágrimas, com sorrisos, e até com silêncios. Alguns aprendizados vão ser úteis somente por alguns períodos de tempo, mas sei que outros vão me acompanhar para sempre...

Aprendi o valor das lembranças e como tirar força delas como alguém que espreme o sumo de alguma fruta até a última gota. É um elixir milagroso! Algumas vezes doce como açúcar para aliviar os dissabores da vida. Outras remédio amargo, mas necessário...

Aprendi hábitos novos, desde chimarrão e tererê a novas palavras que fazem parte do meu vocabulário agora. Não perdi o jeito de prosa mineira, mas é certo que eu já não falo da mesma maneira. As histórias também são de outras paisagens, outros sotaques e estereótipos diferentes. Sinto falta de conversamos a respeito delas, caro confrade. Falta demais! Espero que Deus esteja cuidando de você por aí. Mande sinais de fumaça, às vezes. E venha me visitar aqui nessa terra garoenta também.

Não sei ainda aonde meu caminho vai dar. Ás vezes piso trilhas incertas e até algumas sendas confiáveis se revelam areia movediça subitamente. Apenas confio que há uma Mão Firme me segurando até nos passos mais vacilantes.

Abração

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